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Artigos de saúde

Lesão química dos olhos e corpo estranho ocular

Neste artigo:

- Exame físico
- Corpo estranho
- Tratamento das queimaduras oculares
- Referências

A avaliação inicial de um paciente com lesão ocular requer um exame sistemático. Medidas terapêuticas simples, tomadas antes que um oftalmologista esteja disponível, geralmente podem salvar a visão do paciente e prevenir seqüelas graves.

A avaliação inicial no trauma ocular é feita "de fora - para dentro", isto é, inicia-se com as estruturas mais externas e depois se avaliam as mais internas de modo a não permitir que lesões passem despercebidas. A lesão ocular pode evoluir com o tempo, e o paciente deve ser reavaliado periodicamente.

Estudo feito pela (HGV) / Universidade Federal do Piauí (UFPI), no período de outubro de 1997 a março de 1999, em 713 pacientes portadores de trauma ocular revelou:

Os pacientes foram acometidos principalmente na terceira década de vida, correspondendo a um total de 312 pacientes (43,75%). Com relação à atividade desenvolvida durante o trauma, 158 pacientes (22,16%) eram metalúrgicos, 153 (21,46%) serralheiros e 126 (17,67%) mecânicos. No tocante ao corpo estranho, 489 (68,58%) eram ferro e 47 (6,59%) outros metais. Referente a localização, 587 corpos estranhos (81,64%) estavam localizados na córnea e 124 (17,1%) na conjuntiva. Além dos corpos estranhos 361 (48,39%) dos pacientes apresentaram queimadura córneo-conjuntival.

Exame físico

Acuidade Visual

A acuidade visual é avaliada primeiramente por qualquer método possível, como por exemplo, pedir para o paciente contar quantos dedos o médico socorrista mostra, a uma distância de um metro, e deve ser registrada.

Pálpebras

As estruturas mais externas a serem examinadas são as pálpebras. As pálpebras devem ser avaliadas pesquisando-se inchaços, queimaduras, cortes, presença de corpos estranhos, entre outros.

Órbita

A palpação dos contornos dos olhos deve ser feita cuidadosamente com o intuito de se identificar deformidades ou fraturas.

Globo Ocular

As pálpebras devem ser afastadas para se examinar o globo ocular sem se aplicar muita pressão sobre o mesmo. O globo ocular é então avaliado na procurando-se identificar deslocamentos do mesmo, para frente ou para trás. E também serão avaliados quanto à sua movimentação e quanto à existência de diplopia ( visão dupla).

Pupilas

As pupilas serão avaliadas através do seu contorno, igualdade e reação à luz.

Córnea

Queimaduras da córnea resultam em dor, sensação de corpo estranho, fotofobia, diminuição da acuidade visual e hematoma.

Conjuntiva, câmara anterior do olho, íris, cristalino, corpo vítreo e retina também devem ser examinados, mas isto exige a presença de um oftalmologista.

Corpo estranho

Resulta em lacrimejamento, dor e "sensação de areia os olhos", que piora com a movimentação da pálpebra.

Empalamentos e corpos estranhos penetrantes não devem preocupar nesta fase do exame já que serão removidos apenas na sala de cirurgia pelo oftalmologista ou pelo médico especialista indicado.

Se o paciente necessita de transporte para outro serviço, para tratamento definitivo desta ou de outras lesões, deve ser colocado um curativo no local com a finalidade de cobrir a lesão, e também para estabilizar a posição do corpo estranho empalado, impedindo, desta maneira, sua movimentação durante o transporte.

Corpos estranhos na córnea podem ser removidos às vezes com lavagem local. Contudo, se o corpo estranho encontra-se empalado, o paciente deve ser avaliado pelo oftalmologista. Corpos estranhos na córnea são tratados, nesta fase inicial, com colírio ou pomada de antibióticos.

Queimaduras oculares

As queimaduras do segmento anterior podem ser de natureza química, térmica, elétrica ou por radiação.

A. Queimaduras químicas são as mais urgentes e geralmente são causadas por álcalis ou ácidos. Outras formas de queimaduras que devem ser tratadas como queimaduras químicas são aquelas provocadas por gás lacrimogêneo. Geralmente, considera-se que este produto químico não cause lesão ocular permanente; contudo, há relatos de perda permanente da visão após este tipo de queimadura.As lesões oculares por fogos de artifício e foguetes de sinalização contendo hidróxido de magnésio também devem ser tratadas como queimaduras químicas e não-térmicas.

B. Patologia das queimaduras químicas. As queimaduras químicas mais graves são produzidas por materiais alcalinos, tais como:

  1. Soda cáustica (NaOH);
  2. Hidróxido de potássio (KOH);
  3. Cal [Ca(OH)2] e substâncias dela derivadas, como gesso e cimento;
  4. Amônia (NH4), que está presente em fertilizantes, produtos para refrigeração e limpeza doméstica.

Tratamento das queimaduras oculares

A - Tratamento imediato de queimaduras químicas consiste em irrigação abundante, usando a fonte de água que estiver mais imediatamente disponível (chuveiro, torneira, bebedouro, mangueira ou banheira). Quanto maior o intervalo de tempo entre o acidente e a irrigação com água, pior o prognóstico. A vítima não deve esperar por soro fisiológico estéril ou soluções neutralizantes.

As pálpebras devem ser afastadas, irrigando-se o(s) globo(s) ocular(es) continuamente com água. A lavagem inicial no local do acidente deve continuar por vários minutos, de maneira a proporcionar uma irrigação abundante de ambos os olhos.

O paciente tende a fechar os olhos e isto pode dificultar a lavagem. O uso de um pano ajudará o irrigador a manter abertas as pálpebras da vítima, as quais muitas vezes se apresentam espásticas e escorregadiças.

B - Após a lavagem inicial, o paciente deve ser levado imediatamente para um pronto-socorro, telefonando-se antes para que o tratamento esteja à espera do paciente no momento em que chegar. No pronto-socorro, a lavagem é mantida com, pelo menos, 2.000ml de solução fisiológica durante um período mínimo de 1 hora.

Se necessário, devem ser usados retratores de pálpebra, instilando-se anestésico tópico a cada 20 minutos para aliviar parte da considerável dor.

O médico deverá, usando cotonetes esterilizados tentar remover qualquer corpo estranho que possa ter ficado retido no momento do ferimento. Se a eversão das pálpebras superiores ou inferiores revelar a presença ainda de restos do produto químico agressor nos tecidos, deve-se usar uma solução de ácido etilenodiaminotetracético (EDTA).

Após a lavagem, deve ser realizado um exame meticuloso à procura de lesões oculares perfurantes. Deve-se evitar a compressão direta do globo ocular durante a lavagem se houver qualquer suspeita de lesão do globo ocular

C - A irrigação deve ser mantida até que o papel medidor de pH revele que as leituras conjuntivais estejam próximas do normal (pH entre 7,3 e 7,7). Uma vez alcançado um pH relativamente normal, o paciente deve ser examinado novamente após 5 minutos para verificar se o pH não está mudando outra vez em direção à acidez ou à alcalinidade, de acordo com a natureza da queimadura.

D - Medicamentos. Enquanto o pH está sendo estabilizado em direção à normalidade, os colírios midriáticos-cicloplégicos (ciclopentolato a 1,0% ou escopolamina a 0,25% e fenilefrina a 2,5%) devem ser instalados para dilatar a pupila e evitar aderências maciças da íris ao cristalino e também para reduzir a dor.

Após completada a lavagem, antibióticos, tais como pomada de polimixina-bacitracina, gentamicina ou tobramicina, devem ser iniciados para proteger contra infecções.

E - Para a dor devem ser administrados analgésicos por via oral ou endovenosa.

Um exame físico completo de emergência deve ser feito não apenas pelo oftalmologista, mas também por um otorrinolaringologista e por um clínico geral, pois muitas substâncias químicas tóxicas são aspiradas ou engolidas no momento do acidente, podendo existir queimaduras químicas concomitantes no trato respiratório ou na boca ou esôfago.

F - Uma vez controlada a situação de emergência imediata, o olho queimado é tampado e o paciente é acompanhado no ambulatório ou deverá ser internado se a queimadura for muito grave.

Referências

  1. Arq. Bras. Oftalmol. vol.65 no.2  São Paulo Mar./apr. 2002: Urgência Oftalmológica: Corpo estranho ocular ainda como principal causa
  2. Arq Bras Oftalmol 2003;66:57-60, Trauma ocular ocupacional por corpo estranho superficial.
  3. Deborah Pavan-Langston Manual de oftalmologia – Diagnóstico e tratamento - Medsi Editora - 2001
  4. Medical Clinics of North America Volume 90 • Number 2 • March 2006 Approach to Ophthalmologic Emergencies

Copyright © 2006 Bibliomed, Inc.           17 de Julho de 2006.



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