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Família/ Bola de Cristal Está no DNA

29 de Abril de 2000 (Bibliomed). Estão na genética as maiores esperanças de cura para as doenças que afligem a humanidade. Ainda não é possível interferir diretamente nos gens defeituosos, mas enquanto isso, a medicina vem se beneficiando de meios cada vez mais aprimorados de diagnóstico através da minuciosa análise dos genes e cromossomos humanos.

Os benefícios dos testes genéticos são muitos. Quanto antes o médico descobre o que seu paciente tem de fato, maiores as possibilidades de cura ou amenização dos sintomas. E não são poucas as doenças que precisam de muita investigação até serem diagnosticadas, o que acaba sacrificando ainda mais os seus portadores.

A distrofia muscular, doença que leva à imobilidade em função do enfraquecimento progressivo da musculatura, a fibrose cística, que afeta principalmente o pulmão e provoca pneumonias repetidas e alguns tipos de hemofilia são algumas doenças que podem ser diagnosticadas por esses testes, com enorme benefício para os seus portadores.

Algumas doenças podem ser identificadas ainda no útero, como conta a correspondente de Londres em artigo complementar (basta clicar aqui genética para entrar nele.

Há ainda os chamados testes preditivos, capazes de prever as doenças que afetarão o indivíduo no decorrer da sua vida. Na verdade, antes mesmo do nascimento é possível saber, através desses testes, se uma pessoa carrega ou não alguma alteração genética que fará com que desenvolva uma certa doença. No entanto, esses tipos de teste envolvem questões éticas delicadas, que fazem com que eles sejam utilizados com muita cautela.

O câncer de mama e de ovário são algumas das doenças cujas táticas de prevenção vêm se beneficiando com os testes preditivos. Isso porque cerca de 10% desses tipos de câncer ocorrem por herança genética. Assim, filhas e irmãs de mulheres que têm câncer de mama ou ovário podem saber desde cedo se possuem ou não chances de ficar doentes.

Trabalhos de aconselhamento genético para detecção destes tipos de câncer vêm sendo desenvolvidos no Inca (Instituto Nacional do Câncer) e no Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz, no Rio de Janeiro, e no Hospital A. C. Camargo, em São Paulo. Mas sempre com muito critério. "Não se trata apenas da consciência da doença, mas da estrutura que o paciente possui para lidar com esse novo dado na sua vida", afirma a geneticista clínica Dafne Horovitz.

A maior vantagem dos testes preditivos é a possibilidade de prevenção que eles abrem para as doenças. No caso do câncer de mama ou ovário, as mulheres que descobrem sua predisposição podem adotar desde cedo práticas, que incluem uma alimentação saudável, exercícios e a eliminação de hábitos que podem colaborar para a doença, como o fumo. O apoio psicológico também faz parte do trabalho de aconselhamento genético.

Para algumas pessoas, saber que há uma doença à sua espera no futuro é como conviver com uma bomba-relógio.

Testes genéticos também podem ser indicados em famílias onde existe o histórico de determinada doença ou síndrome, ou em alguns grupos étnicos que são vítimas preferenciais de alguns males: a anemia falciforme, que atinge a raça negra, a talassemia, freqüente nas populações mediterrâneas e a fibrose cística, comum nos caucasianos. Em algumas comunidades judaicas, os testes para a Doença de Tay Sachs, que leva à morte antes dos 4 anos de vida, já faz parte da rotina pré-concepcional.

Os testes genéticos poderiam facilitar uma nova modalidade de discriminação social.

São evidentes os benefícios dos testes genéticos, mas os geneticistas acreditam que eles não deverão nunca funcionar como rotina médica. Esses especialistas estão atentos ao perigo de que os testes genéticos possam ser utilizados no futuro para fins discriminatórios, como fator condicional para ingresso em postos de trabalho ou seguros de saúde. Pessoas que tivessem a possibilidade de desenvolver algum tipo de doença seriam prejudicadas.

Por todas essas razões, os testes genéticos certamente continuarão reservados para finalidades bem específicas, como a confirmação de uma suspeita médica e como adjunto na prevenção de complicações evitáveis em famílias predispostas.

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