Notícias de saúde

Dieta e exames de fezes podem ajudar a prever crises de Doença Inflamatória Intestinal

10 de agosto de 2026 (Bibliomed). Pesquisa realizada na Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, mostrou que a combinação de informações sobre dieta e exames de fezes de rotina podem ajudar a prever crises de doença inflamatória intestinal, uma condição que descreve um grupo de doenças crônicas de longo prazo que envolvem inflamação do trato gastrointestinal, compreendendo principalmente a doença de Crohn e a colite ulcerativa.

Níveis mais elevados de um marcador de inflamação intestinal em exames de fezes de rotina estão fortemente associados a um risco aumentado de crises de doença inflamatória intestinal, mesmo quando as pessoas não apresentam sintomas. Segundo os autores, esses resultados poderiam prever crises, anto baseadas em sintomas quanto clinicamente confirmadas, com até 2 anos de antecedência, destacando seu potencial valor como ferramenta de alerta precoce.

Uma crise de doença inflamatória intestinal ocorre quando os sintomas se desenvolvem devido à inflamação intestinal ativa. No entanto, as pessoas podem apresentar um aumento dos sintomas sem necessariamente ter inflamação. Assim, a doença envolve períodos imprevisíveis de remissão e crises debilitantes de sintomas.

Os pesquisadores explicam que os exames de fezes medem uma proteína conhecida como calprotectina, que indica inflamação intestinal e ajuda a diferenciar a doença de condições não inflamatórias. Os níveis dessa proteína também podem ajudar a monitorar a atividade da doença ou a eficácia do tratamento. Segundo os autores, a combinação desses exames com informações dietéticas pode ajudar a prever crises da doença meses antes do aparecimento dos sintomas.

O estudo envolveu mais de 2.600 pessoas com Doença Inflamatória Intestinal no Reino Unido entre 2016 e 2020, quando estavam em remissão. Inicialmente, os participantes preencheram questionários detalhados de frequência alimentar e forneceram dados clínicos, incluindo exames de sangue e uma amostra de fezes para dosagem de calprotectina fecal.

Os pesquisadores acompanharam o grupo por uma mediana de 4 anos, documentando tanto as exacerbações dos sintomas relatadas pelos próprios participantes quanto as exacerbações “objetivas” confirmadas por exames clínicos e intensificação do tratamento.

Os resultados revelaram que níveis basais mais elevados de calprotectina fecal, mesmo na ausência de sintomas, estavam fortemente associados a futuras exacerbações da doença. Entre os pacientes com colite ulcerativa, aqueles com níveis elevados de calprotectina apresentaram um risco objetivo de exacerbação de aproximadamente 34% em 2 anos, em comparação com cerca de 11% para aqueles com níveis baixos.

Pacientes com colite ulcerativa que relatavam maior consumo de carne apresentavam quase o dobro do risco de uma crise objetiva em comparação com aqueles que consumiam menos carne. No entanto, essa associação não foi observada em participantes com doença de Crohn.

Além disso, os pesquisadores não encontraram nenhuma ligação consistente entre o risco de crises e a ingestão de fibras, alimentos ultraprocessados, gorduras poli-insaturadas ou álcool.

Fonte: Gut. DOI: 10.1136/gutjnl-2025-337846.

Copyright © 2026 Bibliomed, Inc.

Faça o seu comentário
Comentários