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Nova Iorque, Sep 15 - O Dofetilide, uma nova droga usada para controlar certas arritmias cardíacas, reduz as internações hospitalares em alguns pacientes com insuficiência cardíaca, mas não tem nenhum efeito nas taxas de sobrevida.
Usado no ambiente hospitalar juntamente com a monitoração cardíaca, " o dofetilide pode ser utilizado para tratar pacientes portadores de insuficiência cardíaca congestiva e fibrilação atrial, " de acordo com o Dr. Christian Torp-Pedersen e colegas do Gentofte University Hospital em Hellerup, Dinamarca, que escrevem para o Danish Investigations of Arrhythmia and Mortality on Dofetilide Study. O relatório do grupo foi publicado pelo The New England Journal of Medicine em sua edição de 16 de setembro.
O Dofetilide é uma droga em fase de investigações, sendo usado como um medicamento para controlar arritmias (ritmos anormais do coração), em pacientes que sofreram ataques cardíacos e em pacientes com insuficiência cardíaca. O estudo foi apoiado por uma concessão da Pfizer Central Research em Kent, Reino Unido..
A presença de fibrilação atrial, um ritmo cardíaco irregular comum em pacientes com insuficiência cardíaca, tem sido ligada à deterioração da função cardíaca e risco aumentado de hospitalização. Os investigadores compararam as freqüências de fibrilação atrial, hospitalização, e morte entre 762 pacientes tratados com dofetilide e 756 pacientes que receberam um placebo, na forma de uma pílula falsa.
Mais do que 40% dos pacientes em ambos grupos morreram durante o estudo de 3 anos, sendo 41% daqueles usado dofetilide, e 42% daqueles recebendo placebo, de acordo com o relatório.
Embora não tenha havido nenhuma diferença na sobrevivência, os pacientes do grupo do dofetilide tinham 25% menos probabilidade do que os pacientes recebendo placebo de serem hospitalizados por piora da insuficiência cardíaca, relatam os autores.
Além disso, os pacientes tratados com dofetilide portadores de fibrilação atrial tiveram maior probabilidade de se converter para um ritmo cardíaco normal--e manter este ritmo como normal-- do que aqueles em uso do placebo, indica o relatório.
Com exceção de uma propensão para desenvolverem outras arritmias cardíacas além da fibrilação atrial, os pacientes tratados com dofetilide não tiveram nenhum efeito colateral a mais do que os pacientes que receberam o placebo, escrevem os investigadores.
Os autores especulam que os efeitos benéficos do dofetilide na fibrilação atrial podem responder pela redução na freqüência de hospitalização entre os pacientes tratados.
Apesar dos achados deste estudo, o dofetilide não deve ser habitualmente usado para proteção contra a fibrilação atrial em pacientes com insuficiência cardíaca, escrevem os Drs. William G. Stevenson e Lynne Warner Stevenson do Brigham and Women's Hospital em Boston, Massachusetts, em um editorial relacionado.
" Para certos pacientes selecionados", disse o Dr. William Stevenson em uma entrevista com Reuters Health, o tratamento com o dofetilide é razoável", desde que se repitam todas as precauções tomadas neste estudo". "A maioria dos pacientes com insuficiência cardíaca e com fibrilação atrial persistente, entretanto, deveriam ser tratados com anti-coagulantes e com drogas para controlar a freqüência cardíaca global, " ele acrescentou.
FONTE: The New England Journal of Medicine 1999;341:857-865, 910-911.
Publicado em Bibliomed Saúde em 20-09-1999
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