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Artigos de saúde

Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS)

Neste artigo:

- Introdução
- Histórico
- SARS
- Sintomas
- Evolução da doença
- Tratamento e vacinas
- Imunização
- Medidas de isolamento e manejo de casos hospitalares
- Referências

Introdução

O SARS coronavirus (SARS-COV) foi responsabilizado como sendo o causador de uma doença aguda respiratória e freqüentemente fatal. (Severe Acute Respiratory Síndrome – SARS).

O coronavirus, (o prefixo "corona" resulta da coroa que aparece quando se observa o vírus ao Microscópio Eletrônico), pertence à família Coronaviridae e foi descoberto durante o inverno de 2002 /2003.

Foi inicialmente detectada a epidemia no sul da China, provavelmente secundária à transmissão por um animal mamífero.

Estes vírus são importantes patógenos em animais, que causam uma grande variedade de doenças, através de uma grande variedade de mecanismos patogênicos e são capazes de mutações freqüentes e de infectar novas espécies.

Histórico

Em 1965 Tyrrel and Bynoe e ao mesmo tempo Hamre and Procknow foram os primeiros a identificar os vírus. Desde 2003, pelo menos 5 novos vírus humanos causadores dessa doença foram identificados, incluindo o responsável pelo SARS.

Outros coronavirus, do mesmo grupo desses vírus causadores da SARS foram identificados como causadores de hepatite em ratos e quadros de gastroenterite em suínos e em outros animais, tornando – o, o vírus mais comum em patologia veterinária.

SARS

Foi identificada inicialmente na província de Guangdong na China, em novembro de 2002 e se espalhou de lá para Hong Kong e outros paises no Sudeste Asiático, Europa, América do Norte e finalmente por todo o mundo. Depois que a epidemia global foi anunciada em 2003, ocorreram aproximadamente 8000 casos e cerca de 800 mortes foram registradas.

Em climas temperados os coronavirus aparecem mais freqüentemente no inverno e na primavera. O maior número de casos foi registrado na China, Sudeste Asiático e em Toronto, no Canadá. A mortalidade geral gira em torno de 17%, mas entre o pessoal da saúde e entre adultos maiores de 60 anos, pode atingir até 50%.

Desde o inicio da epidemia ocorreu uma mobilização global para conter a doença. É provável, pelas experiências descritas que a via de transmissão seja por via oral, contato direto e possivelmente pelas fezes de pessoas doentes ou contaminadas.

Existem vários dados que confirmam a suspeita de que 1 pessoa contaminada pode infectar até 100 outras pessoas.

A origem da epidemia de SARS não está bastante clara, mas a ausência de anticorpos em populações controle sugere que seja uma doença que não tenha atingido os humanos previamente em nenhum nível.

O vírus, provavelmente se originou de alguma espécie animal e foi transmitido a seres humanos no sul da China. O isolamento do vírus e a detecção de anticorpos em diversos gatos selvagens, em 1 cão de racoon e em uma doninha no mercado do animal vivo, na província de Guangdong, China, sugere que os animais deste mercado possam ter sido a fonte de vírus que infectou seres humanos.

Sintomas

SARS é caracterizada por sintomas variados, tais como febre e dor muscular, seguidos por sintomas respiratórios, incluindo tosse não produtiva e falta de ar. Idade, sexo e fatores socioeconômicos influenciam na gravidade da doença.

Os achados de laboratório incluem diminuição de glóbulos brancos e a radiografia de tórax exibe geralmente alterações uni ou bilaterais.

Aproximadamente 15% dos casos, segundo estudo apresentado por Groneberg et cols, evolui para piora importante, requerendo entubação ou ventilação mecânica.

A taxa de mortalidade relatada por este estudo gira em torno de 10%.

A SARS tem níveis variáveis de apresentação, indo de uma pneumonia com diversos níveis de gravidade até um quadro mais grave que pode evoluir para a Síndrome de Angustia Respiratória do Adulto (SARA). Aproximadamente 20% dos pacientes com SARS, apresentará doença grave e deverá ser transferido para uma unidade de cuidados intensivos.

Os estudos comparativos entre as epidemias que ocorreram em Toronto e em Hong Kong, cujos dados foram obtidos das epidemias que ocorreram entre março e junho de 2003, são mostrados no quadro abaixo:

Sintomas

Toronto (N=144)

Hong Kong (N=138)

Febre

99%

100%

Tosse seca

69%

57%

Dor muscular

49%

61%

Falta de ar

42%

Não avaliado

Dor de cabeça

35%

56%

Calafrios e tremores

28%

73%

Diarréia

24%

20%

Náuseas e vômitos

19%

20%

Tosse com secreção

5%

29%

Tonteiras

4%

43%

Coriza

2%

23%

O afluxo de pacientes criticamente doentes e a transmissão à linha dianteira de trabalhadores do sistema de saúde de Toronto - Canadá, criaram uma enorme tensão entre os trabalhadores de saúde. Vários desafios foram encontrados na epidemia deste país, como mostra o conhecido estudo realizado no Hospital Monte Sinai da Universidade de Toronto. Os maiores problemas foram encontrados na ausência de uma infra-estrutura que coordenasse toda a situação. Outros desafios encontrados foram: fechamento de leitos em Unidades de Cuidados Intensivos e perda de funcionários que, estando em quarentena, não podiam exercer suas funções.

Existem 2 fatores, segundo o estudo, que devem ser prioritariamente desenvolvidos, em caso de nova epidemia: uma eficaz coordenação e uma rápida e dinâmica modificação da situação dentro do hospital, em caso de necessidade.

Evolução da doença

A doença começa com febre e sintomas sistêmicos. A tosse e a falta de ar aparecem 1 semana depois.

Embora o pulmão seja o órgão mais diretamente afetado também ocorre diarréia, e diminuição de glóbulos brancos e plaquetas.

O vírus foi detectado em secreções respiratórias, sangue, urina, fezes e também em secreções pulmonares e no fígado.

Tratamento e vacinas

Ribovirina

Tem atividade antiviral. Nenhum estudo mostrou se esta droga é efetiva ou não contra SARS. Não foi feito nenhum estudo usando esta droga isoladamente.

Não existem, portanto, estudos definitivos sobre esta droga até o momento.

Testes de laboratório mostram que a ribovirina não é capaz de inibir a replicação dos coronavirus causadores da SARS

Estes achados associados às altas concentrações de vírus encontradas no post morten, mostraram que a Ribovirina não tem nenhum efeito sobre os vírus causadores da SARS.

Além disso, os graves efeitos colaterais conseqüentes a esta droga tornam muito difícil a sua utilização.

Outras drogas

Existem outras drogas que foram usadas durante a epidemia, mas sua utilidade não está totalmente comprovada, exceto no caso de esteroides (corticoesteroides), que têm utilidade no tratamento da Síndrome de Angustia Respiratória do Adulto, que é um quadro grave e muitíssimas vezes fatal.

Os esteroides foram indicados no tratamento da SARS quando por volta da terceira semana, observou se uma piora da doença.

Imunização

Como se observa que as pessoas que adquirem a doença desenvolvem anticorpos, a imunização é vista como possivelmente efetiva na prevenção da SARS.

No entanto o desenvolvimento de várias vacinas não é a meta mais importante do controle da SARS.

Importante, além das vacinas é o desenvolvimento de vacinas para vetores, sendo que até o momento 3 tipos já foram desenvolvidas e testadas com sucesso em animais.

Medidas de isolamento e manejo de casos hospitalares

A OMS, através do seu site, (onde se inclui um módulo de capacitação para profissionais de saúde), disponibilizou uma serie de medidas de isolamento e cuidados que devem ser tomados, tanto para prevenir a disseminação da infecção pelo paciente infectado, quanto entre o pessoal que presta atendimento a esses pacientes. Algumas dessas medidas estão resumidas abaixo:

Cuidados na Admissão do paciente com SARS

  • Estabelecer uma área específica para admissão, classificação e isolamento de pacientes com possível SARS.
  • Estabelecer uma área de recepção separada para a classificação de pacientes.
  • O pessoal de saúde deverá usar o equipamento completo de proteção.
  • Os pacientes deverão usar máscara.
  • Inspecionar os pacientes, indagando minuciosamente sobre sintomas, contatos e viagens.
  • Definir se o paciente cumpre os requisitos que definem a doença.

Referências

1. World Health Organization: Cumulative number of reported cases of severe acute respiratory syndrome (SARS). Available at: http://www.who.int/csr/sars/country/table2003_09_23/en/. Accessed February 5, 2004

2. Peiris JS, Lai ST, Poon LL, et al: Coronavirus as a possible cause of severe acute respiratory syndrome. Lancet 2003; 361: 1319–1325

3. Ksiazek TG, Erdman D, Goldsmith CS, et al: A novel coronavirus associated with severe acute respiratory syndrome. N Engl J Med 2003 ; 348 : 1953–1966

4. Drosten C , Gunther S , Preiser W , et al: Identification of a novel virus in patients with severe acute respiratory syndrome . N Engl J Med 2003 ; 348 : 1967–1976

5. Guan Y , Zheng BJ , He YQ , et al: Isolation and characterization of viruses related to the SARS coronavirus from animals in southern China . Science 2003 ; 302 : 276–278

6. World Health Organization: Update 96—Taiwan, China: SARS transmission interrupted in last outbreak area. Available at: http://www.who.int/csr/don/2003_07_05/en/. Accessed February 5, 2004

7. http://www.paho.org/spanish/ad/dpc/cd/sars-modulos-capacitacion.htm

8. Adverse effects of ribavirin and outcome in severe acute respiratory syndrome: experience in two medical centers.Chiou HE - Chest - 01-JUL-2005; 128(1): 263-72 From NIH/NLM MEDLINE

9. Mandell, Bennett and Dolin: Principals and Practice of Infectious Disease, 6th Ed, 2005

10. Severe acute respiratory syndrome and critical care medicine: The Toronto experience Booth CM - Crit Care Med - 01-JAN-2005; 33(1 Suppl): S53-60 From NIH/NLM MEDLINE

11. David A Groneberg: Treatment and vaccines for severe acute respiratory syndrome The Lancet Infectious Diseases Volume 5 • Number 3 • March 2005

Copyright © 2013 Bibliomed, Inc.   Publicado em 21 de Junho de 2010   Revisado em 25 de março de 2013



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