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Artigos de saúde

Registro eletrocardiográfico ambulatorial

Neste artigo:

- Introdução
- Que tipos de aparelhos são usados para o registro?
- Quais são os usos do registro ECG ambulatorial?
- Conclusão

"As arritmias (ritmos anormais do coração) são distúrbios cardíacos comuns e podem causar sérios riscos à vida do paciente. Já existem aparelhos capazes de identificar essas alterações, e novas tecnologias têm sido desenvolvidas para detectar as arritmias e conduzir a um tratamento efetivo".

Introdução

As anormalidades do ritmo cardíaco são comuns. Embora muitas arritmias não sejam nocivas, algumas podem causar sintomas e ser um sinal para uma potencial parada cardíaca ou derrame. Assim, a detecção e quantificação dessas arritmias são importantes, especialmente para os pacientes que têm doença estrutural cardíaca causada por algum evento como um ataque cardíaco prévio. As arritmias são freqüentemente limitadas em duração e ocorrência e não podem ser detectadas durante o exame físico e a eletrocardiografia (ECG) de rotina porque esses procedimentos permitem apenas poucos segundos de observação. Para diagnosticar a arritmia e avaliar sua relação com os sintomas do paciente, ou para avaliar a efetividade de uma intervenção pra suprimi-las, são necessários longos períodos de registro de ECG enquanto o paciente prossegue com sua rotina normal.

Que tipos de aparelhos são usados para o registro?

O método mais comumente usado para registro do ECG estendido é o monitor Holter (nomeado pelo seu inventor, Norman Holter) que usa uma fita de registro convencional ou um sistema de armazenamento no estado sólido das informações adquiridas do ECG que são depois processadas e reveladas para análise médica. Tradicionalmente, esses registros são transmitidos por 24 a 48 horas através de condutores colocados no tórax do paciente para a produção de 2 ou 3 canais de dados de ECG. O paciente é instruído a guardar um diário dos sintomas e anotar no relógio do Holter quando os sintomas ocorrerem para posterior correlação com as anormalidades do ECG. Por exemplo, se o paciente teve um ataque vertiginoso (tonteira) ou um ritmo cardíaco rápido (palpitação) durante a gravação, o médico pode determinar se uma arritmia, rápida ou lenta, foi ou não responsável. Esses registros também são usados para medir a freqüência da arritmia, determinando se há alguma variação ao longo do dia, e decifrando a efetividade de medicamentos antiarrítmicos (usados no controle das arritmias). A principal limitação do Holter é que a amostra do período é usualmente muito curta para permitir a captura de uma arritmia infreqüente. O Holter detecta apenas 10% das arritmias que são responsáveis por sintomas. Há varias maneiras de superar esse problema. O período de observação pode ser estendido, mas isso requerer um registro serial do monitor Holter, que é impraticável e muito caro. Outra solução seria observar o paciente em uma unidade de telemetria em um hospital, mas isso também tem muitas limitações, principalmente a baixa adesão do paciente. O sistema de telemetria cardíaca móvel ambulatorial (MCOT) que permite muitos dias de monitoramento do ECG tem sido desenvolvido. Embora a experiência inicial com essa tecnologia tem sido decididamente positiva, isso ainda requer validação em ensaios clínicos experimentais. No entanto, se a efetividade for comprovada, a habilidade do MCOT em capturar todos os episódios de arritmia e fornecer uma ligação para rápida resposta e tratamento poderia representar um aprimoramento maior sobre a tecnologia disponível no momento.

Monitores episódicos (freqüentemente denominados monitorização eventual) também podem ser usados para períodos estendidos para permitir o registro do ECG durante os sintomas. Esses dispositivos permitem que o paciente grave um ECG, armazene por um período de tempo, e então transmita o sinal por telefone para uma estação de base onde ele é decodificado, gravado, e mandado por fax para o médico. Tem havido muitos aprimoramentos na tecnologia que faz com que isso se torne mais útil hoje. Com monitores eventuais mais antigos, o paciente tinha que ativar o dispositivo rapidamente para capturar o registro do ECG enquanto os sintomas estavam em progresso, uma tarefa difícil para pacientes mais idosos ou para aqueles cujas arritmias causam debilidade funcional. O novo gravador grava continuamente e apaga os dados colhidos de 1 a 4 minutos antes e então retêm 30 a 60 segundos após a ativação do dispositivo. O monitor ativado automaticamente é um novo dispositivo que começa a gravar na detecção de um ritmo cardíaco anormal de qualquer tipo sem a necessidade da ativação pelo paciente. Finalmente, em muitos pacientes, como aqueles que periodicamente perdem a consciência ou tem muitos sintomas graves, mas os tem infreqüentemente, um dispositivo que armazena informações para posteriormente encontrar a informação desejada pode ser implantado debaixo da pele, o paciente ou uma alteração no ritmo poderá ativá-lo.

A maioria dos marca-passos e dos desfibriladores implantados podem também ser usados para colher informações sobre as arritmias. Gravações de sinais dos marca-passos podem ser armazenados para depois serem impressos e analisados para confirmar a ocorrência de uma arritmia e para ajudar no diagnóstico.

Quais são os usos do registro ECG ambulatorial?

O monitoramento do ECG pode ser feito para muitos propósitos. Por exemplo, a presença de uma arritmia ventricular em pacientes com doença cardíaca é associada com um aumento no risco de morte súbita. Então, os pacientes podem ser avaliados para a possibilidade de parada cardíaca pela detecção e medida de quantas vezes essas arritmias ocorrem. Essa é uma técnica bem estabelecida e com grande utilidade clínica. Infelizmente, ainda não é possível a supressão dessa arritmia com o uso de medicamentos. Os desfibriladores implantados podem proteger certos grupos de pacientes, como aqueles que também tem uma diminuição da função cardíaca após infarto do miocárdio. As arritmias cardíacas são uma causa freqüente de perturbação da consciência, como as síncopes, e o monitoramento ECG de pacientes com esses sintomas é comum. Para os pacientes com sintomas freqüentes, como palpitação ou vertigem, o registro Holter pode ser adequado, mas as arritmias infreqüentes requerem longos períodos de observação usando os métodos descritos na seção anterior. Algumas vezes, a descoberta dos sintomas não está correlacionada com uma anormalidade encontrada no ECG, e isso pode ser útil para o médico, que pode então conduzir uma pesquisa para outras causas, não arrítmicas, dos sintomas.

Os ECGs ambulatoriais podem ser usados para medir a efetividade e segurança de medicamentos antiarrítmicos ou terapia não farmacológica. Idealmente, a freqüência da arritmia é gravada antes do tratamento e após o tratamento para avaliar a efetividade da supressão, assim como a possibilidade de um efeito colateral do medicamento. Por exemplo, muitos medicamentos antiarrítmicos podem causar piora da arritmia, assim como uma profunda diminuição do ritmo cardíaco, que pode ser detectado por dispositivos, especialmente aqueles (MCOT) que fornecem informações contínuas. O registro ECG ambulatorial é usado para uma variedade de outros propósitos, como a medida de mudanças na atividade elétrica do coração e a sua recuperação, mudanças que podem significar um suprimento sanguíneo inadequado para o coração, ou variação do ritmo cardíaco causado pela parte do sistema nervoso que controla as funções vitais. (Na realidade, os clínicos raramente usam essas técnicas na prática clínica. Entretanto, eles podem ser usados em pesquisas).

Usos comuns do registro ECG ambulatorial:

  • Detecção e medida de ritmos cardíacos acelerados (incluindo avaliação de risco).
  • Detecção e medida de ritmos cardíacos lentos.
  • Demonstração de efetividade e segurança de medicamentos.
  • Diagnóstico das causas dos sintomas (como palpitação ou perda da consciência).
  • Detecção e medida de alteração do suprimento sanguíneo para o coração (isquemia).

Conclusão

O registro ECG ambulatorial é um valioso instrumento na clínica médica e é largamente empregado. Ele oferece a oportunidade de diagnosticar a causa de sintomas graves, estratificar o risco de eventos graves em pacientes com formas variadas de doenças cardíacas, e avaliar o benefício e o risco de diversos tipos de terapia antiarrítmicas. O elemento chave para o uso bem sucedido dessa tecnologia é a seleção dos pacientes baseada no perfil pré-teste, seguida da seleção adequada do dispositivo, para chegar a um acurado diagnóstico e um tratamento efetivo o mais eficiente e rapidamente possível.

Copyright © Bibliomed Inc.                                         04 de Setembro de 2003



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