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Mastectomia

© Equipe editorial Bibliomed

Neste artigo:

- Introdução
- Tipos de mastectomia
- Recomendações
- Efeitos colaterais
- Reconstrução da mama
- Tratamentos complementares
- Cuidados

Introdução

A mastectomia é uma cirurgia que consiste na retirada de toda a mama, geralmente como parte do tratamento do câncer de mama. Em alguns casos, porém, é possível realizar uma cirurgia conservadora, chamada tumorectomia ou cirurgia conservadora da mama, que remove o tumor e uma margem de tecido saudável, preservando o restante da mama.

A escolha entre a cirurgia conservadora e a mastectomia depende de fatores como o tamanho e a localização do tumor, a presença de focos de câncer em diferentes regiões da mama, as características biológicas da doença, o histórico clínico e as preferências da paciente. Quando indicada e seguida de radioterapia, a cirurgia conservadora pode oferecer resultados de sobrevida semelhantes aos da mastectomia em muitas pacientes com câncer em estágio inicial.

O diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de tratamento e de controle da doença, mas não é possível garantir uma determinada chance de cura apenas com base no tamanho do tumor. O prognóstico também depende do estágio do câncer, do comprometimento dos linfonodos e de outras características tumorais.

Tipos de mastectomia

Existem diferentes tipos de mastectomia, definidos conforme a quantidade de tecido retirada e a necessidade de remover estruturas próximas. A indicação é individualizada.

- Mastectomia simples ou total: consiste na retirada de toda a mama, incluindo o tecido mamário, o mamilo e a aréola. A pele também pode ser retirada, dependendo da técnica escolhida. A avaliação dos linfonodos da axila pode ser realizada separadamente, conforme a necessidade.

- Mastectomia poupadora de pele: remove o tecido mamário, o mamilo e a aréola, preservando a maior parte da pele. Essa técnica pode facilitar a reconstrução e favorecer o resultado estético em pacientes selecionadas. A possibilidade de realizá-la depende da localização e da extensão do tumor e das condições da pele.

- Mastectomia poupadora de mamilo: retira o tecido mamário, mas preserva a pele, o mamilo e a aréola. É uma opção para algumas pacientes, desde que a avaliação clínica e anatomopatológica indique que essa preservação é segura. Se forem identificadas células cancerígenas no tecido sob o mamilo, pode ser necessário removê-lo. A técnica exige seleção cuidadosa das pacientes e experiência da equipe cirúrgica.

- Mastectomia radical modificada: combina a retirada de toda a mama com a remoção dos linfonodos axilares por meio de uma dissecção. A necessidade desse procedimento depende da avaliação do comprometimento dos linfonodos e do planejamento oncológico.

- Mastectomia radical: envolve a retirada da mama, dos linfonodos axilares e dos músculos peitorais. Atualmente, é pouco utilizada, sendo reservada a situações específicas, como alguns casos em que o tumor invade os músculos da parede torácica.

- Mastectomia bilateral: consiste na retirada das duas mamas. Pode ser indicada para tratar câncer presente em ambas as mamas ou, em situações selecionadas, para reduzir o risco futuro de câncer em pessoas com risco hereditário muito elevado, como algumas portadoras de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. A retirada preventiva da outra mama não é necessária para todas as pacientes com câncer unilateral e deve ser discutida considerando os benefícios, os riscos e as preferências individuais.

Recomendações

A mastectomia não é necessária em todos os casos de câncer de mama. Para muitas pacientes com tumores iniciais, a cirurgia conservadora seguida de radioterapia é uma alternativa eficaz. A mastectomia pode ser recomendada quando a retirada do tumor com preservação da mama não é viável ou não é a opção mais adequada.

Entre as situações em que ela pode ser considerada estão a presença de tumores em diferentes regiões da mesma mama, um tumor grande em relação ao tamanho da mama, a impossibilidade de obter margens cirúrgicas livres de câncer após tentativas de cirurgia conservadora e a ocorrência de câncer de mama inflamatório. Também pode ser indicada para pacientes que já receberam radioterapia na mama ou que não podem realizá-la, dependendo da situação clínica.

Em algumas pacientes, a mastectomia pode ser considerada diante de uma predisposição genética importante para o câncer de mama. A decisão, no entanto, deve levar em conta o risco individual e as alternativas disponíveis.

A gravidez também pode influenciar o planejamento do tratamento, mas não significa que a mastectomia seja obrigatória. A escolha da cirurgia e o momento dos tratamentos complementares dependem da fase da gestação, das características do tumor e da possibilidade de utilizar diferentes terapias com segurança.

A decisão deve ser tomada em conjunto com a equipe de mastologia e oncologia, considerando as características da doença, os benefícios e os efeitos adversos de cada alternativa.

Efeitos colaterais

Como qualquer procedimento cirúrgico, a mastectomia pode causar dor, sangramento, hematomas, infecção e acúmulo de líquido sob a pele, conhecido como seroma. Também podem ocorrer alterações na sensibilidade da região operada, dormência, dor persistente e dificuldades temporárias para movimentar o braço e o ombro.

Uma possível complicação é o linfedema, caracterizado pelo inchaço do braço ou de outras regiões próximas devido ao comprometimento da drenagem linfática. O risco é maior quando há retirada de vários linfonodos axilares e pode ser influenciado pela radioterapia e por outros fatores.

A recuperação varia conforme a extensão da cirurgia, a retirada de linfonodos e a realização ou não de reconstrução mamária. Dor intensa ou crescente, febre, vermelhidão progressiva, secreção na ferida ou aumento importante do inchaço devem ser comunicados à equipe de saúde.

Reconstrução da mama

Após a mastectomia, a reconstrução mamária pode ser realizada para recuperar o volume e o formato da mama. O procedimento pode ocorrer durante a mesma cirurgia, sendo chamado de reconstrução imediata, ou em outro momento, após a recuperação ou a conclusão de parte do tratamento oncológico.

As técnicas incluem o uso de implantes mamários e a utilização de tecidos da própria paciente, retirados de regiões como o abdômen ou as costas. A escolha depende das condições clínicas, das características da cirurgia, da necessidade de radioterapia, das preferências da paciente e da avaliação da equipe especializada.

A reconstrução não é obrigatória. Algumas pacientes preferem não realizá-la e podem optar por utilizar uma prótese externa ou manter o tórax sem reconstrução. Todas essas escolhas devem ser respeitadas e discutidas antes da cirurgia, sempre que possível.

No Brasil, a legislação prevê o direito à cirurgia plástica reconstrutiva da mama para mulheres que sofreram mutilação decorrente do tratamento do câncer, conforme as condições clínicas e a indicação médica. A possibilidade de reconstrução deve ser considerada no planejamento do tratamento.

Tratamentos complementares

A mastectomia nem sempre encerra o tratamento do câncer de mama. Dependendo do estágio da doença e das características do tumor, pode ser necessário realizar radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia ou terapia-alvo.

A radioterapia pode ser indicada após a cirurgia quando existem fatores que aumentam o risco de recorrência local, como determinadas características do tumor ou o comprometimento dos linfonodos. A quimioterapia, a hormonioterapia e as terapias-alvo são escolhidas conforme o risco de recorrência e as características biológicas da doença, incluindo a presença de receptores hormonais e da proteína HER2.

Esses tratamentos podem ser realizados antes ou depois da cirurgia, de acordo com o planejamento oncológico. A finalidade é reduzir o risco de retorno da doença, controlar o câncer e melhorar os resultados do tratamento.

Cuidados

O tempo de recuperação após a mastectomia varia de pessoa para pessoa. Muitas pacientes começam a retomar gradualmente as atividades habituais em cerca de quatro semanas, mas a recuperação pode ser mais demorada quando há reconstrução mamária ou complicações.

Os cuidados após a cirurgia incluem manter a ferida operatória conforme as orientações da equipe, cuidar dos drenos quando utilizados, tomar os medicamentos prescritos e comparecer às consultas de acompanhamento. É importante não retirar curativos, manipular drenos ou iniciar exercícios sem orientação profissional.

A movimentação progressiva dos braços e dos ombros, conforme a liberação médica, ajuda a recuperar a mobilidade. A fisioterapia pode ser indicada para prevenir ou tratar limitações funcionais. Atividades físicas intensas e levantamento de peso devem ser retomados gradualmente, de acordo com a recuperação e as recomendações da equipe.

O acompanhamento também deve incluir atenção à saúde emocional, à imagem corporal e à adaptação após a cirurgia. O apoio de familiares, profissionais de saúde e grupos de pacientes pode ajudar durante o tratamento. Dúvidas, sintomas novos e dificuldades físicas ou emocionais devem ser compartilhados com a equipe responsável.

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