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Nova droga dá esperanças a doentes com Alzheimer avançado

Belo Horizonte, 13 de Março de 2002 (Bibliomed). Uma substância ainda em fase de testes, apresentada em um encontro da Associação Americana para Psiquiatria Geriátrica, em Orlando, na Flórida/Estados Unidos, pode ser a nova esperança para os pacientes com o Mal de Alzheimer em fase avançada. A droga tem a capacidade de reduzir a atividade cerebral, minimizando os sintomas causados pela doença. Os cientistas afirmam que a memantina, como é chamada a substância, provoca a desaceleração das células cerebrais mais agitadas. Segundo os pesquisadores, a memantina reduz a progressão da doença.

O Mal de Alzheimer provoca a debilidade dos pacientes, que perdem as condições de cuidar de si mesmos e até de se lembrar das coisas mais rotineiras. Tomar banho, se vestir e comer tornam-se atividades impossíveis sem o auxílio de outra pessoa. A ciência ainda não descobriu a cura para o Alzheimer, que atinge 4 milhões de pessoas apenas nos Estados Unidos. Estimativas da Associação de Alzheimer dos Estados Unidos apontam que até 2050 a doença pode atingir 14 milhões de pessoas. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 37 milhões de pessoas no mundo tinham a doença em 2001. Já existem drogas, como a Aricept, que diminuem a progressão da doença. No entanto, sua eficácia ocorre apenas no estágio inicial.

A memantina, segundo os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, é uma esperança para conter a doença. Os médicos afirmam que as fases moderada e grave do Alzheimer, indicadas para o uso da droga, duram cerca de dois anos e meio. A memantina foi testada em 252 pacientes: metade tomou a droga e o restante, um placebo. Os progressos e os efeitos do medicamento foram observados nos voluntários. Os cientistas constataram a redução dos problemas funcionais e cognitivos dos pacientes. Os testes, no entanto, ainda não terminaram. A memantina atua no bloqueio da transmissão do NMDA, que é um dos mensageiros cerebrais que fica hiperativo em pessoas que sofrem com doenças como o Alzheimer.

O medicamento foi submetido à Food and Drug Administration (FDA), agência norte-americana que controla drogas e alimentos. A expectativa dos laboratórios Forest Inc., que acompanham os estudos, é de que a aprovação da FDA aconteça ainda em 2002. Na Europa, a substância já recebeu parecer favorável do comitê da União Européia, o que animou o grupo farmacêutico Lundbeck, que detém os direitos da substância na Europa, Canadá, Austrália e África do Sul.

Outra experiência pioneira que trouxe bons resultados no que diz respeito ao Alzheimer foi feita em 2001 e divulgada no fim do mês passado. Uma portadora de um tipo raro e hereditário da doença deu à luz a um bebê saudável. Para conseguir o feito, os médicos utilizaram a técnica de seleção de embriões antes da gravidez. O procedimento foi feito em duas clínicas particulares de Chicago, nos Estados Unidos. Os resultados do trabalho foram publicados na revista da Associação Médica dos Estados Unidos.

O bebê, uma menina, tem 17 meses e não apresentou a doença até agora. Apesar da experiência representar um avanço, o aspecto ético do trabalho tem sido questionado: a mãe do bebê tem 30 anos e deve morrer em pouco tempo. Em alguns meses, pode ser que ela nem mesmo reconheça a filha. Neste tipo raro de Alzheimer, que atinge 1% dos pacientes, a doença se desenvolve até os 40 anos, em média. Alguns pesquisadores questionam também o aspecto ético da seleção dos embriões. Óvulos e espermatozóides foram testados geneticamente em laboratório, escolhidos e implantados no útero. O temor é de que em alguns anos os pais passem a escolher e exigir filhos “perfeitos”, livres de doenças.

Os médicos que fizeram a seleção dos embriões afirmam que ainda é difícil identificar os genes causadores do Alzheimer. Por isso, a técnica de seleção de embriões não tem impacto na saúde pública e nem traz a garantia de que os resultados serão os mesmos em qualquer pessoa.

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