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Artigos de saúde

Quando Associadas a Estatinas, Substâncias Vegetais na Dieta Reduzem o Colesterol

O colesterol é um lipídio (tipo de gordura que compõe o organismo) fundamental para os processos normais de fisiologia celular (funções da célula). É transportado no sangue por três classes de lipoproteínas (proteínas carreadoras de gorduras), denominadas HDL (high-density lipoprotein ou lipoproteínas de alta densidade), LDL (low density lipoprotein ou lipoproteínas de baixa densidade) e VLDL (very low density lipoprotein ou lipoproteínas de muito baixa densidade).

Apesar de seu estado em geral assintomático, a hipercolesterolemia (níveis elevados de colesterol no sangue), mais especificamente o nível elevado de colesterol LDL, contribui para o desencadeamento de doenças cardíacas, principalmente, a doença coronariana (acometimento das artérias coronárias que irrigam o músculo cardíaco). O colesterol é um dos componentes principais das placas arteriais cujo crescimento e eventual ruptura fazem parte integral da fisiopatologia (curso natural) da doença. Vários estudos estabelecem que o risco de doença coronariana aumenta de forma progressiva com o aumento do colesterol plasmático.

No tratamento da hipercolesterolemia podem ser utilizadas duas estratégias preventivas, que são a populacional, através de conscientização e educação da população, e a clínica, que consiste basicamente na detecção e no tratamento da hipercolesterolemia.
Apesar do imenso esforço nos últimos tempos para definir o manejo apropriado da hipercolesterolemia, seu papel na prevenção da doença cardíaca coronariana ainda está em fase de definição. As intervenções dietéticas (controle através da dieta balanceada) oferecem benefícios muito modestos, e as farmacológicas (através de tratamento medicamentoso com drogas que combatem a hipercolesterolemia), mostram benefícios maiores que os riscos, apenas naqueles indivíduos portadores de doenças das coronárias.

A estatina (droga utilizada para o tratamento de hipercolesterolemia) é uma substância que inibe diretamente a biossíntese de colesterol e, como resultado, não só inibe a produção de novas lipoproteínas, mas também, aparentemente depletando ainda mais as reservas específicas de esteróides hepáticos, leva à expressão máxima da atividade de receptor hepático de LDL.

Um estudo publicado em julho de 2000 pelo American Journal of Cardiology (Am J Cardiol) concluiu que o uso de pastas contendo ésteres vegetais de estanol na alimentação favorece a diminuição do colesterol, se comparada ao uso isolado da estatina. O mecanismo de ação deste composto é complementar ao mecanismo das estatinas. Tem sido demonstrada a ação deste tipo de pasta como coadjuvante no tratamento da hipercolesterolemia através do bloqueio da absorção de colesterol.

De acordo com um dos especialistas que participaram da elaboração do estudo, o Dr. Steven Blair, do Cooper Institute, Dallas, Texas, a pasta contendo ésteres vegetais de estanol é eficaz na diminuição do colesterol. Teoricamente, então, as duas estratégias de tratamento da hipercolesterolemia (uso de estatinas e uso da pasta contendo ésteres vegetais de estanol) deveriam ser usadas como métodos de terapêutica complementares.

A pasta contendo ésteres vegetais de estanol pode ser usada associada à terapia com estatinas, ou entre os pacientes com níveis de colesterol ligeiramente elevados, que desejam evitar o uso de medicamentos. Pode ser utilizada também, junto com a modificação dos hábitos de vida e da dieta.

O estudo

Neste estudo, uma experimentação multicêntrica (tipo de estudo) foi realizada por cientistas, para verificar se existe esta associação de tratamentos da hipercolesterolemia e a sua validez.

Os investigadores avaliaram 167 pacientes, sendo homens e mulheres, que haviam sido submetidos a um tratamento, pelo menos, por um período de três meses, com vários tipos de estatinas. No entanto, estes pacientes avaliados não apresentaram resposta eficaz ao tratamento com estatina, possuindo, após o período de noventa dias, níveis de colesterol considerados ainda elevados. Os valores encontrados, em média, foram: colesterol LDL: 130 mg/dl e triglicérides: 350 mg/dl. Estes pacientes envolvidos no trabalho foram selecionados em dois grupos; um grupo a receber, por um período de oito semanas, continuamente, em uma dosagem de três vezes ao dia, pasta contendo ésteres vegetais de estanol, contendo 5,1g (dose diária); e outro grupo, a receber um placebo, o óleo de canola (um tipo de óleo comestível) que não continha éster de estanol, durante o mesmo período do outro grupo.

Os níveis de colesterol foram analisados, e apresentaram diferenças estatisticamente significativas em duas, quatro e oito semanas. Os pesquisadores verificaram uma redução significativa dos níveis de colesterol total e do colesterol LDL entre os pacientes que foram tratados com a pasta contendo ésteres vegetais de estanol, quando comparados aos pacientes que receberam o óleo de canola (usado neste estudo como placebo).

Não foram encontrados efeitos colaterais entre os dois grupos de pacientes, enquanto submetidos ao tratamento. Após um período de seis semanas do término do tratamento, os níveis de colesterol apresentaram-se elevados entre os pacientes de ambos os grupos, embora no grupo que recebeu a pasta contendo ésteres vegetais de estanol, os níveis de colesterol total e colesterol LDL permaneceram significativamente abaixo dos valores de base.

Resultados

Segundo o Dr. Blair, os resultados confirmam que a ingestão de pasta contendo ésteres vegetais de estanol favorece a diminuição do colesterol se comparada à estatina usada isoladamente. Esta pasta mostrou-se eficaz na diminuição do colesterol em pacientes que já faziam uso de estatinas, apesar de manterem ainda um nível de LDL acima do esperado normalmente. A diminuição dos níveis de colesterol com a adição desta pasta contendo ésteres vegetais de estanol mostrou-se mais evidente do que o esperado através da duplicação da dosagem de estatina, acrescentou o Dr. Blair.

Nos resultados, verificou-se que a adição de um composto (um tipo de pasta extraída de uma planta) contendo ésteres vegetais de estanol proporcionou a diminuição dos níveis de colesterol nos pacientes em que o colesterol não foi suficientemente controlado através do tratamento feito com o uso de estatinas.

Os cientistas suspeitam que o produto seja encontrado em forma de algum alimento, como o iogurte ou o creme de queijo, tornando-se mais fácil para a incorporação à dieta das pessoas do que na forma de óleo.

A pasta contendo ésteres vegetais de estanol está sendo produzida na forma de um tipo de óleo comestível de canola, por uma indústria americana, a McNeil Consumer Healthcare (Benecol™), e está disponível comercialmente nos Estados Unidos.

Fonte: Am J Cardiol 2000; 86: 46-52

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