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Artigos de saúde

O Medicamento Xenical® (orlistat) Associado à Hipertensão Arterial

A obesidade central exerce grande impacto em três importantes indicadores de predisposição para doença cardíaca, sobretudo, acometimento das artérias coronárias (vasos sangüíneos que irrigam o coração). Tais indicadores são: hiperlipidemia (aumento dos níveis de colesterol sangüíneos); resistência à insulina, com conseqüente elevação da glicose circulante no sangue; e finalmente, hipertensão arterial (aumento dos níveis de pressão arterial).

O orlistat é um agente antiobesidade inovador que atua no trato gastrointestinal reduzindo a absorção da gordura proveniente dos alimentos, a qual é a principal causa da obesidade. Ele se liga a um tipo de proteína, denominada lípase (um tipo de enzima), impedindo a absorção de até 30% dos lipídios (gorduras) ingeridos. Este medicamento, entretanto, tem como alvo exclusivamente a gordura proveniente dos alimentos.

O mecanismo de ação do Orlistat não interfere nas funções do sistema nervoso central, como outros medicamentos utilizados em indivíduos com problema de obesidade, que agem inibindo o apetite, através de um bloqueio de substâncias do sistema nervoso central (cérebro).

Quando comparado à dieta balanceada, o uso do Orlistat no tratamento de indivíduos com excesso de peso apresenta efeitos significativos no controle de algumas condições associadas à obesidade, como níveis pressóricos elevados (pressão alta), níveis de colesterol também elevados e diabetes (doença causada devido à resistência do organismo do indivíduo obeso à insulina, com conseqüente elevação da glicemia- taxa de glicose no sangue).

O medicamento Xenical® , produzido pela indústria farmacêutica Roche, cujo princípio ativo é o orlistat, utilizado para a perda de peso, foi aprovado para o uso dos pacientes obesos em julho do ano de 1998. Nesta ocasião em que o FDA aprovou o Xenical® , mais de um milhão de pacientes já haviam sido tratados com este medicamento.

A empresa Roche, com sede na Suécia, é líder mundial no investimento em saúde, sendo sua principal área de atuação a área farmacológica (produção de medicamentos). Em setembro de 1999, aproximadamente treze milhões de doses diárias (dose estimada em 360 mg diariamente) haviam sido comercializadas.

Os efeitos colaterais do orlistat mais prevalentes são a esteatorréia (presença de gordura nas fezes) e outros sintomas intestinais, como flatulência, de acordo com relatos de pacientes. Além destes efeitos adversos do orlistat, foram relatados efeitos sistêmicos.

O medicamento Xenical® é indicado por médicos em aproximadamente um terço dos casos de pacientes com obesidade. Sendo utilizado em pacientes obesos com o intuito de perda de peso, também, para a manutenção da perda de peso, quando associado seu uso a uma dieta balanceada e hipocalórica (alimentação com menor ingesta de calorias).

Resultados de estudos clínicos demonstraram o efeito de orlistat na perda de peso e no perfil lipídico (níveis de colesterol e triglicérides) dos indivíduos.

Avaliação do orlistat

Em um estudo realizado no ano de 1998, pelo Dr. Zavoral, do Preventive Cardiology Institute, do Hospital Fairview Southdale, Minnesota, Estados Unidos, publicado pela revista Journal Hypertension, em dezembro do referido ano, foi verificada a diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares nos pacientes em que foi administrado o orlistat. Dentre os efeitos sobre o sistema cardiovascular, há a diminuição dos níveis de lipídeos no sangue, colesterol, triglicérides; também, a diminuição da pressão arterial.

Segundo um estudo publicado na revista Acta Medical Austríaca, no ano de 1998, realizado pelo Dr. Toplak, foi confirmada novamente a ação do orlistat na redução do peso em indivíduos obesos, através da inibição das lípases (enzimas que promovem a degradação de lipídeos) intestinais. O orlistat foi um medicamento registrado na Austrália em setembro de 1998.

Uma revisão feita por estudiosos americanos, no ano de 1999, deduziu que o orlistat tem um efeito pronunciado na diminuição dos níveis de colesterol sangüíneos, independentemente de sua ação na perda de peso. Além disso, os pesquisadores deste estudo concluíram que esta substância química proporciona efeitos favoráveis na redução dos níveis pressóricos, dos níveis de glicose e insulina em pacientes obesos, principalmente, em pacientes portadores de diabetes mellitus tipo II.

Outro estudo, publicado em abril de 1999, realizado pela empresa Roche, indústria que produz medicamentos, inclusive o medicamento antiobesidade Xenical®, anunciou a aprovação deste pelo FDA (US Food and Drug Administration – órgão responsável pela investigação e aprovação ou não de medicamentos e gêneros alimentícios).

A revista Intensive Crit Care Nurse, em outubro de 1999, publicou um trabalho em que os estudiosos concluíram que o Orlistat concorre para o tratamento de indivíduos obesos, através da perda de peso, sem a dificuldade, a tarefa árdua em se submeter a uma dieta alimentar para tal finalidade.

Um estudo realizado pelo Professor Lars Sjöstrom, do Hospital Sahlgren, Suíça, publicado na revista Lancet, confirmou o efeito sobre os riscos cardiovasculares, concluindo que o medicamento Xenical® (princípio ativo Orlistat), além de promover uma significativa perda de peso, causa uma diminuição pronunciada dos fatores de risco de doenças cardiovasculares (doenças dos vasos sangüíneos do coração), pelo seu efeito adicional em reduzir os níveis de colesterol do tipo LDL (low density lipid ou colesterol de baixa densidade).

O estudo

Um estudo realizado por pesquisadores do Regional Center for Pharmacovigilance, do Hospital Universitário Karolinska, de Estocolmo, Suécia, verificou um caso de hipertensão causada em uma paciente obesa que fez uso do orlistat.

Neste trabalho, os pesquisadores estudaram um caso de hipertensão (pressão alta) associado ao uso da droga orlistat, de uma paciente sueca.

No início do ano de 1999, uma paciente do sexo feminino, saudável anteriormente, de quarenta anos de idade, iniciou o uso do orlistat para o tratamento da obesidade. Esta senhora submeteu-se a doses esporadicamente ingeridas, durante alguns meses, aumentando a dosagem do orlistat três vezes neste período, especificamente, durante uma semana.

Nesta ocasião em que aumentou a quantidade do medicamento, a paciente sofreu tonteiras, cefaléia (dor de cabeça) pulsátil, além de edema nos membros inferiores (inchaço das pernas), o que a levou a parar de usar o orlistat. Os níveis pressóricos (pressão arterial - PA) da paciente foram medidos, constatando sua elevação (PA: 190´ 100 mmHg) em três ocasiões diferentes. A sua freqüência cardíaca estava normal.

A paciente foi orientada a cessar o uso da droga. Posteriormente, sua pressão arterial foi aferida, apresentando um decréscimo (PA: 160´ 90 mmHg), e as suas pernas não apresentavam mais edema. Foram realizados exames laboratoriais, incluindo dosagens hormonais (hormônios da glândula tireóide), que se apresentaram dentro dos valores da normalidade.

A paciente foi orientada a iniciar um medicamento de ação diurética (furosemida) diariamente. Este medicamento foi usado para diminuir a pressão arterial. Após dois meses, foi reiniciado o uso do orlistat pela paciente. O orlistat causou novamente efeitos indesejáveis na paciente, como cefaléia, edema de membros inferiores e elevação da pressão arterial.

Novamente, o uso deste medicamento foi suspenso. Os sintomas desapareceram e a sua pressão arterial retornou aos valores normais. A paciente ainda sofreu tonteiras durante um mês. A sua pressão arterial manteve-se normal durante três meses.

Os pesquisadores verificaram que o orlistat pode ser causador de hipertensão arterial, através deste caso. Concluíram que o possível efeito hipertensivo deste medicamento, pode ser explicado por um mecanismo de carga e recarga positivas. Entretanto, este mecanismo não está esclarecido. Uma das explicações provavelmente viáveis para o aumento da pressão arterial em pacientes usuários do orlistat para o tratamento da obesidade, é a retenção hídrica (retenção de líquidos pelo organismo, o que sobrecarrega a função cardíaca, levando ao aumento da pressão).

Segundo os estudiosos, foram registrados pela industria Roche, fabricante do Xenical® , um total de treze casos semelhantes ao relatado neste trabalho, em que os pacientes que fizeram uso do medicamento apresentaram aumento dos níveis pressóricos.

Embora alguns pacientes possuíssem história de hipertensão, outros, como o caso da paciente deste estudo, não tinham história pregressa de hipertensão. Os pesquisadores informaram a agência sueca que controla os medicamentos, para verificarem estes casos de efeitos colaterais sobre a pressão arterial.

Fonte: British Medical Journal (BMJ) 2000; 321:87

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