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04 de novembro de 2026 (Bibliomed). Pesquisadores da Universidade de Tongji, na China, estudaram como o metabolismo de lipídios participa dos primeiros eventos da implantação do embrião humano. O foco principal foi o metabolismo do ácido araquidônico (ARA).
Os pesquisadores desenvolveram um modelo experimental in vitro para reproduzir a interação entre embrião e endométrio durante a janela de implantação. Para isso, eles utilizaram blastoides humanos — estruturas semelhantes a blastocistos — em cocultura com assembloides endometriais 3D, que reproduzem características do tecido endometrial.
Os pesquisadores avaliaram as alterações metabólicas durante a implantação por meio de análises metabolômicas, identificando quais lipídios e metabólitos estavam presentes e como mudavam ao longo do processo e utilizaram análises transcriptômicas e sequenciamento de RNA de célula única (scRNA-seq) para determinar quais tipos celulares produziam ou respondiam aos sinais metabólicos.
Foram realizados experimentos funcionais, adicionando ácido araquidônico ao sistema para verificar se ele poderia modificar a implantação e o desenvolvimento dos trofoblastos. Para avaliar a relevância clínica, os pesquisadores analisaram amostras de pacientes com falha recorrente de implantação (RIF) e utilizaram aprendizado de máquina para identificar genes relacionados ao metabolismo lipídico capazes de distinguir essas pacientes.
Os resultados mostraram que o metabolismo de lipídios passa por uma remodelação no início da interação entre embrião e endométrio. Entre os lipídios mais importantes estavam os ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa, especialmente o ácido araquidônico (ARA), que pareceu ter um papel central na implantação do embrião, tornando o endométrio mais receptivo; regulando a decidualização das células endometriais; criando um ambiente inflamatório adequado à implantação; e favorecendo a diferenciação e a invasão dos trofoblastos, células que posteriormente participam da formação da placenta. O estudo mostrou, também, que as células maternas e embrionárias utilizam estratégias metabólicas diferentes.
Mulheres com falha recorrente de implantação do embrião apresentavam falhas no metabolismo do ARA, mas a adição do ácido melhorou parcialmente a função embrionária.
Segundo os autores, esses resultados indicam que o metabolismo lipídico pode ter potencial como marcador de falha de implantação. Contudo, ressaltam que ainda não significa que esses marcadores possam ser usados clinicamente, mas aponta uma possível estratégia para desenvolver futuramente biomarcadores de risco ou de receptividade endometrial.
Fonte: Science Bulletin. DOI: 10.1016/j.scib.2026.05.024.
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