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Pílula para tratar Covid-19: os EUA estão financiando esse projeto

17 de junho de 2021 (Bibliomed). Em 2020, o governo dos Estados Unidos gastou US$18 bilhões financiando pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina eficaz para o COVID-19. Tal esforço resultou na fabricação de pelo menos cinco imunizantes altamente eficazes em um tempo recorde. Agora, o governo norte-americano está investindo mais US$3 bilhões em pesquisas que buscam desenvolver pílulas capazes de combater o vírus no início da infecção.

O novo programa, anunciado nesta quinta-feira (17/06) pelo US Department of Health and Human Services, vai acelerar os testes clínicos de alguns candidatos a medicamentos promissores. Se tudo correr bem, algumas das primeiras pílulas podem estar prontas no final do ano. O Antiviral Program for Pandemics também apoiará a pesquisa de drogas inteiramente novas - não apenas para o coronavírus, mas para vírus que podem causar futuras pandemias.

Vários vírus podem ser tratados com comprimidos, e a ideia dos pesquisadores é que o mesmo possa ocorrer com quem se contaminar com o novo coronavírus. No início da pandemia, os pesquisadores começaram a testar os antivirais existentes em pessoas hospitalizadas com COVID-19 grave. Contudo, muitos desses testes não mostraram qualquer benefício. Em retrospecto, a escolha de trabalhar em hospitais foi um erro. Os cientistas agora sabem que o melhor momento para tentar bloquear o coronavírus é nos primeiros dias da doença, quando o vírus está se replicando rapidamente e o sistema imunológico ainda não montou uma defesa.

A ideia é que assim que a pessoa testasse positivo para COVID-19, ela pudesse ir até uma farmácia e adquirir os antivirais para o SARS-CoV-2 de forma a evitar o desenvolvimento de sintomas graves da doença.

Até agora, apenas um antiviral demonstrou um benefício claro para as pessoas nos hospitais: o remdesivir. Originalmente investigado como uma cura potencial para o Ebola, o medicamento parece encurtar o curso do Covid-19 quando administrado por via intravenosa aos pacientes. Em outubro, tornou-se o primeiro - e até agora, o único - medicamento antiviral a ganhar F.D.A. aprovação para tratar a doença. No entanto, o desempenho do remdesivir deixou muitos pesquisadores desapontados. Em novembro, a Organização Mundial da Saúde recomendou o não uso do medicamento.

Entre os medicamentos que estão sendo testados estão o molnupiravir, foi desenvolvido em 2003 por pesquisadores da Emory University e foi testado contra vírus como influenza e dengue; oo AT-527, desenvolvido pela Atea Pharmaceuticals, que já se provou seguro e eficaz como tratamento para a hepatite C, e os primeiros estudos sugeriram que também pode funcionar contra a Covid-19; uma droga criada por cientistas da Pfizer, adaptada de uma molécula inicialmente projetada no início dos anos 2000 como uma droga potencial para a SARS.

O programa apoiará não apenas a pesquisa de pílulas que funcionam contra coronavírus, mas também contra outros patógenos de alto risco, como flavivírus, que causam doenças como dengue e febre do Nilo Ocidental, e togavírus, que causam doenças transmitidas por mosquitos como o chikungunya e encefalite equina oriental.

Fonte: The New York Times. June 17, 2021.

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