Artigos de saúde
© Equipe Editorial Bibliomed
Neste artigo:
- O que é
- Causas
- Sintomas
- Diagnóstico
- Tratamento
- Prevenção
- Conclusão
A alergia ao amendoim é uma das alergias alimentares mais conhecidas e uma das que mais preocupam famílias, escolas e cuidadores. Isso ocorre porque, em algumas pessoas, mesmo pequenas quantidades de amendoim podem provocar reações importantes. Apesar disso, com informação adequada, acompanhamento médico e medidas de prevenção, é possível reduzir riscos e permitir que crianças e adultos vivam com mais segurança.
A alergia ao amendoim acontece quando o sistema imunológico identifica proteínas presentes no amendoim como se fossem perigosas. Em vez de tolerar o alimento, o organismo reage de forma exagerada. Essa reação pode envolver a pele, o sistema digestivo, a respiração e, nos casos mais graves, a circulação sanguínea. Por isso, ela não deve ser confundida com intolerância alimentar. Trata-se de uma alergia verdadeira, mediada pelo sistema imune, capaz de variar de manifestações leves a quadros potencialmente fatais.
Essa condição é uma das principais causas de alergia alimentar no mundo. A maioria dos casos começa na infância. Algumas crianças deixam de ser alérgicas ao longo dos anos, mas isso não acontece com todas. Estima-se que entre 10% e 30% das pessoas possam superar a alergia com o tempo. Mesmo assim, nunca se deve testar em casa se uma criança “melhorou” ou “já pode comer amendoim”. Essa avaliação deve ser feita por médico, preferencialmente alergista, em ambiente seguro.
Os sintomas costumam surgir rapidamente após o contato com o alimento, geralmente dentro de uma a duas horas, e muitas vezes em poucos minutos. A reação pode ocorrer mesmo com traços de amendoim presentes em alimentos industrializados ou preparados em locais onde também se manipulam produtos com amendoim.
As manifestações mais comuns incluem coceira, placas vermelhas na pele, urticária e inchaço, especialmente em lábios, olhos ou rosto. Também podem ocorrer vômitos, dor abdominal e diarreia. Quando há comprometimento respiratório, a pessoa pode apresentar tosse, chiado no peito, falta de ar, rouquidão ou sensação de garganta fechando. Nos casos mais graves, pode haver queda da pressão arterial, tontura, desmaio ou choque. Esse quadro grave é chamado de anafilaxia, que é uma emergência médica e pode evoluir rapidamente.
O diagnóstico começa pela história clínica. O médico investiga quais sintomas ocorreram, quanto tempo depois da ingestão eles apareceram, qual alimento foi consumido e se já houve reações anteriores. Em geral, suspeita-se de alergia quando os sintomas aparecem em até duas horas após o consumo de amendoim. Para confirmar, podem ser feitos testes alérgicos, como o teste cutâneo de puntura, em que pequena quantidade de proteína do amendoim é aplicada na pele, ou exames de sangue que medem anticorpos IgE específicos contra o amendoim.
Esses exames devem ser interpretados por profissional experiente. Um teste positivo não significa, sozinho, que a pessoa terá reação grave ao comer amendoim. Da mesma forma, uma reação anterior leve não garante que a próxima também será leve. Por isso, diagnóstico e orientações devem considerar a história clínica, os exames e o perfil de risco de cada paciente.
O tratamento básico é evitar amendoim e produtos que possam contê-lo. Isso exige atenção aos rótulos dos alimentos. Muitos produtos informam se “contêm amendoim” ou se “podem conter traços de amendoim”. Restaurantes, padarias, festas e alimentos preparados fora de casa também exigem cuidado, pois pode haver contaminação cruzada, quando um alimento sem amendoim entra em contato com superfícies, utensílios ou ingredientes contaminados.
Além de evitar o alimento, pessoas com alergia confirmada devem ter um plano de ação para emergências. Familiares, professores, cuidadores e colegas próximos precisam saber reconhecer sinais de gravidade e agir rapidamente. Crianças devem receber orientação adequada à idade, sem medo excessivo, mas com consciência dos riscos.
Nos últimos anos, surgiram tratamentos que reduzem a sensibilidade ao amendoim. Um deles é a imunoterapia oral, aprovada nos Estados Unidos. Ela consiste na ingestão de pequenas quantidades de proteína do amendoim, aumentadas gradualmente sob supervisão médica, até uma dose de manutenção. O objetivo não é permitir consumo livre de amendoim, mas aumentar a tolerância a exposições acidentais. Cerca de 80% dos pacientes podem ser dessensibilizados, embora o tratamento exija ingestão regular e tenha risco de reações, inclusive anafilaxia.
Outra opção recente é o omalizumabe, medicamento biológico aprovado em 2024 pela FDA para alergia ao amendoim e outras alergias alimentares em pessoas a partir de 1 ano, quando há critérios específicos. Ele é aplicado sob a pele a cada duas ou quatro semanas, com dose baseada no peso e no nível de IgE. Aproximadamente dois terços dos pacientes tratados podem apresentar dessensibilização ao amendoim. Ainda assim, o acompanhamento médico continua indispensável.
A anafilaxia é uma emergência médica. Ela pode evoluir rapidamente e precisa ser tratada sem demora. O medicamento mais importante nesses casos é a epinefrina, também conhecida como adrenalina. Ela pode ser administrada por injeção, geralmente por autoinjetor, ou por spray nasal em locais onde essa apresentação está disponível. A epinefrina ajuda a melhorar a respiração, a pressão arterial e a circulação. O atraso em seu uso está associado a maior risco de complicações.
Anti-histamínicos, como remédios usados para coceira ou urticária, não substituem a epinefrina em reações graves. Eles podem aliviar sintomas de pele, mas não tratam adequadamente queda de pressão, fechamento da garganta ou broncoespasmo intenso. Em caso de anafilaxia, a epinefrina deve ser usada primeiro. Se os sintomas persistirem, novas doses podem ser necessárias a cada 5 a 15 minutos, conforme orientação médica. Depois disso, a pessoa deve ser levada a um serviço de emergência.
Durante anos, acreditou-se que atrasar a introdução do amendoim protegeria as crianças. Hoje, diretrizes recomendam introduzir alimentos contendo amendoim ainda na infância, com orientação médica nos bebês de maior risco, como aqueles com eczema importante ou alergia ao ovo. Estudos mostraram que a introdução precoce pode reduzir o risco futuro de alergia. No entanto, crianças pequenas nunca devem receber amendoim inteiro ou em pedaços, pelo risco de engasgo. A forma de oferta deve ser segura e adequada à idade.
Em resumo, a alergia ao amendoim é comum, séria, mas controlável. Diagnóstico correto, prevenção, plano de emergência, acesso à epinefrina e orientação familiar são essenciais. Com informação de qualidade, é possível reduzir o medo e aumentar a segurança.
Copyright © Bibliomed, Inc.
Veja também
todas as notícias