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Ministério da Saúde Discute AIDS com Empresários em SP

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A Coordenação Nacional de Aids e o Conselho Empresarial Nacional em HIV/Aids (CEN), promoveram em São Paulo, neste último 21 de agosto, no Memorial da América Latina, um seminário para estimular a implantação de programas permanentes de prevenção e assistência nos locais de trabalho. O Conselho Empresarial Nacional, composto por 24 empresas brasileiras, foi criado em 1998 e têm mantido programas de prevenção à Aids dentro do ambiente de trabalho e nos locais onde estão instaladas.

Entre as empresas que compõe o Conselho, consta a  Varig, a Vilares e o Banco Bradesco. Associações de classe como o Sesi, o Sesc e o Senac, e multinacionais como a Gessy Lever e a Nestlé também aderiram à proposta, e são hoje parceiros do Ministério da Saúde na luta contra a epidemia. Representantes destas empresas discorreram nesta oportunidade sobre o resultado de seus programas, e o Coordenador Nacional de Aids do Ministério da Saúde, Paulo Roberto Teixeira, falou sobre o perfil atual da epidemia. Na entrevista abaixo, exclusiva para o BoaSaúde, o Dr. Paulo Roberto Teixeira, Coordenador do Programa de DST/AIDS do Ministério da Saúde, fala sobre o projeto que incentiva as empresas a agirem na questão da AIDS.

BoaSaúde: Dr. Paulo, como é que o senhor vê a participação do empresário brasileiro no combate a AIDS?

Dr. Paulo
: O Brasil tem sido um país bastante privilegiado em relação à epidemia AIDS. O envolvimento das empresas passou a ocorrer logo após os primeiros anos da epidemia e ele tem sido constante, amplo e bastante eficiente. Do ponto de vista mais formal, 1988 foi um marco, porque tanto no âmbito federal como estadual, se iniciaram processos de trabalhos direto com as empresas, de capacitação, elaboração de diretrizes, etc. E a criação do Conselho Nacional Empresarial, marca o amadurecimento de todo esse processo. De uma forma geral, nas grandes empresas, a resposta foi precoce, bastante adequada e o apoio à pessoa afetada, tem sido consistente, com as diretrizes dos direitos humanos, assim por diante. Eu diria que há muito trabalho por fazer, particularmente, quando nós falamos de pequenas empresas, cuja estrutura dificulta a mobilização de recursos para esse tipo de atividade. Com essas empresas, com o auxílio de sindicatos, tanto patronais como de trabalhadores, e outras entidades de classe, como Sesi e assim por diante, nós temos muito que trabalhar para que possam também incorporar ações de prevenção do HIV/AIDS.

BoaSaúde: O senhor não acha que apenas vinte e quatro empresas participantes desse conselho, em um universo tão grande como o Brasil, não demonstra um pouco de falta de motivação maior no assunto?

Dr. Paulo
: Eu não diria, pois nós estamos falando de etapas. A idéia era ter um conselho. Evidentemente que temos um número limitado de participantes. A idéia era ter participações exemplares. O convite do ministro à essas empresas, para compor o Conselho Internacional, se baseou essencialmente na experiência e na qualidade do serviço que elas já vinham desenvolvendo em relação ao HIV/AIDS. Ou seja, a idéia foi reunir instituições que tem atuação exemplar no campo. E a esse conselho cabe a responsabilidade de mobilizar os grandes setores. O conselho não será ampliado, mas alguma outra estância, algum fórum, alguma coisa será criada, porque não existem muitas empresas se mobilizando e nesse plano o conselho terá o papel exatamente de propor algum fórum, alguma estância de organização.

BoaSaúde: De qualquer forma esse contingente limita um pouco no universo do Brasil a atuação da comunicação, da expansão da comunicação?

Dr. Paulo
: Indiscutivelmente, então é necessário enfatizar que o Conselho tem um papel muito mais catalizador, de organização e articulação. Mas a idéia, como disse o Dr. Faquina, é mobilizar pelo menos as quinhentas maiores empresas em alguma instância, fórum, em algum tipo de mobilização mais sistemática. Só falando de números por exemplo, somente em parcerias com empresas, com o Sesi e outras instituições, o Ministério da Saúde, desde 1988, já envolveu mais de sete mil e quinhentas empresas nas atividades de capacitação e de formação de pessoal interno. Só no Estado de São Paulo, nós tivemos mais de três mil empresas envolvidas nesse mesmo período no processo de capacitação. Então o contingente é muito maior, o conselho está articulando, mobilizando e tentando estabelecer formas de coordenação dessa atividade.

BoaSaúde: Em relação as pequenas empresas, o Governo estuda alguma parceria, com Simpi aqui em São Paulo, ou com Sebrae, para estar atingindo esse público?

Dr. Paulo
: Na verdade nós já temos vários projetos com entidades que envolvem pequenas empresas com o Sebrae, temos vários projetos em andamento com os sindicatos e com as confederações de trabalhadores, e também com entidades patronais, como é o caso do Sesi. O Sesi é um exemplo extremamente importante do trabalho, pois há doze anos vem trabalhando na capacitação de empresas com grande atenção exatamente para as médias e pequenas empresas, e promovendo pesquisas, investigações para caracterizar esse setor da população no sentido de escolher estratégias de prevenção. Em resumo, eu diria o seguinte: nossos esforços devem estar, nesse momento, voltados para as pequenas empresas, essas instituições serão procuradas para estabelecer uma parceria. O conselho já esta se encarregado de uma grande parte da mobilização, particularmente dirigida às médias e grandes empresas.

BoaSaúde: Como é o trabalho desse conselho dessas empresas, junto à sua população e aos seus funcionários? Qual é a função das empresas no combate a AIDS, na visão do governo?

Dr. Paulo
: A experiência de praticamente todas as empresas que compõem o conselho é bastante ampla, para nós do governo. Já é um grande avanço quando uma empresa, não importa a sua dimensão, adota uma política em relação a AIDS, quando ela torna claro para si mesma que os direitos do trabalhador serão respeitados, que atividades de prevenção serão promovidas, que o apoio às pessoas afetadas será garantido, e assim por diante. Esse é o primeiro grande passo. A partir daí, dependendo das posses da empresa, ela pode chegar a ter um programa completo com todas as etapas, política, prevenção, tratamento das pessoas afetadas. E até, como muitas dessas empresas que pertencem ao conselho, manter ações junto à comunidade em que elas estão inseridas, e realizar trabalhos com os familiares dos trabalhadores. A grande expectativa do Governo é de que nós tenhamos em nossas empresas pelo menos uma política que seja coerente, com as normas e diretrizes que tem sido recomendadas, particularmente na preservação dos direitos dos trabalhadores. E que elas tenham algum tipo de iniciativa de acordo com as suas possibilidades, que poderão, em associação com o próprio governo e organizações não-governamentais, atingir as outras áreas, de prevenção, de assistência, mobilização de familiares, etc. As grandes empresas que compõem o conselho tem programas completos, que vão de uma política até ação na comunidade, por isso mesmo elas são exemplos.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             29 de Setembro de 2000


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