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Gordura no fígado: o que é e por que merece atenção?

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A presença de gordura no fígado (gordura hepática), chamada de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, ou MASLD, acontece quando há acúmulo de gordura dentro do fígado.

O fígado é um órgão muito importante. Ele ajuda na digestão, controla parte do açúcar e das gorduras do sangue, armazena energia e elimina substâncias tóxicas. Quando muita gordura se acumula nele, o fígado pode ficar inflamado e, com o tempo, sofrer lesões.

Essa é uma doença muito comum. Ela aparece com mais frequência em pessoas com obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, triglicérides elevados, colesterol bom (HDL) baixo e aumento da gordura na região abdominal.

Na maioria das vezes, a pessoa não sente nada. Por isso, muita gente só descobre o problema em exames de rotina, como ultrassom do abdome ou exames de sangue. Algumas pessoas podem sentir cansaço ou desconforto do lado direito da barriga, mas esses sintomas nem sempre aparecem.

O maior perigo é que, em alguns casos, a gordura no fígado pode evoluir para inflamação. Essa forma mais séria é chamada de MASH. Com o passar dos anos, a inflamação pode causar cicatrizes no fígado, chamadas de fibrose. Quando a fibrose se torna avançada, pode levar à cirrose, falência do fígado e até câncer hepático.

Além disso, a gordura no fígado também é um sinal de que o metabolismo não vai bem. Pessoas com essa doença têm maior risco de problemas no coração e nos vasos sanguíneos, como infarto e derrame.

O diagnóstico geralmente é feito quando o médico encontra gordura no fígado em exames de imagem, como ultrassom, e identifica fatores de risco, como obesidade, diabetes, pressão alta ou alterações do colesterol. Em alguns casos, outros exames são usados para avaliar se já existe cicatriz no fígado.

O tratamento começa com mudanças simples, mas importantes. A principal medida é perder peso, quando há excesso de peso. Uma redução de 7% a 10% do peso corporal já pode melhorar bastante a gordura, a inflamação e as lesões no fígado.

Também é importante ter uma alimentação mais saudável, com menos açúcar, refrigerantes, bebidas adoçadas, frituras, gordura em excesso e alimentos ultraprocessados. Dar preferência a comida de verdade, como verduras, legumes, frutas, feijão, carnes magras, ovos, leite e derivados sem excesso de gordura, pode ajudar muito.

A atividade física também é essencial. Caminhar, pedalar, nadar ou fazer outro exercício regularmente ajuda a reduzir a gordura no fígado e melhora o controle do açúcar, do colesterol e da pressão.

Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos, principalmente quando há obesidade, diabetes ou sinais de inflamação e fibrose no fígado. Para pessoas com obesidade mais importante, a cirurgia bariátrica pode ser uma opção.

A gordura no fígado é uma doença silenciosa, mas não deve ser ignorada. A boa notícia é que, quando descoberta cedo, pode melhorar muito com mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico.

Fonte: JAMA. DOI: 10.1001/jama.2025.19615.

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