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Surpresa no Número de Genes Representa Novo Desafio

SÃO PAULO (Reuters) - Mais do que respostas sobre doenças como câncer e Parkinson, o genoma humano trouxe com sua conclusão, anunciada nesta segunda-feira, uma série de perguntas. Uma delas, que vai dar muito trabalho aos cientistas, é como o corpo humano pode ser tão complexo com um número tão pequeno de genes em comparação a outros organismos.

O número inicial, baseado em apenas parte do sequenciamento do genoma humano (o mapa que contém a ordem das letras A, T, C e G, que formam genes), era estimado em 100 mil. Agora, os cientistas estimam que seja algo em torno de 30 mil a 40 mil, apenas o dobro da mosca-da-fruta ou de um verme.

A partir dessas descobertas, os pesquisadores querem entender como o corpo humano pode ser tão complexo com um número tão pequeno de genes para regular o seu funcionamento.

A resposta só pode estar nas proteínas, substâncias fabricadas a partir dos genes. Quando e em que quantidade são fabricadas parecem ser as variantes que determinam o funcionamento do corpo humano.

Por isso, cientistas estão trabalhando no mapeamento das proteínas, projeto chamado proteoma.

"As estruturas tridimensionais das proteínas determinam a sua função", explicou Cheryl Arrowsmith, uma das coordenadores do Projeto Proteoma, do consórcio público formado por cientistas de todo o mundo. Segundo ela, as proteínas humanas são mais difíceis de desvendar do que as de bactérias.

"Estamos trabalhando para criar formas de entender melhor as proteínas humanas antes de investir mais no mapeamento. Mas estamos trabalhando simultaneamente nos dois projetos", disse. Entender como funcionam as proteínas é uma forma de compreender o corpo humano e o processo da instalação de uma doença.

"Com essa informação, poderemos criar remédios melhores", afirmou Arrowsmith.

Outra descoberta dos cientistas que trabalharam no Projeto Genoma Humano, tanto no âmbito público com particular (liderado pela empresa Celera), é que as pessoas têm uma mapa genômico muito similar, com uma diferença de apenas 0,01 por cento.

Essas diferenças poderiam explicar, segundo especulam os cientistas, por que uma pessoa tem uma predisposição maior para certas doenças. As diferenças, chamadas de SNPs (sigla em inglês para polimorfismo único de nucleotídeos, que se pronuncia snips), também estão sendo mapeadas, tanto pelo consórcio público como pela Celera. Essa promete ser a próxima grande corrida do mundo científico.

As novas descobertas serão publicadas esta semana nas revistas científicas Nature e Science.

Sinopse preparada por Reuters Health

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