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Ajustes genéticos permitiram que os primeiros humanos andassem sobre duas pernas

20 de maio de 2026 (Bibliomed). Duas pequenas alterações no DNA humano podem ter desempenhado um papel importante em ajudar nossos ancestrais a andar eretos, dizem pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. O estudo descobriu que esses ajustes alteraram a forma como um osso fundamental do quadril se desenvolveu, o que permitiu que os primeiros humanos ficassem de pé, se equilibrassem e caminhassem sobre duas pernas, em vez de se moverem sobre quatro patas como outros primatas.

Uma dessas alterações fez com que o ílio — o osso curvo que você sente quando coloca as mãos nos quadris — girasse 90 graus. Isso alterou a forma como os músculos se ligavam à pélvis, transformando uma estrutura antes usada para escalar em uma estrutura feita para andar ereto. A outra alteração genética retardou a forma como o ílio se endureceu em osso, dando-lhe mais tempo para se expandir lateralmente e formar uma pélvis curta em forma de tigela. Segundo os autores, essas mudanças foram essenciais para a criação e o reposicionamento de músculos que normalmente ficam nas costas, impulsionando-o para a frente, e que agora estão nas laterais, ajudando-nos a manter o equilíbrio ao caminhar.

Os pesquisadores examinaram amostras de tecido pélvico em desenvolvimento de humanos, chimpanzés e ratos, combinando amostras microscópicas com imagens de tomografia computadorizada. Eles descobriram que, nos humanos, a cartilagem pélvica cresce lateralmente em vez de verticalmente como em outros primatas, e que endurece posteriormente, permitindo que a estrutura se alargue à medida que se forma.

Análises posteriores revelaram que a diferença provinha de alterações sutis na regulação gênica – os "interruptores liga/desliga" que controlam como e quando certos genes estão ativos. Nos seres humanos, os genes formadores de cartilagem são ativados em novas regiões, estimulando o crescimento horizontal, enquanto os genes formadores de osso são ativados mais tarde, retardando o processo de endurecimento. Como os primatas compartilham a maioria dos mesmos genes de desenvolvimento, os pesquisadores acreditam que essas mudanças surgiram no início da evolução humana, depois que nossa linhagem se separou dos chimpanzés.

Curiosamente, esta pesquisa não começou como um estudo evolutivo. Financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), os pesquisadores inicialmente buscavam entender como a pelve se forma para aprimorar os tratamentos para distúrbios do quadril. O projeto foi direcionado para a pesquisa biomédica para entender como se constrói uma pélvis e por que ela é diferente [da de outros primatas e ratos], e, mais importante, porque isso leva a doenças. Além disso, as mesmas adaptações evolutivas que possibilitaram a caminhada podem também ter tornado o quadril humano mais propenso à osteoartrite, além de terem criado um canal de parto mais espaçoso, facilitando o nascimento de bebês com cérebros maiores à medida que a evolução progredia.

Fonte: Nature. DOI: 10.1038/s41586-025-09399-9.

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