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Remédios para hipertensão podem aumentar o risco de infecção por COVID-19

31 de março de 2020 (Bibliomed). O COVID-19 pode interagir com doenças cardíacas e medicamentos para hipertensão, colocando um desafio para os médicos que gerenciam pacientes com maior risco de doenças graves com o vírus.

Um estudo publicado na revista JAMA Cardiology confirma relatos de que o vírus pode causar complicações cardíacas como batimentos cardíacos irregulares, pressão alta, infarto do miocárdio e parada cardíaca.

Além disso, uma revisão de estudos publicados em 24 de março no JAMA Network Open também mostrou evidências de que os medicamentos usados para tratar essas condições, como enzima de conversão da angiotensina (ECA), inibidores e bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) podem piorar os efeitos do vírus em alguns casos.

O problema está em como os medicamentos afetam o ACE2, uma proteína que foi descrita como o "ponto de entrada" do novo coronavírus em humanos. Porém, os pesquisadores enfatizam que a pesquisa é preliminar, e os médicos devem ser prudentes em continuar o tratamento atual, em vez de arriscar piorar as condições, mesmo sem o COVID-19.

Os pesquisadores explicam que muitos dados disponíveis até o momento são provenientes de trabalhos científicos básicos de infecções anteriores por coronavírus, como a SARS em 2003, e que no momento, não há informações suficientes sobre como esses medicamentos afetam doenças graves. O que se sabe até o momento é que os inibidores da ECA não inibem a ECA2, pois é uma enzima diferente.

Segundo os autores, a sugestão de que os inibidores da ECA e os BRA podem aumentar o risco de infecção pelo COVID-19 é "puramente especulativa", e as conexões entre os remédios e o vírus podem ser devido ao fato de que as condições que eles são projetados para tratar, como hipertensão, parecem predispor algumas pessoas à doença.

Os pesquisadores ressaltam que preocupações semelhantes foram levantadas sobre o ibuprofeno e outros chamados anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que interagem com o ACE2, apesar de pesquisas clínicas limitadas.

Ainda assim, alguns médicos estão preocupados o suficiente com os possíveis vínculos entre esses medicamentos e o COVID-19 para pedir cautela. No entanto, eles não recomendam a triagem adicional desses pacientes para o vírus no momento, e nem sugerem que as pessoas parem de tomar os medicamentos prescritos para reduzir o risco de infecção.

Fonte: JAMA Cardiology. DOI: 10.1001/jamacardio.2020.0950.

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