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A terapia genética tem um campo de aplicação cada vez maior

PARIS, 13 set (AFP) - Depois de anos de pesquisas e dúvidas quanto a sua eficácia, a terapia genética entrou na fase de realizações concretas e êxitos, com um campo de aplicação que não pára de crescer.

A terapia genética consiste em enviar ao organismo do paciente um gene normal, destinado a corrigir uma anomalia provocada pelo malfuncionamento ou não-funcionamento de um gene originário.

"Os primeiros trabalhos não foram muito convincentes, mas os resultados espetaculares obtidos no hospital Necker (de Paris) pela equipe de Alain Fischer" no tratamento da deficiência imunológica combinada severa (DICS X1) "puseram fim às dúvidas", declarou o professor François Leterrier, diretor-científico da Associação Francesa de Miopatias (AFM), durante o congresso médico "Entretiens de Bichat".

Fischer, cujos trabalhos foram publicados em dezembro passado, foi o primeiro médico no mundo a corrigir, com o uso da terapia genética, uma deficiência imunológica hereditária.

Mortal no primeiro ano de vida, a deficiência imunológica combinada severa obriga a manter os bebês em uma "bolha" estéril, para evitar que uma infecção microbiana provoque a sua morte. "Quatro das cinco crianças tratadas estão bem, vivem em suas casas e não necessitam de tratamento suplementar", precisou a médica Sylvie Dupuis, imunologista da equipe de Fischer.

O êxito destas primícias mundiais animou os cientistas, que agora orientam seus trabalhos não apenas para a substituição de genes ausentes ou com problemas por novos genes, mas também para a manipulação, sem mudá-los, dos genes doentes, com o objetivo de ampliar o campo de aplicação da terapia genética.

O recurso dos "genes-medicamentos" já permitiu melhorias significativas no tratamento de várias doenças, como a arterite e o glioblastoma. Os médicos também pensam no tratamento do câncer. "Os cânceres são um bom objetivo, pois os tumores são visíveis, portanto atacáveis, e é sempre mais fácil destruir do que consertar", afirmou o professor David Klatzmann, do hospital parisiense Pitié-Salpétrière.

Na luta contra o câncer, a idéia mais interessante é enviar às células cancerosas genes que produzam moléculas tóxicas que acabem matando estas células. Este método, chamado dos "genes-suicidas", já está sendo testado.

PhC/lb

Agence France-Presse

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