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Criança desnutrida, adulto com problemas cardiovasculares

10 de Abril de 2001 (Bibliomed). A má nutrição nos primeiros seis anos de vida é a maior causa de doenças cardíacas e pressão alta em adultos e adolescentes de baixa renda. A conclusão é da pediatra Maria Teresa Bechere Fernandes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Ela acompanhou 53 crianças e adolescentes de 11 a 16 anos, moradores de favelas de São Paulo, que possuíam baixa estatura, considerada o principal indicador da desnutrição. A pesquisadora concluiu que a manifestação de problemas cardiovasculares é precoce. Enquanto a maioria dos brasileiros só lida com pressão alta e doenças cardíacas a partir dos 30 ou 40 anos, no grupo estudado, os sintomas apareceram em média aos 13 anos. Segundo Fernandes, 13% das crianças e adolescentes eram hipertensas, quando o índice de referência para essa faixa etária é de apenas 5%.

Durante o trabalho, todas as crianças foram medidas. Elas eram sete centímetros mais baixas do que padrões de estatura adotados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Não entendemos desnutrição como baixo peso e sim como baixa estatura, o que indica que em algum momento da vida a pessoa esteve desnutrida ", explica a pediatra.

De acordo com Fernandes, a desnutrição pode começar cedo, ainda no útero materno. Nesses casos, tende a provocar alterações celulares irreversíveis e comprometer o funcionamento dos sistemas renal e endócrino da criança. “Mais tarde, essa pessoa pode enfrentar cardiopatias graves, como problemas nas coronárias, infarto ou derrame, além de diabetes.”

Médicos da Universidade de Amsterdã, na Holanda, também chegara a conclusões semelhantes. Divulgaram há dois anos trabalho constatando que crianças nascidas de mães desnutridas durante a gravidez tinham risco três vezes maior de desenvolver doenças cardíacas quando adultas.

Expectativa de vida

A pesquisadora explica que a pressão alta é responsável por 45% das mortes entre a população com renda familiar inferior a R$ 500. Só perde para as mortes violentas. Os brasileiros pobres vivem em média 47 anos, o mesmo que os afegãos, por exemplo. Entre a população que está abaixo da linha da pobreza, com renda inferior a R$ 90 mensais por pessoa, a situação é ainda pior. “Essas pessoas vivem de 45 a 50 anos, cerca de 20 anos a menos que os brasileiros das classes A e B”, alerta.

Para Fernandes, o maior problema na alimentação da população carente é a falta de proteínas, presentes em alimentos como o feijão e a carne. A pessoa pode até não passar fome, mas comer só arroz não adianta, explica. “São necessários alimentos ricos em aminoácidos, que ajudam no metabolismo e no crescimento”, explica.

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