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Leite materno pode ser fundamental para evitar alergias alimentares

30 de abril de 2026 (Bibliomed). Crianças que vivem em fazendas tendem a ter muito menos alergias do que crianças que vivem na cidade, e um novo estudo oferece uma possível explicação: o leite materno. Crianças que crescem em comunidades agrícolas têm sistemas imunológicos que amadurecem mais rapidamente, com níveis mais elevados de anticorpos protetores durante o primeiro ano de vida, relataram pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, eles estão recebendo esses anticorpos — e as células imunológicas que os produzem — do leite materno. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão estudando bebês de famílias de agricultores menonitas da Velha Ordem na região dos Finger Lakes, em Nova York.

Para o estudo, os pesquisadores compararam 78 pares de mães e filhos da comunidade menonita da Velha Ordem com 79 mães e filhos de áreas urbanas e suburbanas de Rochester. Eles acompanharam as mães e os filhos durante o primeiro ano de vida, coletando amostras de sangue, fezes, saliva e leite materno. Os resultados mostraram que os bebês expostos ao ambiente rural apresentavam níveis mais elevados de células imunológicas, sugerindo que seus sistemas imunológicos eram mais maduros do que os das crianças da cidade. Os pesquisadores também encontraram níveis mais elevados de anticorpos nas amostras de leite materno fornecidas pelas mães.

Os pesquisadores então analisaram mais detalhadamente as alergias a ovos, uma das alergias alimentares mais comuns em crianças pequenas. O estudo constatou que crianças que vivem em fazendas apresentaram níveis mais elevados de anticorpos específicos para ovos no sangue, e que as mães apresentaram níveis mais elevados de anticorpos específicos para ovos no leite materno. Entretanto, os bebês de Rochester apresentaram níveis variáveis de anticorpos específicos para ovo no sangue, e isso foi associado ao risco de alergia a ovo. Quanto maior o número de anticorpos, menor o risco de alergia a ovo.

Os autores explicam que o maior consumo de ovos, que são criados na própria comunidade, faz com que o leite das mãe menonitas tenham mais anticorpos específicos contra as proteínas do ovo, e essa proteção é transmitida para os filhos através da amamentação.

Os pesquisadores disseram que os bebês menonitas também nasceram com níveis mais elevados de anticorpos no sangue do cordão umbilical contra ácaros e cavalos, refletindo os alérgenos ambientais aos quais suas mães são regularmente expostas. Mas os bebês de Rochester apresentaram níveis mais altos de anticorpos para amendoim e gatos, refletindo a exposição mais comum a alérgenos entre mães de áreas suburbanas e urbanas.

Fonte: Science Translational Medicine. DOI: 10.1126/scitranslmed.ads1892.

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