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"Lixo do DNA" Também Deve Ser Estudado, Diz Cientista

Por Maggie Fox

WASHINGTON (Reuters)
- A primeira análise aprofundada do genoma humano demonstra que ele é muito mais complicado do que os cientistas imaginavam.

Em vez de possuir um DNA com dezenas de milhares de novos genes que diferenciam as pessoas de camundongos, moscas-de-frutas e vermes, parece que temos relativamente poucos genes -- somente 30.000 a 40.000, anunciaram pesquisadores na segunda-feira. Estimativas anteriores indicavam 60.000 a 100.000.

As duas equipes separadas de cientistas, que disseram estar chocados com suas descobertas, afirmaram que isso significa que os genes podem não corresponder a tudo o que forma um organismo.

Os cientistas sabem que cada gene "expressa" ou controla uma proteína. E agora eles sabem que as proteínas devem se misturar e se combinar de formas mais importantes do que se imaginava. Mas eles também sabem que terão que retroceder e revirar o lixo do genoma -- o chamado "junk DNA" (DNA-lixo, em inglês) que muitos acreditavam não ter nenhum papel.

"Chamo isso de o suposto lixo", disse Eric Lander, chefe do sequenciamento do genoma no Instituto Whitehead, em Cambridge, Massachusetts, que faz parte do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e teve um papel importante no Projeto Genoma Humano, consórcio formado por 16 instituições de pesquisa públicas.

"O lixo é surpreendente", acrescentou Lander.

Lander disse que os pesquisadores vão analisar detalhadamente o lixo do genoma.

Quando as duas iniciativas, pública e privada, anunciaram o primeiro passo, o sequenciamento do genoma humano, em junho do ano passado, os pesquisadores conheciam pouco mais do que a existência de 3,1 bilhões de pares de bases de DNA no genoma humano.

Isso totalizava basicamente uma leitura das As, Cs, Ts e Gs -- os nucleotídeos que formam os degraus da dupla hélice de DNA. Se as combinações de letras certas estão reunidas, como A e T, G e A, G e C, elas formam um aminoácido.

Existem 20 tipos diferentes de aminoácidos e eles podem se unir de diversas maneiras para formar 250.000 proteínas diferentes. Como não existe um número determinado de aminoácidos para formar uma proteína, a variedade é ampla.

Cada uma das 100 trilhões de células do corpo, exceto os glóbulos vermelhos, possui uma cópia completa desse complemento do DNA. Mas cada célula não expressa todos os genes. Os neurônios precisam expressar certas proteínas, as células musculares e as células do sistema imunológico outras.

Às vezes, os genes controlam o que é expresso por outros genes, mas o "lixo" de DNA também pode desempenhar um papel, disseram os cientistas que publicaram suas descobertas nas revistas Science e Nature essa semana.

Sua descoberta surpreendente é que os relativamente poucos genes encontrados nos 3,1 bilhões de pares de bases estão agrupados. Entre eles, existe vastos espaços de "deserto", repetições de nucleotídeos que parecem não ter sentido.

Lander destacou que alguns desses espaços, que normalmente repetem a mesma sequência várias vezes, parecem indicadores da história da evolução.

"Considerando todos os elementos repetidos do genoma, podemos colocá-los juntos em uma árvore genealógica", disse Lander. "Agora, o genoma se torna um registro fóssil", acrescentou Lander.

Sabe-se que vírus conhecidos como retrovírus podem tornar seu DNA uma parte permanente do nosso -- e também de todos os outros mamíferos -- mas os cientistas descobriram evidências de que as bactérias fizeram o mesmo.

Lander disse que sua equipe pode afirmar que, antes dos humanos se tornarem humanos, nossos ancestrais pararam de adquirir novos genes de vírus e bactérias e pararam de transferir genes no genoma, um processo conhecido como transposição.

Sinopse preparada por Reuters Health

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