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Desregulação da edição de RNA pode afetar desenvolvimento cerebral fetal na Síndrome de Down

20 de julho de 2026 (Bibliomed). Um estudo colaborativo Escola de Medicina Icahn do Mount Sinai, do Instituto Lieber para o Desenvolvimento Cerebral, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e da Universidade Médica de Sófia, na Bulgária identificou, pela primeira vez, um processo biológico que pode ajudar a explicar como o cérebro se desenvolve de forma diferente em pessoas com síndrome de Down.

A síndrome de Down, também conhecida como trissomia do cromossomo 21, ocorre quando um indivíduo possui uma cópia extra do cromossomo 21, onde se localiza o gene ADARB1. Embora se saiba há muito tempo que o cromossomo extra influencia o desenvolvimento, ainda não está claro como ele altera a formação inicial do cérebro.

Os pesquisadores analisaram tecido cerebral coletado entre 13 e 22 semanas após a concepção, um período importante para o desenvolvimento inicial do cérebro. Essas amostras incluíam tecidos de 20 indivíduos com trissomia do cromossomo 21 e 27 indivíduos sem a condição. O estudo concentrou-se em duas regiões cerebrais importantes para o aprendizado e a memória: o córtex pré-frontal e o hipocampo.

Utilizando sequenciamento de RNA avançado, a equipe examinou a atividade gênica e a edição de RNA em todo o conjunto de mensagens de RNA em cada amostra cerebral. Eles descobriram uma disrupção generalizada da expressão gênica durante a metade da gestação na trissomia do cromossomo 21. Um dos genes superexpressos de forma mais consistente foi o ADARB1. Os níveis aumentados da enzima ADARB1 resultantes foram associados a níveis mais elevados de edição de RNA em todo o cérebro.

A equipe observou edição excessiva nos genes GRIA2, GRIA3, GRIK2 e GABRA3, genes-chave dos receptores de glutamato e GABA que ajudam a regular como os neurônios enviam e recebem sinais. Essa edição leva à recodificação do RNA, um processo no qual uma única alteração de nucleotídeo modifica a sequência de aminoácidos da proteína resultante, alterando diretamente sua função. Prevê-se que essas alterações moleculares prematuras alterem o equilíbrio entre a sinalização excitatória e inibitória em um momento em que os circuitos neurais estão sendo ativamente estabelecidos.

Para reforçar suas descobertas, os pesquisadores realizaram uma análise combinada de nove conjuntos de dados independentes de trissomia 21 em humanos. Os resultados mostraram o mesmo padrão: níveis mais elevados da enzima ADARB1 e aumento da edição de RNA associados a uma cópia extra do cromossomo 21 em múltiplos conjuntos de dados humanos independentes.

O estudo identificou a desregulação da edição de RNA mediada por ADARB1 como uma consequência molecular fundamental da triplicação do cromossomo 21 na síndrome de Down. A descoberta de que o excesso da enzima ADARB1 impulsiona a recodificação prematura e excessiva do RNA durante períodos críticos do desenvolvimento do cérebro fetal relaciona diretamente o desequilíbrio na dosagem gênica à alteração da sinalização neuronal.

Os pesquisadores afirmam que as descobertas abrem caminho para novas formas de medir o desenvolvimento cerebral precoce e podem, eventualmente, ajudar a orientar tratamentos de precisão destinados a melhorar os resultados neurológicos e comportamentais na síndrome de Down.

Fonte: Nature Communications. DOI: 10.1038/s41467-026-70217-5.

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