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Hemangiomas: Um Roteiro Para o Tratamento

Os hemangiomas são alterações vasculares na pele, principalmente do rosto e pescoço, mas que podem estar em qualquer parte do corpo, desde o nascimento ou que, muitas vezes, só aparecem alguns dias após.

No início, são apenas pequenas lesões avermelhadas, que com o passar do tempo podem se tornar maiores e adquirir aspecto elevado e de coloração vermelha-escura. Em alguns casos, desaparecem com o tempo, mas em outros podem ser definitivas e provocar grandes deformidades.

Várias formas de tratamento foram propostas para o hemangioma, mas, infelizmente, a falta de uma classificação e de um melhor conhecimento da doença, quase sempre resultava em tratamentos inadequados, que desfiguravam mais do que a lesão primária.

Há muito se acreditava que todos os hemangiomas sofriam uma regressão, por volta dos cinco anos e, por isso, a grande maioria dos médicos adotava uma conduta conservadora, esperando que as lesões curassem sozinhas. Mas estudos recentes mostraram que a cura completa só acontecia em apenas metade dos pacientes.

E, dos que não regrediam, cerca de dois terços permaneciam com lesões promotoras de grandes defeitos estéticos.

A opinião a respeito do melhor tratamento está sempre mudando em conseqüência de um maior entendimento da doença, do avanço da tecnologia a laser e das técnicas cirúrgicas, do uso apropriado de corticóide sistêmico em crianças, da avançada técnica de anestesia infantil e do claro conhecimento do trauma psicológico sofrido pelas crianças.

Mas, apesar deste progresso, muitos médicos consideram a intervenção, em pacientes que não tenham um defeito funcional, controversa e contra-indicada.

O estudo

Tentando por fim às controvérsias, pesquisadores dos Estados Unidos (do Albany Medical Center Vascular Malformation Clinic), liderados pelo Dr. Edwin F. Williams III, conduziram um estudo baseado no conhecimento da história da doença, na literatura e na experiência dos mesmos neste centro.

O trabalho teve como objetivo elaborar e provar a eficácia de um roteiro, que pudesse facilitar e promover um melhor acompanhamento dos portadores de hemangioma.

Os resultados desse estudo e o roteiro produzido foram publicados na revista Arch Facial Plast Surg. de maio de 2000. Os pesquisadores acompanharam todos os pacientes atendidos na clínica, de 1/10/95 a 31/12/97.

Obteve-se uma história completa sobre a doença e foi feito um exame físico minucioso,complementado por fotografias das lesões. Os hemangiomas foram classificados em fase proliferativa e fase involutiva.

A primeira fase começa com o nascimento e continua até a lesão parar de crescer, durando dos 9 aos 12 meses de idade, podendo, às vezes, chegar aos 15 meses. A fase de involução sucede à fase proliferativa e continua por muitos anos.

Além disto, os hemangiomas também foram classificados de acordo com a sua localização e quanto ao acometimento funcional (visual, das vias aéreas ou ulceração). Seguindo o roteiro proposto, foram feitas recomendações de tratamento, e os pacientes foram acompanhados mensalmente, durante a fase proliferativa e, anualmente, durante a fase de involução.

Roteiro para tratamento durante a fase proliferativa,

Durante essa fase, os procedimentos propostos foram a observação, a injeção intra-lesional de corticóide, a terapia sistêmica com corticóide, o tratamento com laser e a cirurgia.

O laser foi usado em todos os pacientes com lesões superficiais, de dois a dez mm de tamanho, durante a fase de crescimento rápido e também em todos os hemangiomas ulcerados.

A cirurgia foi indicada para lesões que provocavam perda funcional, para pacientes que não podiam ser tratados por impedimento médico ou que não respondiam ao tratamento sistêmico com corticóides. A aplicação de corticóide intra-lesional foi usada em hemangiomas no tecido subcutâneo (profundos), localizados no rosto.

Este tratamento foi também recomendado para todos os pacientes portadores de lesões que, potencialmente, poderiam causar uma perda funcional.

A terapia de aplicação intra-lesional era indicada também para pacientes que haviam feito tratamento com corticóide sistêmico e estavam apresentando um novo crescimento no fim da faze de proliferação.

Tinham recomendação para terapia sistêmica com corticóides as lesões que estavam na fase rápida de proliferação, as com localização profunda, aquelas que potencialmente poderiam causar uma grande desfiguração e as lesões que não responderam à aplicação intra-lesional.

Os hemangiomas que não se localizavam na face, ou muito pequenos e que não provocavam alterações estéticas eram apenas observados.

Roteiro de tratamento durante a fase de involução

Nenhuma tentativa de tratamento foi feita na fase de involução recente (menos de dois anos de idade ou fase caracterizada por grande involução durante dois a três meses de observação), pois nesta não é possível saber, o que é resposta ao tratamento e o que é a evolução natural do hemamgioma.

A fase de involução tardia geralmente ocorre após os dois anos de idade e se caracteriza pela ausência de mudanças significativas em dois ou três meses de observação.

Nesta fase, para os pacientes que não mais apresentavam redução no tamanho das lesões, foi oferecida a terapia a laser e/ou cirurgia, pois, estatisticamente, essas crianças entrariam na escola ainda com uma lesão significativa.

A cirurgia consistia na retirada da lesão propriamente dita e o laser usado para tratar as alterações da pele decorrentes da involução. As terapias com corticóide não foram usadas, pois os hemangiomas nessa fase não respondem a este medicamento.

Quando o tratamento chegava ao fim, ou quando nada mais poderia ser feito em adição ao mesmo, os pacientes eram novamente fotografados e liberados da clínica.

Resultados

Os pacientes submetidos à injeção intra-lesional e à terapia sistêmica com corticóides mostraram uma boa resposta, interrompendo a fase de proliferação.

Efeitos colaterais foram observados em todos esses pacientes, mas nenhum definitivo. Os que receberam terapia a laser tiveram respostas diferentes, de acordo com as características individuais.

Os pacientes tratados no início da fase de proliferação rápida, tiveram remissão completa da lesão, sem complicações significativas. Houve apenas inflamação temporária, com escurecimento da pele afetada, em um pequeno número de pacientes. Todos os pacientes submetidos à terapia cirúrgica obtiveram sucesso, sem quaisquer complicações.

Ao fim do trabalho, os autores concluíram que um diagnóstico preciso e uma avaliação precoce são extremamente importantes para uma boa condução dos casos de hemangioma, acreditando que o roteiro proposto atende a esses fins.

Fonte: Arch Facial Plast Surg 2000;2:103-111.

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