Publicidade

Artigos de saúde

Doenças Sexualmente Transmissíveis: Milênio Novo, Antiga Preocupação

Neste Artigo:

- Introdução
- Curiosidades Históricas
- Causas
- Formas de Transmissão
- Considerações Sobre Algumas Doenças
- Cura
- Prevenção
- Tratamento
- Veja Outros Artigos Relacionados ao Tema

"Cruza-se o milênio e novamente o velho e conhecido tema das doenças sexualmente transmissíveis volta a preocupar profissionais da área da saúde no País. Faz-se urgente a mobilização de toda a sociedade para atuar na prevenção dessas doenças, auxiliando no repasse de informações e na mudança efetiva de comportamento, além do tratamento episódico. Neste artigo você verá dados sobre as formas de transmissão, sobre o tratamento e, sobretudo, informações gerais sobre as principais doenças e sobre a prevenção. Convém esclarecer que essa reportagem não objetiva trabalhar as informações sobre o HIV e a AIDS".

Introdução

"Antigamente, elas se chamavam doenças venéreas, isto é, doenças de Vênus, ou doenças do amor. Apesar do romântico nome genérico, a denominação de cada uma dessas doenças não era nada romântica (sífilis, gonorréia, cancro mole) e elas chegavam a matar. Depois, vieram os antibióticos que, extremamente eficientes no combate a esses males, mudaram o panorama. Então, podia até ser considerado prova de virilidade ter uma 'doença do mundo' ou 'doença feia'.... Atualmente, elas se chamam doenças sexualmente transmissíveis".

Desta maneira, a psicóloga Lídia Rosemberg Aratangy introduz o capítulo de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) em seu livro "Sexualidade - a difícil arte do encontro". Realmente, hoje em dia, as DSTs voltam a assolar a sociedade brasileira e devem ser compreendidas de maneira séria e debatidas amplamente, para que possam ser superadas e deixem de infectar tantas pessoas de todas as faixas etárias.

De acordo com a Assessoria de Imprensa da Coordenação Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde (MS), não há dados disponíveis que tracem um "mapa" das DSTs no Brasil, pelas próprias dificuldades culturais em reportar este tipo de informação aos setores da saúde. Até 1998, o Ministério da Saúde publicava o Boletim Epidemiológico, onde anunciava principalmente informações sobre Sífilis Congênita (transmitida da mãe para o filho, durante a gravidez ou parto, e, portanto, não por via sexual) e de AIDS, uma vez que, por lei, todo médico que diagnostica uma destas doenças é obrigado a relatá-la. No entanto, diante das dificuldades de ter dados mais precisos sobre as outras doenças, o MS deixou de publicar estes Boletins até que arquitete uma metodologia mais eficaz.

Como as DSTs indicam, na maioria dos casos, um comportamento sexual desprotegido, elas são também um indicativo de pessoas mais propensas à contaminação pelo HIV e identificar esta população, alvo das campanhas de prevenção da AIDS, é uma das prioridades do Ministério da Saúde, segundo informa sua assessoria de imprensa.

Conforme entrevista com o epidemiologista Dr. Fábio Moherdaui, assessor para DST do Programa Nacional DST/AIDS do MS, a Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que 12 milhões de novos episódios, entre homens e mulheres, surjam anualmente no Brasil. Esta estimativa, baseada em 10 anos de estudos, não leva em conta as doenças virais, como a AIDS, o HPV, a Herpes e a Hepatite, mas apenas as doenças bacterianas, como a Sífilis, a Clamidíase, a Gonorréia e Tricomoníase, esta última causada por um protozoário.

Curiosidades Históricas

Como foi dito, na Antigüidade, as DSTs eram tidas como as doenças da deusa grega do amor, Vênus. Para se ter noção de como essas doenças acompanham a própria história e o desenvolvimento do homem, a gonorréia foi descrita em algumas passagens da Bíblia, muito embora sua causa só tenha sido conhecida no século XIX.

Algumas tumbas do Egito antigo apresentavam registros sobre a Sífilis. Sabe-se, ainda, que a rainha egípcia Cleópatra tentava se defender de doenças e da gravidez através do uso de artigos precursores dos preservativos.

Causas

Os vírus são causadores de grande parte das DSTs, como condiloma, herpes genital, hepatite B e a infecção pelo HIV. Já as bactérias são as causas de doenças como a gonorréia, a clamídia, o cancro mole e a sífilis. Finalmente, algumas outras doenças, como a escabiose, tricomoníase e a infestação por piolho púbico são causadas por parasitas.

Formas de Transmissão

As DSTs são transmitidas por meio de relações sexuais anais, vaginais e orais. Médicos alertam que as doenças podem ser transmitidas a partir do momento em que a pessoa se infecta, ou conforme o caso, mesmo depois que nenhum sintoma ou sinal possa ser percebido.

Especialistas alertam que secreções no pênis, ânus ou na vagina, sensação de ardência ao urinar, bolhas e úlceras nos genitais, dor na região pélvica ou abdominal, dor durante a relação sexual, são possíveis sintomas das doenças sexualmente transmissíveis. Assim, caso se apresente algum destes sintomas, deve-se interromper as relações sexuais e procurar um médico. Convém esclarecer que a cadeia de transmissão só se interrompe quando o portador da doença é tratado e passa a usar preservativos em todas as relações sexuais.

Existem DSTs como a sífilis e a hepatite B, e o HIV (AIDS) que podem ser transmitidas através de sangue infectado e por transmissão vertical (da mãe para o filho, durante a gestação, no parto, ou no aleitamento).

Conforme informações do Dr. Fábio, em mais de 80% dos casos de mulheres portadoras, as DSTs apresentam um curso assintomático, ao contrário dos homens, onde são mais exuberantes e mobilizadoras de tratamento. É muito comum, portanto, que as mulheres só percebam que portam uma DST quando ela já está em um estágio avançado - daí a importância da visita freqüente ao ginecologista para os exames de rotina.

Considerações Sobre Algumas Doenças

Gonorréia

Corrimento amarelado (pus) que sai do pênis, causando ardor para urinar, apresentando mau cheiro. No caso das mulheres, 70% não apresenta sintomas. No caso das mulheres que apresentam sintomas, eles são semelhantes aos dos homens.

Cancro Duro

Cancro duro é o nome que se dá à manifestação inicial da sífilis. Aproximadamente entre o décimo e o trigésimo dia, após o contágio, surge nos genitais uma ferida que não dói, não coça, não arde. A ferida desaparece espontaneamente, após um prazo, entretanto a doença continua a progredir e ser transmitida.

Sífilis

Doença causada pela bactéria Treponema pallidum, capaz de infectar qualquer órgão ou tecido. A bactéria atinge o organismo através de pequenas lesões na pele, nas mucosas, ou pela corrente sangüínea.

Após a primeira fase, do cancro duro, cerca de dois meses após o sumiço da ferida, aparecem manchas avermelhadas em toda a pele, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Caso não seja tratada, depois de alguns anos, pode afetar o cérebro, o coração e outros órgãos.

Quando uma mãe, com sífilis, passa a doença para o bebê, chama-se sífilis congênita, que pode trazer sérias complicações de saúde à criança.

Herpes Genital

O herpes inicia-se com coceiras, seguidas de ardor nos órgãos genitais. Posteriormente, surgem pequenas bolhas, que estouram e se transformam em pequenas lesões dolorosas. Estas desaparecem espontaneamente, após um prazo aproximado de dez dias. Entretanto as lesões retornam, ciclicamente, sem tempo definido, principalmente se o portador tem uma baixa em seu sistema imunológico, que pode ser causada por estresse, desgastes emocionais ou físicos, exposição excessiva ao sol, alimentação inadequada. Médicos advertem que não existem remédios capazes de curar o herpes.

Clamidíase

Também conhecida como uretrite ou cervicite inespecífica e uretrite não-gonocócica, a Clamidíase é caracterizada por corrimento uretral escasso, translúcido e, geralmente, matutino. Pode, no entanto, ser reconhecida apenas pelo ardor uretral ou vaginal, muitas vezes o único sintoma. Raramente a secreção pode ser abundante e purulenta.

Se não tratada, a Clamídia pode permanecer por anos contaminando as vias genitais dos pacientes. Mesmo sem sintomas, o portador segue transmitindo a doença. De acordo com o Dr. Fábio Moherdaui, a Clamidíase é uma das doenças mais comuns entre as mulheres e pode ser de difícil diagnóstico: localiza-se do colo do útero para cima e é, muitas vezes, assintomática. Sendo assim, junto com a Gonorréia, a Clamidíase pode ter por complicação a doença inflamatória pélvica, que vem a ser uma das causas de mortalidade feminina.

Tricomoníase

Doença causada por um protozoário e transmitida sexualmente, a Tricomoníase se localiza, na mulher, na vagina ou em partes internas do corpo e, no homem, só nas partes internas. Os principais sintomas são o corrimento amarelo-esverdeado, volumoso, com mau-cheiro, dor durante o ato sexual, ardência e dificuldade para urinar e coceira nos órgãos sexuais. O tratamento deve ser para o casal.

Cancro Mole

Surgimento de uma ou mais feridas dolorosas, com pus, mau cheiro, no pênis, no ânus ou na vulva. As feridas podem apresentar sangramento. Além disso, podem surgir gânglios na região da virilha, que se estiverem inflamados podem soltar pus.

Condiloma Acuminado

Causado pelo Papiloma Vírus Humano (HPV), pode se transmitir durante o de contato sexual, de qualquer espécie. São verrugas que crescem em torno dos órgãos genitais e ânus, geralmente indolores podendo causar coceira e, em alguns casos, sangramento. Esta doença é conhecida, popularmente, por Crista de Galo e, se não tratada, pode evoluir para cânceres, como os de útero, a partir das lesões que causam no colo do útero.

Candidíase

Segundo o Dr. Antônio Barbato, a Candida Albicans é uma das muitas espécies de fungos e a mais comum a provocar uma infecção genital. Habita além da mucosa vaginal, o estômago, intestino, pele e boca, causando corrimento branco e espesso, coceira e ardência. Sabe-se que algumas situações favorecem o surgimento da infecção: atividade sexual, alguns antibióticos, anticoncepcionais, a gravidez, a menopausa, desequilíbrios hormonais, situações de estresse, roupas sintéticas muito justas, etc.

De acordo com o Dr. Fábio Moherdaui, em uma última reunião em Genebra, em meados de 2000, o Comitê Internacional, assessor para assuntos relacionados às DSTs da OMS, definiu que a Candidíase não seria mais considerada uma DST, uma vez que em 98% das ocorrências, ela é causada por outros motivos que não os sexuais. A Candidíase é uma das doenças femininas mais comuns, sendo observada inclusive entre crianças e idosas.

Hepatite B

Doença que causa a infecção do fígado com o vírus da Hepatite do tipo B. O vírus pode ser transmitido pelo sangue, sêmen e secreções vaginais e, até, pela saliva. Os sintomas mais comuns, dentre outros, são: falta de apetite, febre, vômitos, náuseas, diarréia, icterícia, dores articulares. Convém destacar que a hepatite pode trazer uma série de conseqüências, como: a hepatite crônica, cirrose hepática, câncer do fígado, coma hepático e, até mesmo, a morte. Infelizmente, não existem remédios para combater diretamente o agente da doença. Todavia, pode-se tratar dos sintomas.

Especialistas indicam repouso domiciliar até que se finde o mal-estar, que poderá durar, em média, quatro semanas. Embora não se deva ingerir bebidas alcoólicas, não há nenhuma restrição alimentar.

Úlceras Genitais

Feridas que aparecem no local onde o agente causador da doença entrou no organismo (pênis, vagina, ânus, boca). As lesões possuem aspecto de pequenas bolhas de tamanho e duração variados, que podem ou não causar dor.

Médicos alertam que não é possível afirmar com segurança qual é a doença causadora das feridas. A sífilis, o herpes genital, o cancro mole, dentre outras, se apresentam desta maneira. Além disso, pode ocorrer a associação de mais de uma doença, ao mesmo tempo.

Cura

Excetuando-se as doenças causadas por vírus, pode-se dizer que as DSTs podem ser curadas. Contudo, caso não sejam tratadas rapidamente, podem causar danos aos órgãos sexuais, podendo, inclusive, levar à esterilidade, ao câncer, além de outras complicações orgânicas no cérebro e no coração, em situações mais sérias.

Prevenção

Segundo informações do psicólogo paulistano, Fernando Falabella Tavares de Lima que atua na área de prevenção às DSTs e à AIDS desde 1995, a melhor maneira de combater as doenças é através da prevenção. O caminho, segundo ele, é o trabalho de mudança de comportamento, que deve ser realizado em pequenos grupos, visando que os participantes deixem de lado condutas preconceituosas e passem a adotar práticas de sexo seguro. Para o psicólogo que já atuou em projetos da Secretaria Estadual da Educação e da Saúde e, atualmente, desenvolve trabalhos preventivos numa parceria do Ministério da Saúde e do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC), "as ações preventivas devem começar com crianças, na infância, antes que a vida sexual adulta, pois é evidente que a sexualidade existe desde o nascimento, comece, de fato".

Especialistas da área de prevenção alertam para o fato de que as ações preventivas devem ser de toda a sociedade e não apenas do governo. "Projetos de prevenção, em geral, são de médio prazo. A sociedade é responsável como um todo. As escolas, os clubes, as empresas, os sindicatos profissionais, as igrejas, enfim, todos devem participar e promover treinamentos para agentes multiplicadores de informação. Estes, por sua vez, repassarão a informação e o próprio treinamento (as dinâmicas de grupo, os filmes, textos, etc.) para suas comunidades de base, e assim por diante", explica Marcelo Sodelli, mestre em Psicologia da Educação e membro do Núcleo de Estudos e Temas em Psicologia (NETPSI).

Há unanimidade em se afirmar que o uso do preservativo, em todas as relações sexuais, é o método mais eficiente no combate às DSTs.

De acordo com o epidemiologista Fábio, do MS, é essencial que, estando à frente de um portador de DST, o profissional - seja médico, assistente social ou mesmo jornalista - frise a importância de não apenas tratar o episódio da doença, mas modificar o comportamento de risco para evitar novas incorrências e a exposição à doenças mais sérias e mortais, como a AIDS e a Hepatite B.

Tratamento

O uso de cremes ou óvulos vaginais acompanhados de medicação via oral, em geral em dose única e, sempre que possível, para o casal devem resolver a maioria dos casos. Contudo, há situações em que outras medidas devem ser aplicadas como cauterizações e outros tratamentos químicos de "esfoliação" das mucosas atingidas.

Segundo informações do Ministério da Saúde, através da cartilha Doenças Sexualmente Transmissíveis - É preciso tratar, é preciso evitar, "Procure tratamento num Posto de Saúde e siga a recomendação do médico. O seu parceiro ou parceira também deve se tratar, senão um passa para o outro de novo. Não tome nem passe remédios por conta própria. Só um médico pode indicar o tratamento correto".

Novamente, segundo o psicólogo Fernando Falabella, o tratamento é fundamental, pois diminui os riscos de contaminação com outras DSTs e com o HIV, vírus da AIDS.

Copyright © 2001 eHealth Latin America                  19 de Janeiro de 2001




Artigos relacionados com esse tema:

A Orientação Sexual como Sistema de Prevenção de Saúde

Alerta para o Dia dos Namorados: As DST estão Presentes no Mundo

A Infecção Pelo Papilomavírus Humano (HPV)



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: