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Bebê é Gerado em Proveta Para Ser Doador Para Irmã

Por AliciaMarie Belchak

NOVA YORK (Reuters Health) - Um bebê está no centro de uma discussão ética sobre o grau de controle que os pais devem ter sobre os genes de seus filhos.

À primeira vista, Adam é apenas um bebê saudável, mas ele é muito mais que isso.

Diferente da maioria das crianças, Adam foi selecionado entre seis embriões provenientes de fertilização in vitro, por meio de um teste genético, chamado diagnóstico genético pré-implantação (PGD, sigla para pre-implantation genetic diagnosis).

No PGD, uma célula de um embrião com oito células é submetido a um teste para detectar mutações genéticas.

O processo não afeta o desenvolvimento da criança, mas permite que os pais saibam se alguma doença genética foi transmitida para o embrião.

O embrião, que se tornaria Adam, foi escolhido por não ser portador de uma doença genética rara, a anemia de Fanconi.

Outro critério para seleção do embrião foi sua compatibilidade para um transplante para sua irmã de 6 anos, portadora da doença.

Os médicos afirmam que esta é a primeira vez que o PGD foi empregado para produzir não apenas um bebê saudável mas também um doador.

De qualquer forma, o nascimento de Adam está suscitando questões éticas sobre o uso dessa tecnologia e seu impacto nas famílias e na sociedade.

"Alteramos o curso da natureza e isso é o que importa", disse Jeff Khan, do Center for Bioethics (Centro para a Bioética) da Universidade de Minnesota, em Mineápolis.

"Em vez de fazer testes para evitar doença genética na criança gerada, estamos testando sua compatibilidade com outra pessoa", disse Khan.

"Não se trata mais de uma característica da saúde ou doença da criança, mas da saúde e da doença de outra pessoa", analisou o especialista.

Os pais estão selecionando características genéticas não de acordo com o interesse da própria criança, mas para alguma outra pessoa, disse Kahn à Reuters Health.

Isso evoca outros casos em que os pais decidem ter outro filho para ter um doador compatível com um filho doente.

Para Kahn, isso pode levar os pais a querer selecionar características como cor dos olhos, altura, inteligência, habilidade atlética, orientação sexual e etc..

"Precisamos discutir o assunto como uma questão de política social. Até onde deveríamos permitir que isso aconteça ? Quais aplicações da técnica de PGD seriam aceitáveis e quais não seriam?" questiona Kahn.

"Quando, e se isso ocorrer, passaremos a dizer que não queremos tais e tais características em nossos filhos?"

Para Kahn, até agora a questão do controle dos pais sobre os genes dos filhos não precisava ser objeto de um debate nacional, mas os avanços da genética mostram que é preciso começar a enfrentar essas questões éticas.

"Não poderíamos ter esse debate antes porque não tínhamos as ferramentas (genéticas), mas agora estamos bem próximos de tê-las", analisou Kahn.

"É importante discutir essas questões de uma forma ativa, com vistas ao futuro, do mesmo modo como fazemos com o aborto e o suicídio assitido", concluiu o especialista.

Sinopse preparada por Reuters Health

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