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Os efeitos colaterais dos medicamentos são mais freqüentes do que se pensa

21 de Maio de 2002 (Bibliomed). Um em cada cinco dos novos medicamentos que estão sendo prescritos pode, em última instância, ser retirado do mercado ou causar efeitos colaterais potencialmente perigosos, segundo conclusões de um novo estudo feito pela Dra. Karen E. Lasser do Cambridge Hospital and Harvard Medical School em Massachusetts e colaboradores.

Esta conclusão provém da avaliação de 548 drogas que foram comercializadas pela primeira vez entre 1975 e 1999, e os pesquisadores avaliaram todas as ações para retirada do mercado e todos os novos efeitos colaterais acrescentados nos manuais de consulta de medicamentos neste período.

Segundo os resultados da pesquisa, 10% de todos os medicamentos novos ou recebem acréscimo de novas advertências ou são retirados do mercado, sendo que metade destas ocorrências acontece dentro de 7 anos após a droga começar a ser comercializada. Baseado nestes resultados, a Dra. Lasser e colaboradores concluem que uma droga tem 20% de chance de ser retirada do mercado ou apresentar efeitos colaterais inesperados em um período de 25 anos.

Os pesquisadores encontraram também que 56 das 548 drogas estudadas foram, durante um período de 25 anos, alteradas em sua classificação com relação ao risco de efeitos colaterais ou interação perigosa com outras drogas ou foram retiradas sumariamente do mercado devido aos riscos que apresentavam.

Os efeitos colaterais observados podem ser fatais: em 1993, nos Estados Unidos, sete drogas foram aprovadas e posteriormente retiradas do mercado, e contribuíram para mais de 1000 mortes. Algumas drogas podem levar anos antes de serem retiradas do mercado ou receberem alterações em suas advertências, como o anti-histamínico terfenadine (Seldane) que levou 13 anos para ser retirado do mercado devido a efeitos colaterais perigosos.

Outro problema visto pela pesquisadora é que menos de um décimo dos efeitos colaterais indesejados são relatados às autoridades. É apenas a partir destes relatos que a Food and Drug Administration, por exemplo, pode levantar suspeitas sobre a segurança de um determinado medicamento. Assim, é possível que muitos outros medicamentos em uso estejam fazendo mal às pessoas sem que ninguém saiba com certeza.

Embora esta pesquisa esteja sendo vista como um certo exagero por alguns pesquisadores, vale a pena lembrar que medicamentos são sempre um risco, mesmo que um risco calculado e leve, e que não devem ser utilizados sem indicações precisas de sua necessidade. Atualmente, também, as novas drogas estão sendo cada vez melhor avaliadas, com estudos bastante rigorosos para diminuir cada vez mais a chance de ocorrência destes efeitos danosos e potencialmente fatais.

Porém, este estudo, por mais que possa estar exagerando os riscos, é um alerta contra a automedicação: as pessoas sempre devem levar em consideração que apenas o médico é capaz de avaliar o risco juntamente com o benefício que será alcançado com o uso de um dado medicamento, e o que este risco representaria na saúde geral de um determinado indivíduo. O uso de um determinado medicamento em uma pessoa deve envolver a análise de outras doenças, características, idade e vários outros fatores, para que se possa minimizar a chance de ocorrência de efeitos inesperados e que podem ser fatais.

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