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Resfriar Vítima de Derrame Previne Dano Cerebral

Por Chris Cunnigham

NOVA YORK (Reuters Health) - Cobrir as vítimas de derrame com cobertores térmicos especiais para diminuir a temperatura reduz o dano cerebral e as taxas de morte. A conclusão é de um estudo publicado na edição de setembro do Stroke: Journal of the American Heart Association.

Na pesquisa, a equipe de Lars Kammersgaard, do Hospital Bispebjerg, em Copenhague (Dinamarca), investigou os efeitos da redução da temperatura corporal em 17 pacientes usando um cobertor bombeado com ar frio e o tratamento foi realizado sem uso de anestesia.

"Estudos anteriores tinham pretendido reduzir a temperatura corporal durante o tratamento hipotérmico (para cerca de 33 a 34 graus Celsius). Estavam baseados principalmente nas experiências fornecidas pelos modelos de hipotermia em animais", disse Kammersgaard à Reuters Health.

"Especulamos que uma redução da temperatura corporal em alguns graus (de 36,8 para 35,5 Celsius) pode ser suficiente para resultar em alguma melhora. Contudo, nenhuma investigação de hipotermia deliberada em pacientes de derrame acordados foi publicada antes deste estudo e por isso temos que ser bastante cautelosos em nosso aporte."

Os autores verificaram que a temperatura corporal média pode ser significativamente reduzida depois de uma hora da terapia hipotérmica.

Depois de seis horas, a temperatura do corpo alcança sua temperatura mais baixa que é mantida por mais quatro horas depois da parada da terapia hipotérmica.

A equipe notou que os pacientes que receberam o tratamento mostraram menos danos neurológicos.

"Usamos a Escala Escandinava de Derrame que mede o nível de consciência, movimentos dos olhos, potência do braço, mão e perna, orientação, afasia, paralisa facial e da marcha", explicou Kammersgaard.

O escore final do prejuízo neurológico foi de 42,2 pontos na escala, o que "corresponde ao estado de 'prejuízo neurológico moderado"', segundo o especialista.

Os pesquisadores verificaram que 28 dias depois do tratamento, 6 por cento dos pacientes tratados com cobertores hipotérmicos tinham morrido, comparados aos 11 por cento do grupo de 56 pacientes que não recebeu o tratamento.

Depois de seis meses, 12 por cento dos pacientes tratados com cobertores hipotérmicos morreram, comparados com 23 por cento do grupo que não recebeu o tratamento.

A maioria dos pacientes nesse estudo esteve totalmente consciente durante a terapia. Kammersgaard explicou que eliminar a necessidade de anestesia é vantajoso porque a anestesia requer equipamentos altamente especializados e equipes que estejam disponíveis o tempo todo.

"Estamos apontando na direção de um método que pode ser oferecido para a maioria dos pacientes com derrame, desde que este método prove efetividade em outros testes clínicos maiores", disse Kammersgaard. "Sem anestesia, os métodos de redução hipotérmica são mais baratos, facilmente aplicáveis na maioria dos hospitais que tratam pacientes com derrame agudo e não estão associados à perigosos efeitos colaterais."

"Tenho enfatizado que a eficiência deste método em reduzir o dano cerebral subsequente ao derrame ainda não foi provada. O que mostramos é que o método é de viável na aplicação da hipotermia em pacientes com derrame acordados, é seguro para os pacientes e não causa qualquer efeito colateral perigoso", concluiu Kammersgaard.

A equipe de pesquisadores está atualmente planejando um teste clínico do método envolvendo mil pacientes na Dinamarca, Noruega e Suécia.

Sinopse preparada por Reuters Health

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