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Artigos de saúde

Relação Entre Raios Ultravioletas A e Melanoma

Neste Artigo

- Introdução
- Tipos e Propriedades das Radiações Ultravioletas
- Efeito da Imunossupressão
- Bronzeamento Artificial
- Conclusão
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"O número de casos de melanoma (tumor maligno da pele) e sua taxa de mortalidade têm aumentado nos Estados Unidos. Entre as causas deste aumento, destaca-se a maior exposição aos raios ultravioletas, em conseqüência de mudanças no estilo de vida das pessoas. As queimaduras solares (mesmo as de primeiro grau, ou seja, aquelas em que as pessoas ficam apenas "vermelhas") associadas a maior exposição ao sol aumentam as chances de desenvolver melanoma".

Introdução

Os raios ultravioletas B (UVB) são considerados como os maiores causadores de melanoma, pois são eles que levam à formação de queimaduras solares e geram danos e alterações aos cromossomos. Ainda não é conhecida a relação entre os raios ultravioletas A (UVA), como agente causal, e o melanoma, dando-se pouca importância a este tipo de radiação. Entretanto, é preciso considerar que quando a pessoa está exposta ao sol ela recebe grande quantidade de raios UVA.

Tipos e Propriedades das Radiações Ultravioletas

Cerca de 90% a 95% da radiação ultravioleta é composta por raios UVA que penetram mais profundamente na pele em relação aos raios UVB. Estima-se que 19% a 50% dos raios UVA são capazes de penetrar profundamente nos melanócitos (células da pele responsáveis pela pigmentação e que podem evoluir para o melanoma) e que apenas 9% a 14% dos UVB conseguem esta penetração. Outra capacidade dos raios UVA é que eles possuem a propriedade de atravessar muitos tipos de vidros (automóveis e janelas entre outros) enquanto que os UVB são bloqueados até por lentes de óculos. Um estudo recente mostrou que as roupas de algodão possuem a capacidade de proteger contra os raios UVB, sendo a exposição maior pelos UVA.

Por outro lado, deve-se considerar que estes dois espectros de radiação possuem propriedades diferentes. Os raios UVB são 100 vezes mais efetivos que os raios UVA na indução de queimaduras, porém estes são mais eficazes na pigmentação da pele (tanto imediata quanto persistente). A indução desta pigmentação ocorre com maior facilidade nas pessoas de pele escura, quando comparadas com as de pele clara. Com isto, pressupõe-se que estas estão expostas aos raios UVA de forma silenciosa. Contudo, a relação dos raios UVA na causalidade do melanoma é controversa, apesar de existirem bases científicas que levam a suspeitas.

É certo que a radiação UVB causa mutação nos genes propiciando a formação do câncer. Quanto aos raios UVA, sabe-se que eles são capazes de induzir reações que promovam a formação de radicais de oxigênio livre propiciando mutações e aberrações cromossômicas com conseqüente efeito carcinogênico (capacidade induzir as células a se tornarem malignas).

Estudos experimentais demonstraram que a radiação UVA foi capaz de induzir mutações em células de ovários de Hamsters, bem como em culturas de melanócitos e de outras células da pele. Outro estudo mostrou aumento nos níveis de p53 em melanócitos irradiados com UVA (p53 é um marcador sanguíneo que sugere a presença de tumor). Estudos em peixes mostraram grande relação entre a exposição aos raios UVA e a formação de melanoma.

Um estudo realizado em voluntários humanos evidenciou que tanto a exposição isolada aos raios UVA quanto a exposição aos raios UVB levaram a um aumento nos níveis dos marcadores tumorais (p53 e pirimidina, ambos relacionados com a presença de câncer), sugerindo que, em seres humanos, os danos à pele não são apenas causados pela radiação UVB.

Efeito da Imunossupressão

Sabe-se também que outro fator importante na formação de tumores é a imunossupressão (deficiência dos mecanismos de defesa, gerando queda de imunidade) e é comprovado que a radiação UVB, por vários mecanismos, leva a este quadro. Crianças com imunidade baixa possuem três a seis vezes mais chances de desenvolverem melanoma e aquelas portadoras de doença de Hodgkin (um tipo de tumor que acomete os linfonodos) são oito vezes mais susceptíveis. Quanto à radiação UVA como causa de imunossupressão os trabalhos mostram resultados conflitantes. Até o momento, os estudos relatam que os raios UVA no início induzem a uma imunossupressão não muito significativa evoluindo posteriormente (maior tempo de exposição) para uma melhora do sistema imune, funcionando então como um fator de proteção. Porém, muitos trabalhos ainda devem ser realizados para elucidar esta questão.

Bronzeamento Artificial

Outro ponto a ser considerado é o grande número de adolescentes e adultos jovens que estão realizando bronzeamento artificial. Em relação a este fato, os estudos sugerem aumento na incidência de melanoma, principalmente quando a exposição ocorre em jovens e quanto maior é o número de sessões, porém os resultados ainda não são conclusivos. Quanto ao uso de protetores/bloqueadores solares, os estudos mostram que, quando estes protegem contra os raios UVA e UVB, a incidência de melanoma é menor (porém a maioria só protege contra os raios UVB).

Existem tratamentos a base de radiação UVA para doenças dermatológicas, tais como a psoríase e a dermatite atópica. Nesta situação é evidente o estímulo da proliferação de melanócitos desencadeada pelos raios UVA, propiciando a formação de "pintas" ("sardas"). Porém não há consenso, nestes pacientes, em relação à exposição aos raios UVA e o surgimento de melanoma.

Conclusão

Baseado nestas informações e, apesar de muitos dados serem conflitantes, conclui-se que a radiação UVA é capaz de causar alterações em melanócitos, sendo então interessante instruir a população a minimizar a exposição tanto a raios UVA quanto aos UVB.

Copyright © 2002 Bibliomed, Inc.                 23 de Janeiro de 2002.



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