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Tal mãe, tal filho: A formação do hábito alimentar

Belo Horizonte, 28 de Fevereiro de 2002 (Bibliomed). A queixa mais comum no consultório pediátrico talvez seja “Meu filho não come nada!”. A rejeição a alimentos novos ou familiares é um grande problema na infância, e pode se prolongar pela adolescência e idade adulta, formando hábitos alimentares pouco saudáveis, com ingestão insuficiente de frutas e vegetais. E um dos vilões responsáveis pela formação destes hábitos pode ser o hábito alimentar da própria mãe.

Um estudo realizado com 193 garotas de 7 anos de idade mostrou que cerca de um terço delas não gostava de alimentos bons para a saúde, como vegetais, ou não gostava de experimentar alimentos novos, que não conheciam. Estas meninas odiavam principalmente vegetais, e consumiam menos de uma porção destes por dia, em média. As meninas não classificadas como “exigentes” consumiam em média 1,2 porções destes alimentos por dia.

A diferença encontrada no estudo não foi assim tão grande, mas sugere que estas meninas estão deixando de ingerir muitas vitaminas e minerais essenciais ao bom desenvolvimento, e provavelmente irão manter estes hábitos pela vida afora, tornando o problema acumulativo.

Quando os pesquisadores foram examinar os motivos que faziam com que estas meninas tivessem esta rejeição pelos alimentos, eles encontraram que aquelas que tinham mães que também eram “exigentes” e não consumiam elas mesmas grande variedade de alimentos, principalmente vegetais, ou que se dedicavam pouco à alimentação saudável da família tinham mais chance de apresentar estes comportamentos alimentares.

Os pesquisadores não encontraram ligação entre os hábitos alimentares dos pais e a alimentação das crianças, mostrando que o papel das mães como formadoras de opinião em relação a alimentos é muito mais importante do que o papel dos pais. São as mães, geralmente, que preparam ou pelo menos coordenam o cardápio da família, e parece que os gostos alimentares dos filhos são altamente influenciados pelos hábitos delas, por imitação do exemplo.

Este estudo é um alerta para as mães, mostrando que a ingestão de uma dieta saudável por parte delas não é importante apenas para sua própria saúde, mas para a saúde dos filhos, também. As crianças são grandes imitadoras, e o bom exemplo à mesa é essencial para a formação de um bom hábito alimentar que provavelmente irá perdurar por toda a vida. Os alimentos são a principal fonte de vitamina e minerais, não existindo compostos artificiais que se igualem a sua variedade. A criança aprende a comer observando seus pais, e segundo este estudo principalmente as mães, e não é possível querer que as crianças comam o que você mesmo rejeita.

Uma forma de acostumar as crianças com uma maior variedade de alimentos é oferecê-los o mais cedo possível, e estimular o consumo. O paladar, que discrimina os alimentos de que a gente gosta dos que a gente não gosta é formado a partir da experimentação e do hábito. Se, tão logo a criança comece a tomar papinhas e sopinhas, você incluir em sua dieta uma grande variedade de vegetais, o paladar dela será formado gostando destes alimentos. Quando a criança for mais velha e começar a fazer as refeições à mesa com o resto da família, a observação e imitação são muito importantes: ao ver alimentos que os pais gostam, se sentirão naturalmente atraídas para eles.

Servir diariamente uma variedade adequada de alimentos, evitando a monotonia alimentar, as torna acostumadas a diversos sabores, e mesmo curiosas quanto a sabores diferentes. Mas, se durante quase toda a semana, o cardápio só inclui batatas fritas, a criança se torna menos propensa a querer experimentar outras coisas, e pode estar surgindo um problema difícil de resolver e que, provavelmente, as irá transformar em adultos que se alimentam mal e, por sua vez, irão formar hábitos alimentares ruins em seus próprios filhos.

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