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Neurotransmissor Pode Explicar Dependência a Alimento e Droga

25 de Janeiro de 2001 (Bibliomed). Dependentes de drogas e pessoas que comem compulsivamente podem ter alterações semelhantes na química cerebral que as faz querer sempre mais.

Essa é apenas uma das teorias apresentadas durante uma conferência sobre a relação entre dependência química e distúrbios alimentares. Sabe-se que as pessoas que sofrem de bulimia e anorexia nervosa são mais propensas a ser dependentes a drogas, álcool ou nicotina, mas as razões para isso ainda não estão claras.

Segundo Alan I. Lesherner, diretor do Instituto Nacional sobre Dependência de Drogas, um dos departamentos do National Institute of Health (NIH), os fatores que levam uma pessoa a abusar das drogas ou comer compulsivamente podem usar os mesmos circuitos cerebrais.

Estudos mostram que restringir a alimentação altera os níveis de dopamina - uma substância química cerebral associada à sensação de prazer - em cérebros de ratos. Também se sabe que a cocaína torna o cérebro de uma pessoa mais sensível a heroína por meio de mudanças nos níveis de dopamina, informou Leshner.

"A restrição alimentar poderia sensibilizar o cérebro para as drogas", disse o pesquisador à Reuters Health.

"Os pesquisadores ainda não entendem completamente tudo sobre a co-ocorrência de distúrbios alimentares e dependência química", disse Joseph Califano, presidente do Centro Nacional de Dependência Química da Universidade de Colúmbia, na cidade de Nova York, um dos promotores do evento.

O que se sabe é que pessoas com certos distúrbios alimentares são mais propensas a fumar, beber e se tornarem dependentes a drogas. Por exemplo, estudantes que já fazem dieta na 6a. série são mais de 20 por cento mais propensos a beber álcool quando chegam ao 2o. grau.

Quanto mais frequentes as dietas feitas por adolescentes do colegial, mais propensas elas se tornam a usar drogas e ser dependentes de álcool, informou Califano.

Entre 12 e 18 por cento dos anoréxicos e 30 a 70 por cento dos bulímicos abusam do tabaco, do álcool e de pílulas vendidas sem receita médica.

Estudos anteriores mostraram que pessoas que fumam muito podem usar a nicotina para administrar problemas psiquiátricos como bulimia e alimentação compulsiva.

Conforme um estudo, a nicotina pode alterar rapidamente a química cerebral, incluindo a dopamina, sendo capaz de relaxar ou estimular, dependendo da frequência e dosagem da droga.

Muitas mulheres usam o fumo para controlar o peso. Califano diz que garotas que fumam para não sentir fome constituem um dos principais grupos de novos dependentes em nicotina, e as mulheres que fumam são mais de duas vezes mais propensas que os homens a citar o controle de peso como uma razão para não parar de fumar.

"A indústria do tabaco entendeu a relação entre o fumo e o controle de peso duradouro antes dos especialistas em saúde pública", disse Califano ao descrever um anúncio de 1920 dos cigarros Lucky Strike que aconselhava as mulheres : "Pegue um Lucky Strike em vez de um doce".

O último slogan dos cigarros Capri é "não há jeito mais fino de fumar".

A natureza da relação é complexa. Pais, companheiros, mídia e fatores genéticos podem contribuir para aumentar o risco de um jovem de desenvolver distúrbios alimentares e problemas com drogas e álcool, apontaram outros painelistas.

Steven Leverkron, terapeuta de Nova York, disse que a cultura e os companheiros podem influenciar o comportamento de um adolescente, mas os pais têm o papel mais importante.

"Não há dúvida de que a relação com os pais é o ponto principal no desenvolvimento da personalidade, constituição emocional e sistema químico de uma criança", disse Levenkron, especializado no tratamento de meninas com anorexia.

"As crianças incorporam e ouvem tudo. Como os pais e as babás, mediamos a cultura", disse o especialista.

Estudos recentes apoiam essa idéia. Conforme um estudo, a influência dos pais determina se um jovem vai ou não se tornar "altamente preocupado com o peso" ou "estar em dieta permanente", independentemente da idade e do peso da criança.

Outro estudo verificou que a preocupação dos pais com o peso da criança pode prejudicar a auto-estima das meninas já aos 5 anos de idade. Garotas cujos pais eram mais preocupados com o seu peso achavam que tinham menos capacidade para atividade física. Garotas cujas mães restringiam a alimentação expressaram menos confiança na sua capacidade intelectual e tinham baixa auto-estima.

A conferência foi promovida pelo Centro Nacional de Vício e Dependência Química da Universidade de Colúmbia, Instituto Nacional de Dependência de Drogas, Instituto Nacional de Saúde Mental e Commonwealth Fund.

Copyright © 2001 Bibliomed, Inc.

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