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15 de julho de 2026 (Bibliomed). Pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, identificaram uma enzima fundamental — a RNase H2 — que ajuda as células do câncer de mama triplo-negativo (CMTN) a sobreviverem a altos níveis de estresse de replicação do DNA. Como muitas terapias contra o câncer de mama funcionam causando estresse de replicação, esses resultados sugerem que a RNase H2 é um alvo terapêutico promissor.
As descobertas revelam que a RNase H2 danifica diretamente o DNA das células cancerígenas, ao mesmo tempo que ativa o sistema imunológico inato para produzir sinais que atraem células T para atacar o tumor. Os pesquisadores explicam que adicionar a inibição da RNase H2 é um golpe duplo que supera o mecanismo adaptativo que os tumores de câncer de mama triplo-negativo utilizam para sobreviver ao estresse replicativo e continuar progredindo.
O estresse replicativo é a lentidão ou a interrupção da replicação do DNA quando as células copiam seu DNA. Isso causa danos estruturais ao DNA, como o acúmulo de DNA de fita simples e a incorporação de fragmentos de RNA no DNA, levando à morte celular.
Muitas terapias contra o câncer de mama funcionam causando estresse na replicação do DNA, mas as células do câncer de mama triplo-negativo (CMTN) de alguma forma sobrevivem a esse estresse e instabilidade genômica, mesmo em níveis elevados, embora por muito tempo não estivesse claro como elas se adaptaram a isso.
Como uma das principais fontes de estresse replicativo é o acúmulo de RNA incorporado, os pesquisadores se concentraram na enzima RNase H2, que normalmente remove fragmentos de RNA que são erroneamente incorporados ao DNA para evitar danos ao mesmo. Os pesquisadores descobriram que a RNase H2 apresenta superexpressão em tumores de câncer de mama triplo-negativo e está correlacionada com baixa sobrevida, sugerindo que ela pode contribuir para o mecanismo adaptativo de enfrentamento do estresse da replicação do DNA.
O silenciamento genético da RNase H2 ou seu bloqueio com medicamentos aumentou o estresse de replicação do DNA, levando a uma forte resposta antitumoral e à supressão do crescimento tumoral do câncer de mama triplo- negativo in vivo. Além disso, isso teve um efeito de reforço imunológico, com o dano ao DNA ativando o sistema imunológico inato para enviar sinais que recrutam células T para atacar o câncer.
Embora esses resultados sejam pré-clínicos, o uso de inibidores da RNase H2 – alguns dos quais estão atualmente em desenvolvimento – poderá um dia se tornar uma estratégia para melhorar os resultados para pacientes com esse câncer de difícil tratamento. O estudo também mostrou que o bloqueio da RNase H2 potencializa os efeitos de duas classes de medicamentos oncológicos já existentes – inibidores de ATR e PARP – apontando para estratégias de combinação que poderiam ser testadas em futuros ensaios clínicos.
Fonte: Cell Reports Medicine. DOI: 10.1016/j.xcrm.2026.102750.
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