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Asma piora com o crescimento da civilização

Neste Artigo:

- O que é a asma?
- Incidência na População
- Prevenção
- Tratamento
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"A poluição, o excesso de pessoas em uma mesma cidade, o cigarro e outros fatores típicos da civilização vem fazendo aumentar a incidência da asma, doença crônica que atinge principalmente crianças e idosos"

O que é a asma?

De acordo com informações do Projeto Educação em Asma (PEA), realizado pela Equipe Médica da Clínica de Alergia da Policlínica Geral RJ, a asma é uma doença que acomete os pulmões e que se acompanha de uma inflamação crônica dos brônquios. Conforme o Dr. Pierre Telles Filho, ex-médico associado estrangeiro do Centro Hospitalar Universitário - Serviço de Medicina Oriental para a Insuficiência respiratória e a Unidade 14 de Fisiopatologia Respiratória - INSERM - Nancy, França, em entrevista para esta reportagem, em indivíduos suscetíveis, esta inflamação causa episódios recorrentes de broncoespasmo, dispnéia, opressão torácica e tosse predominantemente noturna ou no início da manhã.

"Estes sintomas estão invariavelmente associados à limitação generalizada do fluxo aéreo que pode reverter-se espontaneamente ou sob tratamento", explica o médico. Ele acrescenta que a inflamação também está relacionada à hiperresponsividade brônquica a vários estímulos alérgicos e não-alérgicos. "Seu curso clínico é caracterizado por exacerbações e remissões", define.

Segundo o PEA, em palavras mais simplificadas, uma crise de asma caracteriza-se por tosse improdutiva, respiração curta, cansaço, chiado, rosto suado, inquietação, choro e, às vezes, prostração ou vômitos ocasionais. "Tudo isso ocorre porque existe um obstáculo ao livre trânsito do ar nas vias aéreas: os brônquios e bronquíolos, que conduzem ar respirado para os pulmões, são elásticos e seu tamanho interno (calibre) aumenta ou diminui durante os movimentos respiratórios", explicam os autores do PEA. Eles acrescentam que, em uma crise de asma, os brônquios estão contraídos (broncoespasmo), a mucosa que reveste as vias aéreas está inchada (edema) e as glândulas que produzem muco trabalham em excesso.

"Ao mesmo tempo, ocorre um processo de inflamação nas vias aéreas, que atua perpetuando a irritabilidade (hiperreatividade) dos brônquios mantendo a crise e a doença", relata o PEA. Eles explicam que estas alterações ocorrem em determinadas áreas dos pulmões, enquanto outras estão bem e procuram compensar a oxigenação do organismo. Ao mesmo tempo, são acionados mecanismos de defesa que auxiliam na melhora da crise e na resposta aos remédios. "Entretanto, é importante que uma crise seja prontamente medicada, pois os mecanismos naturais de compensação podem ser ultrapassados com piora da falta de ar e do sofrimento do doente", alertam, dizendo ainda que as crises podem variar de intensidade e que quanto mais cedo se aprende a reconhecer os sintomas iniciais, mais facilmente se consegue evitar que uma crise forte se instale.

Também conhecida como 'bronquite asmática' ou 'bronquite alérgica', a asma ainda hoje é uma doença em evolução problemática e que pode, até mesmo, levar à morte. Segundo o PEA, a asma é uma doença com características muito individuais, com cada paciente tendo a 'sua' e esta podendo variar durante a sua vida.

Incidência na População

O Dr. Pierre narra que a asma é a única doença crônica tratável que aumenta em prevalência e em número de internações no ocidente. Este aumento não apresenta diferenças referentes às classes sócio-econômicas. Segundo o médico, a prevalência varia de 3 a 7 por cento da população geral, havendo variação deste índice de região para região e de país para país. "Em 1995, nos Estados Unidos, dados do The National Heart, Lung and Blood Institute (NHLBI) estimavam em 14,9 milhões o número de pacientes com asma e mais de 1,5 milhão de visitas a serviços de emergência", especifica o Dr. Pierre.

O risco de desenvolver a doença, de predominância genética, está relacionada à sua presença nos pais. "Se um dos pais sofre de asma, o risco da criança desenvolver asma é de 25 por cento. Se ambos os pais são asmáticos, esta taxa pode alcançar 50%", explica o Dr. Pierre. Outra característica predominante da asma é que, em 50 por cento dos casos, ela aparece antes dos dez anos de idade. "Nos jovens há predomínio do sexo masculino, variando entre 3 meninos para cada 2 meninas e 2 meninos para cada menina.

Entre os 12 e 14 anos, a predominância se equivale entre os sexos, passando a predominar no sexo feminino na idade adulta", relata o especialista, que acrescenta: "Por outro lado, 25 por cento dos casos iniciam-se após os 40 anos, quando predomina o sexo feminino. Em muitos pacientes, principalmente naqueles em que a doença iniciou-se antes dos 16 anos, pode ocorrer regressão espontânea (de 30 a 50 por cento dos casos)".

O Dr. Pierre conta que vários estudos sobre prevalência da asma demonstram sua preponderância na infância, atingindo cerca de 8 a 10 por cento da população, com um declínio nos adultos jovens, alcançando de 5 a 6 por cento das pessoas. Ocorre, depois, uma segunda elevação da prevalência no grupo maior de 60 anos, chegando a índices que variam de 7 a 9 por cento.

Cabe ressaltar que, segundo o Dr. Pierre e seus estudos sobre o tema, a prevalência da asma vem aumentando nos Estados Unidos desde o início da década de 80, independentemente da idade, sexo e grupos raciais, embora haja diferenças na prevalência entre raças e grupos sociais. Isso se deve, em parte, às influências ambientais, que são múltiplas, segundo ele, e diferentes de acordo com o país. "Nos países industrializados, a prevalência aumenta 50 por cento a cada dez anos", diz. Conforme suas pesquisas, a influência do ambiente é evidente na urbanização das crianças africanas Xhosa do Transkei, na África do Sul: "Quando estas migram do campo para a periferia da Cidade do Cabo, a prevalência da asma aumenta de 0,15 para 3,2 por cento".

O Dr. Pierre demonstra, através de seus estudos, uma associação entre alta morbidade/mortalidade e áreas geográficas de baixo perfil socioeconômico. "Áreas de pobreza tendem a apresentar grande densidade populacional com um número maior de habitantes por domicílio, e elevada concentração de habitantes por prédio, havendo intensa exposição aos alérgenos da barata, de gatos e de fungos (mofo)".

Nos EUA a asma é responsável por 500 mil internações por ano, sendo uma das doenças crônicas mais comuns em todas as idades, e a mais freqüente doença crônica na infância. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ocorreram 180 mil mortes por asma em 1997, das quais 4.360 ocorreram nos Estados Unidos.

Prevenção

Segundo dados do PEA, é preciso estar atento aos sinais da crise de asma e, principalmente, que o paciente esteja bem orientado a respeito das suas crises, para que se mantenham calmos. Se possível, descobrir a causa desta crise e afastar o motivo, iniciar prontamente a medicação indicada pelo médico. Vale colocar a pessoa em local tranqüilo e distraí-la, assim como fazer exercícios de relaxamento. Ingerir líquidos também ajuda.

De acordo com a evolução da crise, se não houver melhora com a medicação, levar a pessoa para um atendimento de emergência. O principal sinal de alarme é a falta de ar importante, com respiração difícil, entrecortada e ofegante, suores e temperatura baixa, dificuldade em falar, caminhar e alimentar-se, alteração da postura (o paciente não consegue deitar-se e costuma ficar sentado), tosse molesta, batimento das asas do nariz, uso da musculatura do pescoço e do peito para respirar, lábios e unhas roxas ou azuladas, pouca melhora com a medicação inicial e a medida do sopro (peak flow) apresentando índice abaixo de 50% do previsto.

O PEA alerta para que os pacientes e familiares estejam atentos ao que chamam de 'gatilho': tudo aquilo que puder provocar uma crise de asma, atuando sobre vias aéreas sensíveis. Normalmente, a alergia é a causa desencadeante mais comum. "No Brasil, é mais freqüente a sensibilização por poeira domiciliar e por ácaros. Na verdade, o que se chama poeira domiciliar compreende um acúmulo de matérias (vivas ou inertes) como fibra de tecidos, restos alimentares, fragmentos e fezes de baratas, escamas de pele humana e animal, pólens, insetos, ácaros, bactérias e fungos.

Tudo isso torna a poeira o alérgeno mais importante para o aparelho respiratório", explicam os autores do PEA. Eles também citam os ácaros como 'gatilho' importante, assim como os animais domésticos, em especial cães e gatos, não só por causa do pêlo, mas também em função da saliva e da urina. É preciso estar atento também para os mofos e bolores, condições climáticas, infecções respiratórias, exercícios físicos, alguns medicamentos, como aspirina e antiinflamatórios, aditivos alimentares, fumaça de cigarro, perfumes e outros odores ativos, ar frio, e poluição, entre outros fatores mais raros.

Para prevenir a asma, portanto, é necessário manter a casa limpa e livre de poeira e ácaros, evitar roupas e cobertores de lã, evitar ter animais de pêlo e pena dentro de casa, não fumar nem permitir que fumem perto do paciente.

Tratamento

De acordo com o PEA, os tratamentos para a asma são feitos com medicamentos de dois grupos: aqueles usados em crises e que combatem os sintomas, utilizando-se de broncodilatadores e antiinflamatórios e aqueles usados para prevenção. O tipo do tratamento também varia de acordo com o tipo da crise. "Cada pessoa é uma pessoa, cada crise é uma crise e o tratamento vai ser diferente de acordo com a ocasião de vida do paciente", explicam os especialistas, que recomendam, sob qualquer circunstância, contar com o apoio e indicações do médico e evitar repetir receitas caseiras de amigos ou balconistas de farmácia.

Copyright © 2001 eHealth Latin America                  19 de abril de 2001




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