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Hepatite A: Cuidados com a Higiene e o Saneamento Básico

Neste Artigo:

- O que é Hepatite A
- Formas de Transmissão
- Conseqüências
- Tratamento
- Saúde Pública
- Prevenção
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“Este artigo retrata a opinião de diversos médicos e pesquisadores sobre a doença causada pelo vírus da Hepatite do tipo A, comum em todo o mundo, mas com prevalência maior em locais com pouca higiene e inadequadas condições de saneamento básico. A Hepatite A pode ser evitada através da adoção de cuidados básicos de saúde”.

O que é Hepatite A


Trata-se de uma doença aguda causada pelo vírus da Hepatite A. A doença é bastante comum em todo o mundo, sendo que nas classes sociais menos favorecidas a incidência é maior na primeira década de vida e nas mais favorecidas incide mais na idade adulta.

Formas de Transmissão

De acordo com a Dra. Myriam Santos Almeida, médica especialista em Doenças Infecciosas e Parasitárias, a transmissão se dá, primariamente, via fecal-oral através do contato direto com pessoas infectadas eliminando o vírus nas fezes ou através da ingestão de água e alimentos contaminados. Para a médica, crianças menores têm um papel muito importante na transmissão porque a infecção nelas, geralmente, não causa sintomas ou passa despercebida e elas podem eliminar o vírus nas fezes por período de tempo mais prolongado que os adultos.

O ser humano é o único hospedeiro natural do vírus. A principal forma de transmissão do vírus é de uma pessoa para outra. Especialistas do CIVES (Centro de Informação em Saúde para Viajantes) também afirmam que a transmissão é comum entre crianças que ainda não tenham aprendido noções de higiene, e entre pessoas que residem juntas ou que sejam parceiros sexuais de pessoas infectadas.

Segundo o Dr. Fernando S. Martins, do CIVES, aproximadamente dez dias depois de uma pessoa ser infectada, o vírus passa a ser eliminado nas fezes, o que ocorre por três semanas. O período de maior risco de transmissão é de uma a duas semanas antes do aparecimento dos sintomas.

O consumo de frutos do mar, como mariscos crus ou inadequadamente cozidos, está particularmente associado com a transmissão, uma vez que esses organismos concentram o vírus por filtrarem grandes volumes de água contaminada.

A transmissão através de transfusões, uso compartilhado de seringas e agulhas contaminadas é pouco comum, ao contrário das infecções pelo HIV e pelo vírus da hepatite B.

Conseqüências

Segundo a Dra Myriam, a infecção em crianças pequenas e bebês, na maioria das vezes, não produz sintomas ou produz um quadro de doença inespecífico. Entretanto, em adolescentes e adultos, freqüentemente, a doença produz febre, mal estar, falta de apetite, desconforto abdominal, urina escura e icterícia. Os sintomas, geralmente, duram menos que dois meses, mas de 10 a 15% das pessoas que os apresentam têm a doença prolongada ou recidivante por até seis meses. Especialistas destacam que Hepatite fulminante é rara e não há infecção crônica. Convém destacar que cerca de 70% das crianças, menores de seis anos, não apresentam sintomas.

Segundo informações da Dra. Denise Vigo Potsch e do Dr. Fernando S. Martins, do CIVES, a Hepatite A pode gerar inflamação e necrose do fígado. Eles esclarecem que uma pessoa infectada com o vírus pode ou não desenvolver a doença, contudo a infecção confere imunidade permanente contra a doença.

Para o Dr. Fernando, além dos sintomas citados, é comum a aversão acentuada à fumaça de cigarros. Após alguns dias, pode surgir icterícia em cerca de 25% das crianças e 60% dos adultos. As fezes podem então ficar amarelo-esbranquiçadas e a urina de cor avermelhada. Em geral quando a pessoa fica ictérica, a febre desaparece, há diminuição dos sintomas e o risco de transmissão do vírus torna-se mínimo. Em crianças, a icterícia desaparece em 8 a 11 dias, e nos adultos em 2 a quatro semanas, esclarece o Dr. Fernando.

A evolução da doença em geral não ultrapassa dois meses. Em cerca de 15% das pessoas, as manifestações podem persistir de forma discreta por até seis meses, com eventual reaparecimento dos sintomas. A recuperação é completa, o vírus é totalmente eliminado do organismo. A letalidade, segundo os especialistas, considerando-se todos os casos é cerca de 0,3%. Em adultos a evolução grave é mais comum, e o número de óbitos pode chegar a 2% em pessoas com mais de 40 anos.

Tratamento

Segundo a Dra. Ana M. Gaspar, do Departamento de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz, a Hepatite A não tem tratamento específico. As medidas terapêuticas visam reduzir o incômodo dos sintomas. No período inicial da doença pode ser indicado repouso relativo, e a volta às atividades deve ser gradual. As bebidas alcoólicas devem ser abolidas. Os alimentos podem ser ingeridos de acordo com o apetite e a aceitação da pessoa, não havendo necessidade de dietas.

Saúde Pública

Para médicos da área, nos países em desenvolvimento, onde os investimentos em saneamento básico não constituem prioridade, a infecção é comum em crianças, e a maioria dos adultos é, conseqüentemente, imune à doença. Em países desenvolvidos, ocorre episodicamente e, por esse motivo, grande parte da população adulta é suscetível à infecção. Esse padrão tende a ser semelhante nas classes socio-economicamente mais privilegiadas dos países em desenvolvimento, como o Brasil.

De acordo com a Dra. Denise Vigo, a Austrália, o Canadá, a Escandinávia, a Nova Zelândia, o Japão e a maioria dos países da Europa Ocidental, são áreas de risco relativamente baixo. Nos Estados Unidos o risco é considerado intermediário. Estima-se que a cada ano ocorram cerca 200 mil casos da infecção. Cerca de um terço da população americana tem evidência sorológica de ter sido infectada pelo vírus em alguma época da vida. O Brasil tem risco elevado para a aquisição da doença, pois as condições de saneamento básico são precárias.

Em 1997, o Ministério da Saúde registrou 808 casos de Hepatite. Apenas o município do Rio de Janeiro computava um total de 57 casos, número que passou a 321 em 1999, a maioria entre pessoas com menos de 15 anos. Todavia, os estudos de prevalência na população brasileira, realizado através de exames sorológicos, demonstram uma redução dos índices. A prevalência está em torno de 65%, enquanto chega a 81% no México e a 89% na República Dominicana. Os índices brasileiros chegam a 95% nas populações mais pobres e a 20% nas populações de classe média e alta, de acordo com o CIVES.

Segundo os especialistas, é importante que seja feita a notificação dos casos da doença aos centros médicos de saúde da região. Assim podem ser adotadas medidas que diminuam o risco de disseminação da doença para a população.

Prevenção

Por se tratar de uma doença com formas bastante claras de transmissão, a Hepatite A pode ser prevenida através de saneamento básico e higiene pessoal. O uso de vacinas para controle da doença e possibilidade de erradicação do vírus pode ser útil. Médicos destacam que no Brasil existem duas vacinas licenciadas contra Hepatite A: Havrix® e Vaqta®. As duas vacinas são bastante eficientes e apresentam poucas reações adversas. De acordo com informações do CIVES, as vacinas estão no mercado brasileiro desde 1995, mas seu custo é elevado.

Um mês após a primeira dose, as vacinas produzem mais de 95% de imunidade nos adultos, e 97% em adolescentes e crianças acima de dois anos. As vacinas estão liberadas para aplicação a partir dos dois anos de idade, uma vez que a eficácia e segurança abaixo dessa faixa etária ainda não foram adequadamente avaliadas. Especialistas esclarecem que a aplicação é intramuscular, feita em duas doses com intervalo de seis meses entre cada uma. Os dados disponíveis sugerem que a imunidade conferida pela vacina seja superior a dez anos.

Médicos sugerem que a Hepatite A pode ser evitada através da utilização de água clorada ou fervida e o consumo de alimentos cozidos, preparados na hora do consumo. Além disso, lavar as mãos com água e sabão antes das refeições e evitar o consumo de bebidas e qualquer tipo de alimento adquiridos com ambulantes, nas ruas.

Copyright © 2004 Bibliomed, Inc                 22 de Julho de 2004.


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