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Antirretroviral 3TC pode levar à perda auditiva em crianças e jovens com HIV

14 de maio de 2012 (Bibliomed). Crianças e jovens com HIV sofrem mais com perdas auditivas do que população não portadora do vírus. Essa observação foi feita por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). Segundo fonoaudióloga Aline Medeiros da Silva, que realizou o estudo, são três os tipos de fatores que podem levar à perda auditiva: o próprio vírus da AIDS, as infecções decorrentes da doença e o remédio utilizado para controlar a doença.

Para realização do estudo, Aline usou duas classificações diferentes para avaliar o que é perda auditiva: a ASHA, que é mais rigorosa e classifica pequenas alterações já como sinais de perda auditiva, e a BIAP é mais prática e menos rigorosa. Por meio de um exame audiométrico aplicado a 106 crianças e jovens de cinco a 19 anos, a fonoaudióloga identificou que a prevalência de perda auditiva chegou a 59,4% pela classificação ASHA e 35,8% pela BIAP. Na população sem o vírus a prevalência varia de 2% a 24%.

A pesquisa mostrou, também, que a ocorrência de otite média supurada (infecção no ouvido com saída de líquido/pus) é um fator de risco para perda auditiva. Participantes que haviam tido esse problema apresentaram perdas auditivas tanto na ASHA quanto na BIAP.

Ao analisar os antirretrovirais que os jovens utilizavam, Aline encontrou uma relação entre o antirretroviral Lamivudina (3TC) e a perda auditiva pela classificação BIAP. Os dados mostraram que nos jovens que não tomavam o 3TC e tiveram ou não otite média supurada, a perda auditiva foi de 11,5%, número que subiu para 70,8% entre os que tomavam 3TC e tiveram otite média supurada. Segundo a pesquisadora, isso mostra que as chances de um jovem com HIV sofrer com perdas auditivas é de 5,7% e os que utilizam 3TC é de 5,8%.

A pesquisadora diz que a associação entre o medicamento e a perda auditiva foi uma surpresa, e, por isso, são necessários mais estudos para identificar se a Lamivudina realmente tem como efeito colateral a perda auditiva em crianças e jovens.

Fonte: Agência USP, 10 de maio de 2012

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