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Artigos de saúde

Câncer Testicular: A Devida Atenção Para os Sintomas Iniciais no Adulto Jovem

Neste Artigo:

- Os Testículos e Suas Funções
- Câncer: Explicações e Dados
- Incidência do Câncer de Testículo
- Alguns Indivíduos São Mais Propensos
- Sintomas
- Tratamentos
- Chances de Cura
- Efeitos Colaterais
- Continuidade do Tratamento
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"Forma de câncer comum em homens entre 15 e 35 anos, o câncer de testículo possui tratamentos eficientes e altas chances de cura. Contudo, como sempre que se trata de câncer, o diagnóstico deve ser feito rapidamente e o tratamento não deve ser postergado."

Os Testículos e Suas Funções

Testículos ou gônadas são glândulas masculinas, localizadas atrás do pênis, no Saco escrotal. Os testículos, que produzem esperma e testosterona, estão localizados fora da cavidade abdominal, pois o esperma necessita de temperaturas alguns graus abaixo da temperatura interna do corpo humano (2o C a menos).

As células germinativas produzem o esperma, que vai para o epidídimo quando está maduro. Após algumas semanas, o esperma é misturado a outros fluídos da próstata e da vesícula seminal, formando o sêmen.

A testosterona é o hormônio sexual masculino, necessário para a formação do aparelho reprodutor e de outras características masculinas (pêlos, voz grave, ombros largos, etc). Sem testosterona, o homem perde a sua condição sexual, desenvolvendo fadiga, depressão e, até, osteoporose.

Câncer: Explicações e Dados

O câncer, em geral, é um grupo de mais de cem doenças. Cada tipo de câncer apresenta-se de uma forma diferente. Contudo, todas são doenças relativas às células do organismo. Algumas vezes o processo de multiplicação normal das células do organismo é afetado, assim, algumas células não conseguem controlar o seu crescimento. Crescem muito rapidamente e de forma desordenada. Muitas células são produzidas e formam os tumores. Estes podem ser benignos ou malignos. A saber, os tumores malignos são os cânceres. De acordo com especialistas, convém esclarecer que quando se fala de câncer testicular, fala-se principalmente de câncer nas células germinativas, responsável por mais de 95% dos casos de câncer testicular. Nos 5% restantes há uma grande variedade de tumores extremamente raros não relacionados às células germinativas.

Incidência do Câncer de Testículo

De acordo com o especialista em urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia, Stênio de Cássio Zequi, mestre em Oncologia pela Fundação Antônio Prudente - Hospital do Câncer São Paulo, o câncer de testículos é considerado raro, com uma incidência de 2,8 a 4,5 novos casos por ano para cada 100 mil indivíduos. Para que se tenha um termo de comparação, o câncer de próstata, bem mais conhecido, atinge 30% dos homens a partir dos 50 anos e por isso tem merecido uma atenção muito maior da imprensa e dos próprios órgãos governamentais de saúde, que investem em campanhas de prevenção. Segundo o registro Hospitalar de Câncer de São Paulo, em 1993 a incidência de casos novos de tumores testiculares foi de 2,2 casos para cada 100.000 habitantes da cidade de São Paulo.

Por sua baixa incidência e boas chances de cura, explica o Dr. Stênio, o câncer testicular não é tão difundido e nem são feitas tantas campanhas de prevenção. "Não se justifica do ponto de vista econômico e de medicina preventiva investir em prevenção do câncer de testículo - seria mais lógico aplicar estes recursos em doenças de maior incidência, como a tuberculose, verminoses, desnutrição, por exemplo ou o próprio câncer de próstata", argumenta, lembrando do transtorno que seria atender milhares de pacientes receosos de estar com câncer no testículo para diagnosticar apenas 3 ou 5 a cada 100 mil indivíduos.

O Dr. Stênio, também médico titular do Serviço de Urologia do Depto de Cirurgia Pélvica do Hospital do Câncer A . C. Camargo, informou, com base nos dados da American Cancer Society, de Atlanta nos Estados Unidos, que no ano de 1998, estimou-se que 7600 homens desenvolveriam câncer testicular naquele país. Contudo, desse total, previu-se que menos de 400 morreriam - o que prova que também os índices de mortalidade em função deste tipo de câncer são baixos quando comparados a outros.

O câncer de testículo ocorre principalmente entre os homens entre 15 e 50 anos de idade, embora possa atingir qualquer homem em qualquer idade. Apesar de raro, explica o especialista em entrevista exclusiva para esta reportagem, o câncer testicular é, contudo, um tumor significativo, porque atinge pacientes em plena fase produtiva, podendo comprometer sua vida afetiva, sexual, reprodutiva e econômica. Se não tratado, é letal.

Alguns Indivíduos São Mais Propensos

De acordo com o Dr. Stênio, alguns indivíduos são mais propensos a desenvolver o câncer testicular: os que sofrem ou sofreram de criptoquidia (quando o testículo não desceu para o escroto) possuem de 8 a 40 vezes mais chance de vir a desenvolver câncer no testículo. Também os pacientes com algum tipo de atrofia testicular, por causa desconhecida ou viral, são mais atingidos. Há ainda os indivíduos estéreis ou com dificuldade para ter filhos, também reconhecidamente mais propícios. Alguns autores recomendam que indivíduos com estes históricos estejam mais atentos aos sintomas do câncer testicular e que façam exames periódicos.

Outros pesquisadores citam ainda que homens cujas mães tomaram alguns tipos de hormônios durante a gravidez podem ter desenvolvimento anormal dos testículos, contudo não há provas científicas de que este fato aumente o risco de câncer de testículo. Há outros pacientes com câncer testicular que apresentam história de lesões traumáticas no escroto. Mas, novamente, não há provas de sua ligação com o desenvolvimento do câncer.

Sintomas

Os sintomas, embora não conclusivos, que devem levar o homem a desconfiar de câncer testicular, são, entre outros: aumento no tamanho dos testículos; enrijecimento dos testículos; sensação de peso do testículo; dor ou desconforto no testículo ou na bolsa escrotal. No entanto, sempre é necessário um diagnóstico médico, com um urologista. A única maneira correta de se diagnosticar um câncer é com um exame patológico. Em caso de diagnóstico positivo, o tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível.

O Dr. Stênio adverte ainda que o fato do câncer de testículo atingir pacientes jovens e sexualmente ativos favorece a confusão ou o mascaramento do diagnóstico. É comum que haja confusão ou que pode até mesmo mascarar o diagnóstico do câncer de testículo ao confundi-lo com orquiepididimites, que são inflamações dos testículos e epidídimos (em geral de transmissão sexual ou secundárias à uretrites), bastante comuns nesta faixa etária. "Portanto, não havendo melhora da sintomatologia ou do inchaço após o emprego de antibióticos e analgésicos, uma avaliação especializada é recomendada", indica.

Tratamentos

Os cânceres de testículo são quase sempre curáveis quando diagnosticados precocemente. Esta doença pode responder bem ao tratamento quimioterápico mesmo quando já se espalhou para outras partes do corpo, esclarecem especialistas, como o Dr. Stênio.

Segundo o Dr. Stênio, não existem tratamentos alternativos confiáveis: é preciso realmente contar com as técnicas cirúrgicas, a radioterapia e a quimioterapia. Em primeiro lugar, explica o médico, é necessário saber qual o tipo de tumor, se seminomatoso, que é um pouco menos agressivo, ou se não-seminomatoso, pois isto vai definir qual o tipo de tratamento que será dado. Também é preciso saber, antes de decidir por uma linha terapêutica, "quanto" da doença o paciente tem, diz o especialista.

Por exemplo, é preciso saber qual a velocidade de evolução do tumor e se ele atingiu outros órgãos. Isso de descobre, de acordo com o médico, através de exames como a tomografia computadorizada de abdômen e pélvis, raio-x e/ ou tomografia de tórax e através dos níveis dos marcadores séricos, obtido em exames de sangue. São avaliados os níveis de alfafetoproteína e de Beta-HCG no sangue do paciente. "Em todos os casos, independente do volume de doença, da presença e localização das metástases, sempre o testículo acometido deve ser removido, através da cirurgia denominada orquiectomia radical", esclarece o médico.

De acordo com os resultados destes exames, é possível avaliar se o paciente tem o tumor só no testículo, por exemplo, e este dado indicaria como tratamento à remoção cirúrgica do órgão, através de uma incisão na virilha e "não através do escroto!", alerta o Dr. Stênio. "Algumas vezes são retirados nódulos linfáticos do abdome, pois, de 20 a 30% destes indivíduos, mesmo com exames tomográficos normais, também apresentam metástases microscópicas no chamado retroperitônio (dentro do abdômen, próximo aos rins).

Nestes casos, fica também indicada a radioterapia, se o seu tumor for seminomatoso, ou cirurgia ou quimioterapia, no caso dos não-seminomatosos" explica o urologista do Hospital do Câncer. A radioterapia é o uso de radiação contra o crescimento do tumor e das células doentes. Como na cirurgia, a radioterapia é um tratamento local.

O urologista explica ainda que, no entanto, "quando já existem metástases macroscópicas (maiores do que 2,0 ou 3,0 cm) no retroperitônio ou outros órgãos, o melhor tratamento é através da quimioterapia, para ambos os tipos de câncer testicular, se seminomatoso ou não. Nestes casos, a quimioterapia pode ainda ser seguida de cirurgia. Se a doença não responder à quimioterapia e nem à cirurgia, ainda pode-se lançar mão de esquemas mais agressivos de quimioterapia ou ainda outras alternativas, como o transplante de medula óssea".

A quimioterapia consiste no uso de drogas para o tratamento do câncer. Pode ser um recurso de terapia combinada. Pode ser aplicada por via oral, na corrente sangüínea ou por via intramuscular. Conforme as condições gerais e a idade do paciente, a quimioterapia pode ser tomada em consultórios médicos, ou na própria casa do paciente. Mas, muitos pacientes têm que ser internados para que haja um controle maior das dosagens e dos efeitos.

Chances de Cura

Conforme informações do Dr. Stênio, "o tumor de testículo é um modelo de neoplasia maligna curável", ou seja, tem grandes chances de ser curado se tratado cedo. "Os índices de cura vão ser sempre maiores a medida que nós tivermos tumores de menores estádios ou com poucas metástases (preferencialmente pulmonares) em comparação àqueles com tumores de estádio avançados e com metástases múltiplas ou em outras vísceras que não os pulmões", observa o especialista.

De acordo com o urologista, "quanto menores os níveis dos marcadores séricos e melhor o estado geral do paciente, maiores são as chances de cura, com várias alternativas terapêuticas". Com o advento da moderna quimioterapia, "os índices de mortalidade pela doença decresceram em 71% entre os anos de 1974 e 1994", cita o médico.

O médico do Hospital do Câncer esclarece que para os pacientes com tumor localizado exclusivamente nos testículos e marcadores de baixos níveis, é possível curar entre 98 e 100% dos indivíduos. "Para os pacientes com metástases microscópicas e retroperitoniais, os índices de cura oscilam de 85-90% até 100% das vezes", informa, acrescentando que "para os que apresentam metástases macroscópicas de acometimento exclusivamente pulmonar os índices de cura oscilam de 60-80%".

Ele conclui ainda que "já os pacientes com os marcadores extremamente elevados, múltiplas metástases, incluindo, por exemplo, o sistema nervoso central e demais vísceras (fígado e ossos), os índices de sobrevida ficam por volta de 30%". O médico vê este dado como positivo: "Mesmo nos casos muito ruins, é possível curar 1/3 dos pacientes e devolvê-los às suas vidas normais", analisa.

Efeitos Colaterais

Médicos advertem que os efeitos de tratamentos com quimioterapia e radioterapia podem ser desagradáveis. Há um medo generalizado de que a perda de um testículo leve à infertilidade ou a problemas sexuais. Porém, sabe-se que com um testículo saudável, um homem pode ter ereção e produzir espermatozóides. Assim, a operação de remoção de um testículo não torna o paciente infértil e, em nenhum caso. "Na verdade, boa parte dos indivíduos portadores do câncer de testículo apresenta taxas de fertilidade inferiores às da população normal e não devido à cirurgia.

Da mesma maneira, a potência sexual e a virilidade não são afetadas em absoluto pelo ato cirúrgico em si", esclarece o Dr. Stênio, que informa ainda que "piora da qualidade das ereções ou diminuição do desejo sexual são relatadas em cerca de 20 a 30% dos indivíduos, porém são alterações eminentemente de fundo psico-emocional (comuns a vários outros tumores malignos), devendo ser tratados com psicoterapia. Estudos nos EUA mostram que os números de divórcio, desemprego e situações similares nestes indivíduos não diferem da população normal".

Após remoção de nódulos linfáticos retroperitoniais, pode haver interferência no sistema nervoso envolvido na ejaculação. "Com isso alguns pacientes podem ter a chamada ejaculação seca (atingem orgasmo sem a ejaculação do esperma para o meio externo). Felizmente, quando operados em fases iniciais, a função ejaculatória normal é preservada em mais de 95% dos casos. Já nos operados após a realização de quimioterapia o problema é mais freqüente", ensina o médico.

De acordo com o Dr. Stênio, a redução ou desaparecimento do nível de espermatozóides em pacientes tratados com quimioterapia também é possível, podendo ser definitiva ou reversível na maioria dos casos após 3 ou 5 anos. Ele indica aos seus pacientes que coletem esperma e o congelem em bancos de esperma especializados, para que possam ter filhos futuramente.

A radioterapia afeta as células normais e as cancerígenas. Contudo, as células normais podem se recuperar. Os pacientes podem sentir cansaço e náuseas, vômitos ou diarréia durante o tratamento (contornável com medicações simples). O tratamento radioterápico não modifica a capacidade sexual do homem, mas pode. Normalmente, esse efeito é temporário e regride em alguns meses. Finalmente, podem ocorrer reações da pele, na região tratada. Deve-se tratar a pele, sob a orientação médica, evitando o uso de loções e cremes por conta própria.

O tratamento quimioterápico causa efeitos colaterais, pois produz efeitos sobre as células cancerígenas e também nas células de crescimento. O tratamento é feito de forma cíclica, alternando-se períodos de uso de drogas com períodos de descanso. Os efeitos colaterais dependem do tipo de droga aplicado e de fatores individuais. Pode-se observar, durante a aplicação da medicação: queda de cabelos, baixa na resistência, perda de apetite, náuseas e vômitos. "Em longo prazo são relatadas alterações da microcirculação e de sensibilidade em extremidades, aumento dos níveis de colesterol sangüíneo e maior risco para doenças com infarto do miocárdio ou derrame cerebral", acrescenta o Dr. Stênio em entrevista para o BoaSaúde.

A perda de apetite é um sério problema a ser enfrentado. Pesquisas mostram que pacientes que se alimentam bem estão mais aptos a suportar os efeitos colaterais do tratamento. Alguns pacientes, de acordo com a American Cancer Society, descobriram que fazer pequenas refeições, várias vezes por dia, é um modo mais fácil do que tentar comer três refeições grandes.

"Devemos relatar que a grande maioria destes pacientes supera os efeitos colaterais e recuperam -se para a vida em família e em sociedade, muitas vezes constituindo prole, exercendo atividades profissionais desportivas de destaque. na verdade, hoje em dia busca-se empregar cada vez menos medicações sem que se perca o máximo de eficiência com o mínimo de efeitos colaterais, felizmente, no caso dos tumores dos testículos, isto é uma realidade", adiciona o médico.

Continuidade do Tratamento

Realizar exames regularmente é muito importante para um paciente que foi tratado de câncer nos testículos. Durante anos, o paciente deve ser monitorado para que se tenha certeza de que o câncer não reaparecerá nos dois primeiros anos subseqüentes, que, segundo o Dr. Stênio, são os que requerem maior atenção. No caso do câncer ressurgir, deve-se iniciar um tratamento rapidamente, para que a doença seja controlada o mais depressa possível.

Normalmente, durante os dois primeiros anos, o paciente deve realizar exames de sangue e realizar freqüentes exames de raios-X e tomografia computadorizada.

Mais uma vez, segundo informações da Associação Americana, pacientes que foram tratados de câncer num testículo possuem entre 2 e 3% de chance de desenvolverem a doença no outro testículo. Os pacientes devem ir ao médico com freqüência e continuar fazendo o auto-exame todos os meses. Qualquer novo sintoma deve ser reportado ao médico sem demora, para que haja um pronto diagnóstico e tratamento.

Copyright © 2001 eHealth Latin America                  01 de Março de 2001




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