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Artigos de saúde

Gravidez após os 40

Neste Artigo:

- Introdução
- Por Que as Mulheres de 40 Anos Têm Mais Dificuldade em Engravidar?
- Riscos e Cuidados Especiais Durante a Gravidez
- Técnicas Mais Comuns de Concepção Assistida
- O Fator Psicológico
- Quando Procurar Ajuda?
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"A fertilidade está intimamente relacionada à idade da mulher. Quem tem dificuldades em engravidar pode contar com avançadas técnicas de concepção assistida. Dinheiro e estrutura emocional, no entanto, são imprescindíveis. Neste artigo, você vai entender por que as mulheres de 40 anos têm mais dificuldade em engravidar, quais são os sinais da infertilidade, o que pode ser feito para contornar o problema, e quais são os cuidados necessários à gravidez".

Introdução

A chamada "gravidez tardia" - depois dos 30 ou 40 anos - é um fenômeno mundial. A cada dia, mais mulheres têm adiado a decisão de ter filhos, por causa da carreira profissional, falta de relacionamentos estáveis, condição financeira considerada insatisfatória ou simplesmente pela dúvida "ser ou não mãe?". Nos Estados Unidos, estima-se que uma em cada cinco mulheres tem o seu primeiro filho após os 35 anos. No Brasil, não existem estatísticas oficiais.

Por que as mulheres têm mais dificuldade em engravidar depois dos 40?

Considerando-se apenas a saúde da mulher, a época mais propícia para a gravidez é dos 20 aos 30 anos. A partir dos 35, já se observa um leve declínio na fertilidade feminina, que tende a aumentar com o passar dos anos. "Mais da metade das mulheres acima dos 40 anos é infértil", afirma o ginecologista e especialista em infertilidade e concepção assistida, Ricardo Mello Marinho.

Ao contrário dos homens, que produzem espermatozóides durante toda a vida, a mulher já nasce com todos os óvulos "prontos". Com o tempo, os óvulos e os próprios ovários envelhecem. Por isso, a taxa de fertilidade das mulheres cai após os 30 anos de idade. "Do ponto de vista biológico, aos 40 anos, a mulher está mais para a menopausa do que para a gravidez", explica Marinho.

Quanto mais avançada a idade feminina, maior a exposição a fatores que podem comprometer a fertilidade, como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), inflamação nas trompas, aparecimento de miomas ou endometriose. A endometriose é o desenvolvimento do endométrio (tecido que recobre o interior do útero) fora da cavidade uterina: na bexiga, no intestino, nos ovários ou nas trompas, por exemplo. Segundo o médico, ela é a causa mais comum de infertilidade feminina e acomete cerca de 30% das mulheres inférteis.

Qualquer mulher que menstrue, especialmente as que nunca tiveram filhos ou que contem com história da doença na família, está sujeita à endometriose. Em 40% dos casos, não há queixas, mas um sinal importante é a ocorrência de fortes cólicas menstruais, que não passam nem mesmo com o uso de analgésicos potentes. Nesses casos, o melhor é visitar o consultório de um ginecologista.

Riscos e cuidados especiais na gravidez depois dos 40

"A gravidez após os 40 não é necessariamente uma gravidez complicada", desmistifica Marinho. A saúde da mulher é o fator decisivo. "Nenhuma mulher saudável deve desistir de um filho por medo", opina.

De acordo com a literatura médica, porém, a gravidez depois dos 40 é sempre considerada de alto risco. Isso porque nessa faixa etária a incidência de abortos e a freqüência com que eles ocorrem é maior. A mulher está mais sujeita também a ter pressão alta e diabetes, que podem acarretar complicações na gestação.

Além disso, as chances do bebê nascer com alguma alteração cromossômica, como a Síndrome de Down, aumentam significativamente. Segundo Marinho, quando a mãe tem 20 anos, apenas um bebê em cada 1.500 tem Síndrome de Down. Em filhos de mães de 35 anos, a ocorrência é seis vezes maior: uma criança a cada 250 nascimentos.

"Aos 40 anos, a chance de se gerar de um filho com Síndrome de Down é de 1%. Já aos 45, as estatísticas chegam a 4%, ou seja, um filho a cada 25 nascimentos", explica o especialista. Hoje já existem exames, feitos na criança ainda no útero da mãe, capazes de detectar alterações genéticas. Porém, não é possível corrigi-las. Por isso, as mulheres que desejam engravidar devem estar conscientes do risco. E, acima de tudo, fazer um bom pré-natal.

Técnicas mais comuns de concepção assistida

Indução da ovulação. É o procedimento mais comum. Pode ser usado de forma isolada como tratamento para infertilidade ou integrar métodos mais complexos. Consiste no uso de medicamentos, sob a forma de comprimidos ou injeções, para estimular a ovulação. A fecundação (encontro do óvulo com o espermatozóide) pode acontecer dentro ou fora do organismo feminino. Estima-se que 60% das mulheres conseguem engravidar com esse tratamento. As chances diminuem com o passar dos anos.

Inseminação artificial. Consiste em facilitar o encontro entre óvulo e espermatozóides, evitando que estes precisem percorrer todo o caminho entre o fundo da vagina (onde são depositados) e a parte final da trompa. Vale lembrar que milhões de espermatozóides são expelidos durante a ejaculação e, normalmente, apenas um único espermatozóide fecunda o óvulo.

O sêmen é colhido e preparado em laboratório. O objetivo é fortificar os espermatozóides, selecionar os mais rápidos e colocá-los dentro do útero. O procedimento é feito através de um exame ginecológico comum, indolor, em que o médico usa um catéter de plástico para colocar os espermatozóides o mais próximo possível das trompas. Antes da inseminação, a mulher geralmente se submete a três exames de ultra-som transvaginal, que possibilitam ao especialista descobrir o momento certo para facilitar o fecundação. Não é aconselhável para mulheres que têm algum problema nas trompas.

Segundo Marinho, mulheres de até 35 anos têm entre 15 e 20% de chances de engravidar através de inseminação artificial, em cada tentativa. Quando são feitas de três a cinco tentativas, as chances aumentam para 50%. "Para as mulheres de 40 anos, as chances são menores: de 5 a 10%", afirma.

O ginecologista afirma que cada tentativa de inseminação artificial custa R$ 700,00. Nesse valor, estão incluídos remédios, honorários médicos e ultrassonografias. Vale lembrar que esse tipo de tratamento é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Belo Horizonte, é realizado no Hospital das Clínicas da UFMG.

Fertilização in vitro. Também conhecida como bebê de proveta. Consiste em reproduzir em laboratório as condições necessárias para que ocorram a fecundação e as primeiras etapas do desenvolvimento embrionário. A fertilização in vitro representa a etapa mais avançada no tratamento do casal infértil e, muitas vezes, a única forma de se alcançar a gravidez.

A mulher toma medicamentos para induzir a ovulação. Depois, o médico retira os óvulos do ovário com a ajuda de uma agulha guiada por ultrassom transvaginal. Esse procedimento, chamado punção, é feito sob anestesia. A paciente tem alta no mesmo dia. O parceiro colhe o sêmen. Podem ser usados óvulos e sêmen de doadores anônimos.

Cientistas promovem a fertilização no laboratório. Os embriões são cultivados por dois a seis dias. Depois, até quatro embriões são transferidos para o útero através de um exame ginecológico normal, com o auxílio de um catéter. Das gestações obtidas, 75% são únicas, 25% de gêmeos e 5% são triplas ou quádruplas.

De acordo com Marinho, a fertilização in vitro resulta em gravidez em 30% dos casos em mulheres de até 35 anos. Acima dos 40, esse índice cai para 10%, por tentativa. Os casais devem estar preparados para se submeter a pelo menos três tentativas. O médico estima que cada uma delas custe entre R$ 3 e R$ 4 mil reais. Uma alternativa é procurar o Sistema Único de Saúde (SUS), que cobre parte do procedimento.

O fator psicológico

A Ciência já sabe, mas ainda não foi capaz de quantificar, que o estado emocional da mulher tem influência direta no sistema reprodutivo: pode alterar a produção de hormônios e a ovulação. Qual mulher não teve sua menstruação atrasada em fases difíceis da vida ou após um grande susto?

O estresse, por exemplo, é um fator que provoca queda na fertilidade, afirma Marinho. Em alguns casos, o componente psicológico pode explicar até mesmo casos de aparente infertilidade. "Existem mulheres que adotam crianças e conseguem engravidar logo depois e ainda aquelas que engravidam após a consulta com um especialista em infertilidade", conta o ginecologista.

Quando o casal, no entanto, opta por fazer um tratamento e tentar uma gravidez com um "empurrãozinho" médico, é preciso estar preparado emocionalmente para enfrentar angústia e frustração. "Quanto mais avançado o tratamento, maior a exigência financeira e emocional", alerta Marinho.

"Poucos casais se dão conta realmente de que ao fazer um tratamento estão fazendo uma tentativa de gravidez. Não há garantia de que terão um bebê nos braços após nove meses", afirma a psicóloga Cássia Maria Avelar, no livro "Infertilidade e Concepção Assistida: Um Guia para o Casal", da Editora Medsi.

A psicóloga, no entanto, lembra que há aspectos positivos para a relação a dois, mesmo quando as tentativas de gravidez fracassam. "Independentemente do resultado, esta experiência (de reprodução assistida) tende a aproximar os casais. Muitos saem com a auto-estima renovada e uma sensação de segurança." Ela afirma ainda que a ajuda terapêutica pode ser útil quando o casal se sente distante e fragilizado.

Quando procurar ajuda de um especialista?

Cerca de 90% das mulheres com vida sexual ativa e que não fazem uso de métodos anticoncepcionais engravidam em, no máximo, um ano. De modo geral, deve procurar um especialista o casal que não consegue gerar um filho após um ano de tentativas. É importante lembrar que a infertilidade pode estar relacionada à mulher, ao homem ou aos dois.

Veja outras situações em que a consulta ao ginecologista é aconselhada, segundo Ricardo Marinho:

· Mulheres com mais de 35 anos que tentaram engravidar sem sucesso durante seis meses;
· Quando a mulher não menstrua;
· Mulheres que já tiveram três ou mais abortos;
· Mulheres com histórico prévio de infecção na região pélvica;
· Mulheres que sofrem de endometriose ou problemas tubários;
· Homens com espermatozóides em número baixo ou com má formação e capacidade de movimentação.

Copyright © 2004 Bibliomed, Inc.                 08 de Março de 2004



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