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Nova técnica pretende diminuir rejeição a biomateriais

01 de outubro de 2026 (Bibliomed). Pesquisadores da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, desenvolveram uma nova forma de medir o quanto determinadas proteínas presentes em biomateriais têm potencial para provocar uma resposta do sistema imunológico. O objetivo é tornar implantes, enxertos e tecidos produzidos em laboratório mais seguros e com menor risco de rejeição pelo organismo.

Biomateriais são materiais utilizados para substituir ou reparar partes do corpo. Eles podem ser usados em diversas situações, como enxertos de pele, substituição de cartilagem, válvulas cardíacas, reconstrução de ossos e tecidos produzidos por engenharia de tecidos para transplantes. Para que funcionem bem, é importante que o organismo os reconheça como seguros.

O problema é que muitos biomateriais contêm proteínas que podem ser identificadas pelo sistema imunológico como "estranhas". Quando isso acontece, o organismo pode desencadear uma resposta de defesa que provoca inflamação, rejeição do implante, dificuldade na cicatrização e necessidade de remover ou substituir o material. Até agora, era difícil prever quais proteínas apresentavam maior risco de causar essa reação.

O estudo propôs uma nova medida chamada "Razão de Imunogenicidade" (Ratio of Immunogenicity). Essa métrica funciona como uma espécie de "nota de risco" para cada proteína. Quanto maior essa pontuação, maior a probabilidade de que ela seja reconhecida pelo sistema imunológico e provoque uma reação de defesa. Assim, antes mesmo de fabricar um biomaterial, os cientistas podem identificar quais proteínas devem ser removidas ou modificadas.

Com essa ferramenta, será possível desenvolver biomateriais mais compatíveis com o organismo. Isso pode trazer benefícios como menor risco de rejeição, menos inflamação após o implante, melhor integração do material com os tecidos do paciente e maior durabilidade dos enxertos e implantes. Em outras palavras, os pesquisadores conseguem projetar materiais "mais amigáveis" ao sistema imunológico.

Se essa abordagem for confirmada em estudos futuros, ela poderá ajudar no desenvolvimento de órgãos produzidos em laboratório, enxertos de pele para queimaduras, substitutos de cartilagem e ossos, válvulas cardíacas biológicas, materiais para medicina regenerativa e tecidos destinados a transplantes. Também poderá contribuir para reduzir a necessidade de medicamentos que diminuem a atividade do sistema imunológico após alguns procedimentos.

Fonte: Biomaterials. DOI: 10.1016/j.biomaterials.2026.124134.

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