Publicidade

Artigos de saúde

Úlcera péptica

Neste artigo:

- Introdução
- Como a úlcera se desenvolve?
- O que o paciente sente?
- Como é feito o diagnóstico?
- Como é feito o tratamento?
- E a cirurgia?
- Quais são as complicações?

"Úlcera é definida como uma lesão aberta, com perda de tecido, que ocorre na pele ou nas mucosas, ou seja, é uma ferida. A úlcera péptica é uma lesão (ferida) da mucosa do aparelho gastrintestinal, que ocorre principalmente no estômago e no duodeno (porção inicial do intestino)."

Introdução

A úlcera péptica é uma doença comum, em todo o mundo, acometendo principalmente os indivíduos com idade entre 30 e 70 anos. Não existem dados brasileiros oficiais, mas acredita-se que até 10% da população tem, já teve ou terá úlcera péptica, em algum momento da vida.

Como a úlcera se desenvolve?

Para que ocorra a digestão dos alimentos, o estômago precisa produzir ácido clorídrico e outras substâncias que são responsáveis por iniciar o processo. Com isso, o conteúdo desse órgão fica bastante ácido, o que poderia levar a lesão de suas paredes caso o organismo não tivesse desenvolvido mecanismos de proteção.

As células do estômago produzem muco, uma espécie de substância gelatinosa, que recobre sua parede e é um dos principais mecanismos protetores. Outros fatores protetores são a secreção de bicarbonato (que neutraliza o ácido) e a descamação constante da mucosa gástrica. Todos esses mecanismos protetores são controlados pela produção de algumas substâncias chamadas genericamente de prostaglandinas. Isso é importante, porque determinados medicamentos antiinflamatórios inibem a produção das prostaglandinas, comprometendo os fatores protetores do estômago e do duodeno. Por isso que sentimos dor de estômago quando tomamos alguns desses medicamentos.

Durante muito tempo se acreditou que a úlcera péptica resultava da ação do ácido nas paredes do estômago e do duodeno, corroendo as mesmas e formando as feridas. Porém, hoje sabemos que a doença surge quando há um desequilíbrio entre os fatores agressores e protetores da mucosa gástrica/duodenal. O ácido gástrico passou a ser um co-ator na gênese dessa doença.

Na ausência do uso de antiinflamatórios (especialmente os chamados "não-esteroidais") e de tumores que estimulam a produção de ácido, quase todas as úlceras de estômago e duodeno estão relacionadas à infecção por uma bactéria: o Helicobacter pylori. Essa infecção é extremamente comum, podendo acometer até 95% da população; a bactéria habita o estômago e é responsável pelo desequilíbrio que leva à formação das úlceras. Os fatores que atuam em conjunto com essa bactéria, na lesão da mucosa, são o uso de antiinflamatórios e o tabagismo.

Não existe comprovação científica de que os alimentos (café, refrigerantes, leite, álcool e condimentos) favoreçam o desenvolvimento de úlcera péptica. Da mesma forma, as pessoas em geral acreditam que exista um fator psicológico envolvido nessa doença, mas isso também não foi confirmado.

O que o paciente sente?

O sintoma mais comum é a dor, geralmente em queimação, não muito intensa, localizada na região do estômago ("boca do estômago"). Os pacientes comumente relatam-na como ‘dor de fome’. A dor dura semanas e apresenta uma ritmicidade, que não é exclusiva de cada tipo de úlcera:

• Dor que começa 2-3 horas após a alimentação, e à noite (podendo acordar o paciente de madrugada), que melhora com o uso de antiácidos e com a ingestão de alimentos. Esse tipo de dor está mais associado à úlcera de duodeno.
• Dor que piora ou é desencadeada quando o paciente se alimenta. Esse tipo é mais comum na úlcera de estômago.

Uma outra característica importante é a presença de períodos de melhora e outros de piora da dor. Outros sintomas que podem surgir são: náuseas, vômitos, eructação ("arrotos"), flatulência (eliminação de gases), entre outros.

É importante ressaltar que alguns pacientes são completamente assintomáticos, tendo como primeira manifestação uma das complicações da doença.

Como é feito o diagnóstico?

O médico, diante de um quadro sugestivo de úlcera péptica, pode ou não solicitar exames complementares. Inicialmente ele pode apenas pedir um exame para avaliar se existe infecção pelo H. pylori. Caso exista, outros exames não são necessários na maioria dos casos e o tratamento pode ser iniciado. Porém, em alguns casos selecionados ou quando o tratamento não é eficaz, outros exames são realizados.

O principal exame é a endoscopia digestiva alta (EDA). Esse exame permite que o médico visualize a úlcera, fechando o diagnóstico, e também que se faça a coleta de material de biopsia para análise. Outro exame que pode ser realizado é a radiografia contrastada do tudo digestivo.

A biopsia é importante, principalmente nos casos de úlcera gástrica, pois pode haver associação com câncer. As úlceras duodenais, que são as mais comuns, raramente estão associadas a câncer.

Como é feito o tratamento?

Como medida geral, recomenda-se que o paciente faça as três refeições de forma regular. Não existe aquela história de que o paciente com úlcera deve comer pouco e várias vezes ao dia. A única ressalva quanto à alimentação, é de que se deve evitar os alimentos que causem sintomas. Outra recomendação importante é a de evitar o tabagismo; o cigarro dificulta a cicatrização da úlcera, e de qualquer outra ferida. O álcool não retarda a cicatrização da úlcera, mas como ele lesa a mucosa do estômago, recomenda-se que os pacientes bebam com moderação ou evitem o uso de bebidas alcoólicas.

Os medicamentos utilizados no tratamento dessa doença são, principalmente, aqueles que reduzem a produção de ácido pelo estômago. São duas famílias de medicamentos:

• Inibidores da bomba de prótons: omeprazol, lansoprazol, pantoprazol, etc.
• Bloqueadores H2: cimetidina, ranitidina, famotidina, etc.

Os primeiros são mais eficazes, mas qualquer um pode ser utilizado. O uso vai de 8-12 semanas e leva à cicatrização da úlcera na maioria dos indivíduos.

Um aspecto de extrema importância no tratamento da úlcera é a erradicação do H. pylori, quando presente. Se os exames forem positivos para essa infecção, o paciente faz uso de esquema com antibióticos, com o objetivo de acabar com a mesma.

Outros medicamentos que podem ser utilizados são os antiácidos: hidróxido de alumínio, hidróxido de magnésio, bicarbonato de sódio, etc. Eles funcionam apenas para alívio rápido dos sintomas. Os outros são medicamentos que ajudam a proteger a mucosa gástrica, como o sucralfato e o bismuto coloidal.

Atenção especial ao uso de antiinflamatórios: esses medicamentos devem ser evitados!!!

E a cirurgia?

A cirurgia está indicada nos seguintes casos:

• Presença de complicações da úlcera péptica;
• Tratamento medicamentoso não levou à cicatrização da úlcera;
• Recidivas são freqüentes, mesmo após o tratamento da úlcera e da infecção pelo H. pylori.

São várias as técnicas que podem ser utilizadas, cada uma com suas vantagens, desvantagens e riscos, os quais nunca devem ser desconsiderados.

Quais são as complicações?

Os pacientes portadores de úlcera péptica podem complicações que podem colocar sua vida em risco, exigindo tratamento cirúrgico em muitos casos.

• Perfuração: ocorre quando a úlcera corrói toda a parede do órgão (estômago, duodeno). É uma complicação grave que pode levar a infecção abdominal e morte caso não seja prontamente tratada.
• Obstrução: quando a úlcera cicatriza e forma fibroses que obstruem o trânsito dos alimentos pelo tubo digestivo.
• Hemorragia: é a complicação mais comum, podendo aparecer como sangue nas fezes ou vômitos de sangue.

Copyright © 2005 Bibliomed, Inc.              22 de Setembro de 2005.



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: