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Artigos de saúde

Endometriose

Dr. Jose Antonio Bonet Miro

Muitas mulheres que sofrem cólicas menstruais, dor na barriga, alterações menstruais e de infertilidade, provavelmente podem ter como causa a endometriose e se esta não for diagnosticada, fato bastante freqüente, pode chegar a criar problemas mais sérios e com tratamentos mais difíceis podendo chegar a causar a esterilidade ou a formação de Endometriomas (cistos de com o conteúdo de aspecto achocolatado), os quais vão necessitar, em muitas ocasiões, de tratamento cirúrgico.

A endometriose não é mais que a presença de tecido idêntico ao endométrio fora da cavidade uterina, o endométrio que contém glândulas e estroma, sendo portanto funcional e logicamente por ser funcional, mês a mês vai produzir secreção sanguínea em lugares que não estão preparados para tal, o que acarreta dor, irritação e a provável formação de aderências que dependendo do lugar de implantação, irá causar diversos sintomas com prováveis conseqüências podendo afetar órgãos como o reto, a bexiga, alças intestinais e, o que preocupa muito as mulheres em idade reprodutiva que ainda não tiveram filhos, uma provável complicação das Trompas de Falópio, o que iria repercutir com problemas de fertilidade.

Existem várias teorias a respeito da origem desta doença. Indo direto ao tema, não se conhece até o momento sua verdadeira origem.

Calcula-se atualmente que cerca de 50% das pacientes adolescentes que são acometidas por dismenorréia intensa possuem como origem deste sintoma a endometriose e cerca de 70% das pacientes estéreis vão apresentar endometriose se nelas for realizada uma Laparoscopia. Na população geral somente cerca de 2.5% das mulheres apresentam esta doença, embora o diagnóstico possa deixar de ser feito em muitas pacientes, ficando este número subestimado uma vez que para a confirmação do diagnóstico são necessários exames invasivos como a laparoscopia e a laparotomia.

Esta doença aparece comumente entre os 30 e 40 anos, principalmente em mulheres asiáticas e de alto nível sócio-econômico. Apresenta também como fatores que aumentam o risco: intervenções cirúrgicas no útero, abortamentos de repetição, histerossalpingografias e partos por via cesárea.

Tem sido relacionada com doenças que são acompanhadas de aumento dos estrógenos como nas pacientes anovulatórias, e nas que apresentam transtornos menstruais excessivos. Logo os anticoncepcionais orais e principalmente os de baixa dosagem hormonal diminuem o risco - uma vez que estes medicamentos apresentam concentrações muito baixas de estrógenos, inclusive mais baixas que os níveis da própria paciente - de desenvolvimento desta doença de forma bastante acentuada e hoje em dia este efeito dos anticoncepcionais orais é um dos importantes benefícios destes medicamentos, pois diminuem a quantidade de sangramento, diminuindo desta forma também a dor pélvica menstrual ou pré-menstrual e ao ter estas mínimas doses de estrógeno o risco de surgir a endometriose diminui significativamente.

O diagnóstico desta doença deve ser feito em uma consulta ginecológica e, o médico após o exame físico juntamente com a história clínica pode suspeitar da presença de endometriose e solicitar a realização de exames laboratoriais como a dosagem de Ca 125 ou a realização de um exame ultrassonográfico transvaginal, o qual indicará a presença de endometriose se existirem cistos (endometriomas). Indo direto ao assunto, o exame que confirma a presença de endometriose é a Laparoscopia que permite visualizar diretamente as lesões típicas e a extensão que ela tem.

Uma vez diagnosticada a doença, deve iniciar-se o tratamento que inicialmente é feito com medicamentos que tratam o sintoma principal com antiinflamatórios não esteróides como o Ibuprofeno, Diclofenaco, etc. Podem também ser usados medicamentos que simulem uma gestação (pseudogestação), como os anticoncepcionais orais e outros de aparição mais recente mas que apresentam como inconveniente seu custo que é muito mais elevado como o Danazol, a Gestrinona e análogos sintéticos do GnRh. O único inconveniente destes medicamentos é que uma vez suspenso seu uso, pode ocorrer uma reaparição de todos os sintomas e o novo crescimento das lesões, o que indica a necessidade de tratamento cirúrgico que, dependendo da idade da paciente, pode ser conservador ou radical.

Logo, com consultas médicas regulares, com o uso de medicamentos que diminuem os riscos e sobre tudo com um adequado acompanhamento, pode-se chegar não a evitar estas doenças mas sim a diminuir suas graves conseqüências.

Copyright CELSAM (Centro Latinoamericano Salud y Mujer)



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