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Os Médicos Fazem Previsões Incorretas a Respeito da Sobrevida dos Pacientes

Os médicos podem estar sendo otimistas demais quando lidam com pacientes com doenças terminais, e suas previsões encorajadoras sobre a vida de um doente podem afetar os cuidados terminais dispensados a estes pacientes, segundo um novo estudo publicado na edição de 19 de fevereiro da revista British Medical Journal.

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Chicago, liderados pelo Dr. Nicholas Cristakis, estudaram 468 pacientes terminais e 343 médicos por 130 dias consecutivos em 1996. Os pesquisadores conduziram o estudo para observar se os médicos foram precisos na previsão dos tempos de sobrevida.

Eles encontraram que os médicos freqüentemente foram otimistas demais em suas previsões. Somente 20% dos médicos foram precisos na previsão do tempo de sobrevida; 63 por cento foram otimistas demais em suas previsões.

Os pesquisadores também encontraram que pacientes masculinos terminais foram 58 por cento menos propensos a receber uma previsão excessivamente pessimista do que as pacientes femininas. Os pacientes que estavam morrendo de câncer foram os mais propensos a receber prognósticos excessivamente otimistas de seus médicos – 67 por cento.

Os pesquisadores também encontraram que quanto melhor o médico conhece o seu paciente, mais provável é que ele erre em seu prognóstico a respeito da sobrevida. O Dr. Cristakis diz que isto pode ser devido ao fato de que "os médicos não querem acreditar que o paciente que eles conhecem tão bem esteja indo tão mal."

A grande importância deste fato é que os pacientes têm menos chance de preparar para si a morte que desejam, seja ela em casa, ao lado da família, em outra instituição, ou outros.

O preparo destas situações necessita de tempo e de alguma antecedência, e este tempo é reduzido quando o médico declara um tempo de sobrevida mais longo do que o que o paciente realmente deve esperar.

"Eles [os médicos] não podem, ou não querem, fazer previsões sobre o futuro do paciente, e como resultado disto muitos pacientes morrem da forma que não querem em situações que detestam," disse o Dr. Cristakis. As conseqüências humanitárias disto são óbvias, tanto para o paciente que está morrendo quanto para sua família.

Fonte: BMJ 2000;320:469-473 ( 19 February )

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