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NEW YORK, 14 de março – A glicosamina e a condroitina, dois produtos de origem animal comercializados como suplementos alimentares, parecem auxiliar no alívio de sintomas da osteoartrite, relatam pesquisadores dos EUA.
Mas os efeitos são menores do que se dizia anteriormente, concluem os autores.
"A glicosamina e a condroitina ... tem sido usadas em várias formas de osteoartrite na Europa por mais de uma década e recentemente adquiriram popularidade substancial devido à várias publicações liberadas," de acordo com o Dr. Timothy McAlindon e associados do Centro de Artrite em Boston, Massachusetts.
Os autores analisaram 15 estudos previamente publicados sobre os efeitos da glicosamina e da condroitina sobre a osteoartrite. Seus resultados estão publicados na edição de 15 de março do The Journal of the American Medical Association.
Os resultados combinados dos estudos, ajustados por qualidade e variabilidade dos suplementos, indicaram benefícios moderados do tratamento com glicosamina e um grande benefício com o tratamento com a condroitina, relatam os pesquisadores.
A despeito dos benefícios aparentes do tratamento, os estudos clínicos utilizaram métodos que diminuem a qualidade dos resultados, de acordo com os pesquisadores. Os problemas variaram de omissão de análises importantes à não declaração de que os fabricantes dos produtos financiaram alguns estudos.
À luz dos problemas relativos à qualidade dos trabalhos, McAlindon e colaboradores sugerem que o benefício real do tratamento com glicosamina e condroitina parece ser menor do que indicam os estudos.
Os autores concluem recomendando que "estudos posteriores de alta qualidade, e independentes, sejam realizados para determinar a real eficácia e utilidade destes produtos."
Em um editorial, os Drs. Tanveer Towheed e Tassos Anastassiades da Universidade Queen's em Kingston, Ontario, Canadá, concordam que as evidências que confirmam a eficácia da glicosamina e condroitina são incompletos. Eles apontam para duas questões adicionais contra os estudos publicados: os pacientes incluídos nos estudos não foram bem descritos, tornando difícil aplicar os resultados a pacientes individuais; e as informações a respeito dos efeitos colaterais eram limitados, tornando difícil decidir se os benefícios superavam qualquer risco.
Towheed e Anastassiades apontam um estudo do Instituto Nacional de Saúde que se iniciará em breve como um estudo modelo para testar estes suplementos de forma mais sistemática.
Mas até que estes resultados estejam disponíveis, ainda é necessária 'cautela do consumidor' quando usar estes suplementos. "Como ocorre com muitos produtos nutricionais que atualmente são muito citados como benéficos para doenças comuns e difíceis de tratar," escrevem os editorialistas, "o entusiasmo promocional freqüentemente ultrapassa muito as evidências científicas que confirmam o uso clínico."
FONTE: : The Journal of the American Medical Association 2000;283:1469-1475, 1483-1484.
Publicado em Bibliomed Saúde em 22/03/2000
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