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Artigos de saúde

Para cuidar dos cuidadores, heróis de todos os dias

Neste artigo:

- Plantão Médico
- Médico do interior
- Os Besteirologistas

"Queres ser médico, meu filho? Esta é a aspiração de uma alma generosa, de um espírito ávido de ciência.
Tens pensado bem no que há de ser a tua vida?"
Esculápio

"Seguramente Deus escolhe seus servos ao nascerem ou talvez antes mesmo do nascimento"
Epicteto

As comemorações do próximo Dia Mundial da Saúde – 7 de abril – estarão voltadas para o reconhecimento da contribuição dos trabalhadores da saúde.

A escolha da homenagem foi feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que a cada ano escolhe uma temática para estimular discussões que contribuam para a promoção da saúde. Além da data, a OMS escolheu 2006 como o Ano dos Trabalhadores da Saúde.

De acordo com a entidade, todas as ações estarão voltadas para o reconhecimento da contribuição desses trabalhadores para a melhoria da qualidade de vida do mundo. A recomendação é para que sejam promovidos eventos que induzam e apóiem iniciativas de valorização e de desenvolvimento em recursos humanos.

O Dia Mundial da Saúde enaltece este ano aos homens e mulheres que trabalham no campo da saúde, mas não somente os médicos e enfermeiras, os trabalhadores da saúde pertencem a várias categorias de nível superior ou não. Entre elas estão os agentes de saúde, médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, assistente social, psicólogo, farmacêutico, educador físico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, nutricionista, dentista.

No caso do Brasil, tendo em vista a relevância da problemática de recursos humanos no contexto do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a Representação da OPAS/OMS, adotará o tema GENTE QUE FAZ SAÚDE como mensagem simbólica dos esforços a serem ampliados em prol dos trabalhadores em saúde no país.

O propósito é realizar homenagens aos trabalhadores da saúde que geralmente não recebem o reconhecimento que merecem e agradecer-lhes por trabalhar pela saúde e pela qualidade da vida no mundo.

São anônimos sem rosto, que muitas vezes você encontra nas madrugadas, amarrotados, cansados, sem um salário digno e que cuidam de você, curam suas feridas, tratam da sua alma. Mas quem são estes seres abnegados que estão a postos, oferecendo uma mão amiga e trabalhando com dedicação e responsabilidade? Estão espalhados pelo mundo, e "Seguramente Deus escolhe seus servos ao nascerem, ou talvez antes mesmo do nascimento".

Que estas historias que incluímos aqui sejam uma mostra singular do trabalho e vocação destes trabalhadores e seu enorme aporte ao progresso deste mundo.

Eles são nossos heróis de todos os dias.

Vamos conhecer um pouco do trabalho destes anjos sem asas.

Plantão médico

Já passa das 2 da manhã e o que impressiona é que, apesar de tudo que já aconteceu, de todos os pacientes que foram para a UTI, para cirurgia ou para casa, o pronto-socorro continua completamente lotado e todos a postos. "O cansaço fica para mais tarde", diz um enfermeiro puncionando uma veia.

Pacientes vão chegando aos montes parece que houve alguma catástrofe, "mas é assim o nosso dia a dia, isso aqui não para e nunca fecha as portas", diz a pediatra de plantão, tentando olhar a garganta de um pequeno que se debate ferozmente.

Às vezes, é preciso parar alguns minutos. Uma senhora espera notícias do filho que está na UTI. O médico terá que dizer que desta vez, perdeu a batalha. "A morte é nossa grande inimiga, e quando a gente perde esta luta, acaba sendo muito difícil para a gente também", comenta o médico, com a voz embargada.

A vida de um paciente não depende só dos médicos. Antes de chegar ao hospital, a batalha contra a morte começa no transporte do paciente. Já dentro do carro, o condutor acalma a acompanhante e conversa com o paciente.

Para que o enfermeiro possa trabalhar, o condutor mantém diálogo com o paciente e, ao mesmo tempo, passa para o médico, através do rádio, as informações necessárias.

O transporte dos pacientes pela cidade é complicado e difícil, nem sempre facilitado pelos outros motoristas.

Benedito, um dos condutores das ambulâncias do SAMU, conta que, num desses "pecados" dos motoristas, um carro se encontrava estacionado na porta da garagem de um paciente, durante um Show, que ocorria nas proximidades. Médicos conseguiram chegar a pé, mas a ambulância ficou no meio do caminho. Todos os esforços foram realizados, mas a vida não foi salva.

Correndo contra o tempo, a equipe entrega o paciente no Hospital, já com os primeiros atendimentos prestados, e tudo entra em uma temporária calmaria.

Já passa das 6 horas, o cansaço invade a sala, mas não a falta de motivação destes anjos da noite.

Médicos do interior

Quem não conhece alguma historia que envolva estes heróis infatigáveis, que cuidam desde uma unha encravada até um parto complicado? É uma tarefa difícil, que conta com poucos candidatos, que, no entanto são os mais dedicados e envolvidos, 24 horas no ar.

O casal se formou em medicina na década de 70 e decidiu que ser médico era sua missão e o interior do país precisava deles. Quando chegaram, a região era pouco conhecida e longe de tudo.

Mais do que tratar das doenças, a tarefa básica ao chegar à região foi ajudar a população a enfrentar e solucionar seus problemas básicos de saúde, higiene e de alimentação. Até hoje a população se lembra do entusiasmo que tinham e que nunca se acabou, ajudando a todos e também ajudados pelos que se interessavam e aos quais iam introduzindo aos poucos dentro da profissão.

Seu Chico, lá pelos altos do Jequitinhonha, se lembra bem quando aprendeu a plantar hortas e fazer a privada caseira, duas lições simples e que ajudaram muita gente.

O trabalho se multiplicou nessas três décadas e muita gente se engajou nele, conta a Médica Pediatra, feliz da vida. Uma creche foi uma das realizações destes dois heróis. Nela ficam crianças desnutridas sendo que algumas foram abandonadas por suas famílias. "Aqui elas são tratadas até se recuperarem". Algumas não saem mais e outras são adotadas, como é o caso de Tião, adotado por uma agente de saúde, que conta com orgulho que "agora o moço é um rapagão e trabalha na Caixa".

Este é só um dos exemplos de doação de uma vida, dos milhares de heróis que todos os dias anonimamente, devotam suas vidas pela vida de outras pessoas. E é com orgulho que contamos aqui um pedacinho de sua historia, para que seja passada pra frente e para que não seja esquecida.

Os Besteirologistas

Intitulam-se "Besteirologistas", não têm formação em saúde, no entanto fazem tão bem à alma dos pacientes, quanto os que cuidam do nosso corpo. Eles "pelejam" e conseguem aliviar um pouco a dor de quem os vê, a dor dos pequenos doentes e a dor de seus pais, que sofrem junto.

É assim que se vê este grupo, tão vivo e que irradia alegria, Os Doutores da Alegria. São vários "Doutores" de nomes estranhos: Dra Lenoura, Dr Invólucro, Dr Valdisney, Dr Severino e por aí vai.

Tudo começou há uns 20 anos atrás, resultado da severidade com que se tratavam os pacientes dentro de um hospital, com pouca abertura para outras ciências que não fossem tão sérias quanto a medicina.

"UTI não é lugar de palhaço, disse a médica severamente.
- Nem de crianças, respondeu Michael Christensen".

O diálogo acima foi travado entre uma médica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital Columbia Presbyterian Babies, de Nova York, em 1986, e o fundador do projeto Clown Care Unit que teve início nos Estados Unidos e depois atingiu França, Alemanha e Brasil. O projeto chegou ao Brasil, em 1991, pelas mãos do ator Wellington Nogueira, que trabalhou como clown, por 3 anos em Nova York.

Aqui no Brasil, começaram a dar credito a seu trabalho e vários atores foram então contratados para fazer parte da troupe que agora trabalha em uns 10 hospitais, cerca de 6 horas por dia, em parceria e patrocinadas por várias entidades como a Telemar, dentre outras instituições, além de receber amparo institucional da "Lei Federal de Incentivo à Cultura", do Ministério da Cultura.

Os relatos são muitas vezes emocionantes e ajudam também aos médicos, tanto no seu trabalho diário, facilitando sua relação com os pacientes, quanto aliviando um pouco a dor e o sofrimento que eles sentem, quando muitas vezes já se esgotou o que podiam oferecer. Alguns valem a pena ser transcritos, como o da criança internada em uma UTI, uma leucemia grave e em fase terminal. Quase não dava sinal de vida, mas os Doutores da Alegria, aos poucos, cantando suas canções birutas fizeram com que o pequeno esboçasse um leve sorriso e balançasse as mãozinhas, manifestando ainda um fiapo de vida. O consolo foi também para a mãe e para o pessoal, que vive o dia a dia destes pequenos e sofre junto, arrancando forças não se sabe de onde.

Aos doutores da alegria, uma homenagem e um muito obrigado, no Dia Mundial da Saúde.

A OMS quer incentivar às comunidades locais e aos governos a que selecionem e homenageiem dignamente a pequenos grupos de trabalhadores, para que eles exemplifiquem a diversidade e o espírito de trabalho dos trabalhadores da saúde de todo o país.

Copyright © 2006 Bibliomed, Inc.                                        06 de abril de 2006.



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