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Artigos de saúde

Celulite - Avanços em Medicina Estética - Parte 2

Neste artigo:

- Introdução
- Fatores Associados
- Estágios da Celulite
- Tratamento

Introdução

Todos sabem que, logo abaixo da pele, encontra-se um tecido gorduroso que possui várias funções, como modelamento corporal, amortecimento de impactos e isolamento térmico, impedindo a perda excessiva de calor. Esse tecido gorduroso é formado por células especiais que acumulam gordura e são chamadas de adipócitos.

No meio dessas células, existem algumas fibras que ligam a pele à musculatura que fica abaixo da gordura, e que separam as células gordurosas em grupos. Essas fibras são fundamentais para explicar porque a celulite ocorre muito mais comumente na mulher do que no homem. Na mulher, elas são retas e perpendiculares à pele, permitindo que, quando há um aumento dessas células, a gordura se insinue na pele formando as famosas “covinhas”. No homem, as fibras são oblíquas e, quando a gordura aumenta, ela é forçada pra baixo em direção ao músculo e não em direção à pele, como nas mulheres.

O termo técnico para a celulite é lipodistrofia ginóide. Ela é caracterizada pela formação de bolsas de gordura que se acumulam abaixo da pele, formando as irregularidades, depressões ou “covinhas”, tão temidas entre as mulheres. Ocorre em aproximadamente 90% das mulheres após a adolescência e, ao contrário do que muita gente pensa, não está relacionada com a obesidade. Ela aparece em pessoas magras, obesas e com corpo normal.

No processo de formação da celulite, o aumento das células de gordura comprime os vasos e leva à formação de um edema (“inchaço”) local, que piora ainda mais o processo.

Fatores Associados

Os possíveis fatores que se associam ao aparecimento da celulite são os seguintes:

• Genética: a hereditariedade é importante, pois a pessoa pode herdar características que predispõem ao desenvolvimento da celulite. Porém, não quer dizer que esse desenvolvimento é obrigatório. A adoção de hábitos de vida mais saudáveis e a prática de atividade física, em conjunto com outras medidas preventivas, pode alterar a apresentação.

• Hormônios: os hormônios femininos determinam como será a distribuição de gordura pelo corpo, favorecendo sua deposição na cintura e no quadril. Esses hormônios também ajudam na formação do inchaço na celulite. O papel dos hormônios é muito forte, tanto que o aparecimento da celulite começa na adolescência, época em que esses hormônios começam a aumentar.

• Alimentação: uma alimentação rica em calorias, ou os maus hábitos alimentares, aumentam a deposição de gordura, favorecendo o aparecimento da celulite. Ingerir pouco líquido e abusar do sal também são fatores importantes.

• Sedentarismo: o sedentarismo não permite que as calorias ingeridas sejam gastas com atividade física, assim essas calorias em excesso são guardadas no tecido gorduroso.

• Musculação: a musculação, quando feita sem preparo físico adequado, provoca inchaço que leva à retração do tecido gorduroso abaixo da pele, e também alterações no metabolismo das células. Isso pode piorar a celulite. Porém, quando leve e bem orientada, a musculação não faz mal. Alguns especialistas recomendam que as mulheres optem por exercícios aeróbicos.

Estágios da Celulite

A celulite evolui em quatro estágios. A título de ilustração, eles são descritos a seguir:

1) Primeiro Estágio
O acúmulo de gordura leva ao aumento do volume dos adipócitos que ficam abaixo da pele. Ainda não ocorreram alterações dos vasos sanguíneos e das fibras de sustentação, por isso não existem sinais visíveis na pele. Caso a celulite seja tratada nesse estágio inicial, a recuperação é total. Indica-se apenas reeducação alimentar e prática de atividade física.

2) Segundo Estágio
As células aumentam mais de volume e as fibras de sustentação começam a ficar mais grossas. Os vasos já começam a ser espremidos e já inicia a formação do inchaço. Na pele, já são notadas algumas irregularidades quando se faz a palpação do local. O tratamento nessa fase já inclui algumas técnicas e, se forem seguidas todas as recomendações, pode-se esperar uma grande melhora do quadro.

3) Terceiro Estágio
Ocorre maior aumento das células e desorganização dos tecidos, formando os nódulos que já são vistos na pele. As fibras ficam mais endurecidas e a pele fica com aspecto de “casca de laranja”. Podem aparecer pequenas varizes. As alterações da circulação são importantes e a pessoa pode sentir dor e cansaço nas pernas. O tratamento é o mesmo que no estágio anterior, só que com maior número de sessões. A recuperação é boa mas não é total.

4) Quarto Estágio
As alterações anteriores se agravam e, nessa fase, a celulite é dura e a pele fica cheia de depressões, com aspecto “acolchoado”. A dor e sensação de cansaço nas pernas pioram. O tratamento pode ser feito com as técnicas utilizadas nos estágios anteriores e, apesar de demorado, a melhora é parcial. Eventualmente, indica-se a associação de técnicas de cirurgia.

Tratamento

Pelo que já foi dito anteriormente, percebe-se que os cuidados preventivos, como a adoção de uma alimentação saudável e a prática regular de atividade física, são essenciais. É importante que se atue nos fatores causadores, evitando o surgimento de novas lesões. Além disso, a perda de peso atenua a aparência das lesões já existentes. Mas estejamos atentos: a obesidade não causa a celulite. Outro aspecto importante é que quanto mais precocemente for iniciado o tratamento, melhores serão os resultados. Lembrar que não existem milagres e, em casos mais avançados, a melhora é parcial e não total.

Vamos descrever, a seguir, os principais tratamentos que são atualmente utilizados no tratamento da celulite.

- Cremes e Emplastros

Existem vários agentes disponíveis na forma de cremes e emplastros, muitos com promessas milagrosas para acabar coma celulite. Porém, apenas dois foram estudados cientificamente: a aminofilina e os retinóides.

A aminofilina é utilizada para o tratamento de outros problemas, como a asma. Quando aplicada diretamente na pele, ela penetra e vai atuar nas células de gordura responsáveis pela celulite. Ela reduz o tamanho dessas células e ajuda a desfazer os agrupamentos dessas células. Apesar disso, os estudos mostraram melhora em um pequeno número das pacientes testadas.

Os retinóides, como a tretinoína, ajudam a fortalecer as camadas profundas da pele. O enfraquecimento delas seria um fator associado ao desenvolvimento da celulite. Esse fortalecimento ajudaria a manter as células de gordura mais profundamente, não permitindo que elas se insinuassem na pele, formando as depressões. Os estudos mostraram resultados ainda não conclusivos, mas parece que esses agentes têm efeito apenas nos casos de estágio inicial. Estudos futuros podem vir a mostrar algum benefício adicional, mas por enquanto eles não são recomendados no tratamento da celulite já estabelecida.

Produtos naturais, como o Cellasene, que contem Gingko biloba, algas marinhas e óleos naturais, comercializado com promessas milagrosas, não mostraram benefício no tratamento da celulite. Além disso, deve-se ressaltar que muitos dos componentes dessas fórmulas não são conhecidos e podem causar efeitos colaterais indesejados. Outro problema é o desenvolvimento de reações alérgicas em algumas mulheres.

Os alfa-hidróxiacidos, utilizados no tratamento das rugas e estrias, não mostraram benefícios no tratamento da celulite.

Os emplastros corporais são feitos com o envolvimento de partes do corpo por materiais impregnados com uma combinação de extratos de plantas, algas marinhas e lama. A pele é massageada com esses produtos e depois envolvida em linho. A ação combinada da transpiração e da compressão do corpo favorece a eliminação de líquidos em excesso, reduzindo as dimensões do corpo. Esses efeitos são temporários, e não há perda de gordura e nem redução da celulite.

Outra técnica é o chamado “gesso vitaminado”. Envolve-se a região com gesso impregnado com cafeína, elastina e extratos de acerola, abacaxi, eucalipto, mentol e outros. Associa-se a drenagem linfática e a esfoliação corporal. Não se conhece ainda a sua eficácia no tratamento da celulite.

- Massagem

Aumenta a circulação e a drenagem linfática, reduz espasmos e desfaz aderências. A remoção dos líquidos em excesso pode reduzir as dimensões corporais, mas não exerce nenhum efeito na celulite.

- Eletroterapia

São aplicados estímulos elétricos, como pequenos choques, na região afetada pela celulite. Essa terapia tem sido utilizada para redução de medidas, emagrecimento, redução da celulite e lifting facial não-cirúrgico. Existe uma variante em que os choques são aplicados em conjunto com o uso de ultra-som. Acredita-se que as células de gordura são quebradas em partículas menores, que seriam eliminadas pela urina. Porém, a maioria dos especialistas considera essas técnicas ineficazes.

- Mesoterapia

Consiste na injeção, no tecido gorduroso abaixo da pele, de substâncias que estimulam a gordura a sair das células. Uma dessas substâncias é a fosfatidilcolina. Ainda não existem provas de sua eficácia no tratamento da celulite.

- Endermologia

O princípio dessa técnica baseia-se na teoria de que a celulite resulta de comprometimento circulatório. Consiste no uso de aparelhos específicos que realizam massagem e sucção combinadas. O corpo é envolvido em uma malha protetora e, à medida que o aparelho é aplicado na região, uma dobra de pele é sugada para seu interior e massageada por dois cilindros. Acredita-se que esse processo ajude a melhorar a desorganização dos tecidos. Deve ser realizado em várias sessões que duram de 10 a 45 minutos. Apesar de seu alto custo, ainda não existem provas de que seja eficaz na redução da celulite.

- Subcisão

A subcisão é um método invasivo que pode ser utilizado no tratamento da celulite. Seu objetivo é a correção da arquitetura do tecido gorduroso que fica abaixo da pele, com a ruptura dos septos do tecido de sustentação. Após anestesia local, uma agulha é inserida abaixo da celulite, com movimentos de vai-e-vem. Os efeitos colaterais são leves e, em um estudo realizado com quase trezentas mulheres, mais de 78% delas mostraram-se satisfeitas com os resultados.

- Diatermia

Consiste na aplicação de raios infravermelhos na região afetada pela celulite. O calor emitido estimularia as células a eliminar o excesso de líquido e gordura. Não existe comprovação de sua eficácia na redução da celulite.

- Liposucção

A liposucção ainda não é recomendada para o tratamento da celulite, pela possibilidade de resultados estéticos indesejáveis. Parece que as técnicas de lipoescultura com ultra-som são mais promissoras para o tratamento da celulite, por serem mais seguras e com menor potencial de lesão. A lipoaspiração tradicional não é utilizada na camada de gordura abaixo da pele, devido aos efeitos secundários que causa.

- Laserterapia: o futuro

A próxima fronteira no tratamento da celulite é a laserterapia. As técnicas ainda estão sendo aperfeiçoadas e testadas e, quem sabe em um futuro próximo, estarão disponíveis para uso clínico.

Copyright © 2006 Bibliomed, Inc. 06 de março de 2006.



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