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Artigos de saúde

Riscos da exposição solar no verão

© Equipe Editorial Bibliomed

Neste artigo:

- Informações sobre a pele
- Radiação Ultravioleta
- Radiação UVA
- Radiação UVB
- Bronzeamento sem queimaduras: as recomendações médicas
- Usando o Índice Ultravioleta (IUV)
- Opções para o bronzeamento
- Alerta especial sobre fotoenvelhecimento
- Dados sobre a incidência do câncer de pele
- Cuidados especiais com as crianças
- Veja outros artigos relacionados ao tema

"O hemisfério sul do planeta está vivendo o verão. Esta estação do ano é muito festejada e, às vezes, cometem-se excessos que podem ser prejudiciais e perigosos para a saúde. A exposição aos raios solares pode ser um risco...".

Com a chegada do verão, as exigências do mundo da moda incluem corpos magros, bem definidos e, de preferência, bastante bronzeados. Milhões de brasileiros aproveitam as férias nesta época do ano para estirarem-se seus corpos seminus à beira-mar. A exposição ao sol, embora traga benefícios, como auxiliar na absorção da vitamina E fixar o cálcio no organismo, também tem sérias implicações para a saúde quando em exagero. Do envelhecimento precoce ao câncer de pele, o sol pode sair rapidamente da posição de aliado para a de vilão, especialmente nestas épocas em que o buraco na camada de ozônio potencializa a ação dos raios solares. Alguns cuidados, recomendados pela Associação Brasileira de Dermatologia, merecem atenção. Alternativas ao sol, como o bronzeamento artificial e os cremes autobronzeadores também despontam no mercado da medicina estética, como opções que devem ser analisadas com critério, ainda que a promessa de adquirir 'a cor do verão' seja atraente.

Informações sobre a pele

A pele é o maior órgão do corpo humano. Segundo informações contidas no site do Dr. Roberto Barbosa Lima, médico especialista em dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a pele corresponde a 16% do peso corporal, exercendo diversas funções, como: regulação térmica, defesa orgânica, controle do fluxo sangüíneo, proteção contra diversos agentes do meio ambiente e funções sensoriais. Este órgão é formado por três camadas: epiderme, derme e hipoderme.

A primeira é a mais externa e é constituída por células compostas basicamente de queratina, proteína responsável pela impermeabilização da pele. Além dos queratinócitos, encontra-se também na epiderme os melanócitos, que produzem o pigmento que dá cor à pele (melanina) e as células de defesa imunológica (células de Langerhans).

A derme, segunda camada da pele, localizada entre a epiderme e a hipoderme, é responsável pela resistência e elasticidade da pele.

A terceira camada da pele, a hipoderme, também chamada de tecido celular subcutâneo, é a porção mais profunda e é composta por feixes de tecido conjuntivo que envolve células gordurosas e formam lobos de gordura.

As três camadas da pele são sensíveis aos raios ultravioleta, que fazem parte da luz solar.

Radiação Ultravioleta

De acordo com especialistas da SBD, a radiação Ultravioleta (UV), que faz parte da luz solar que atinge o planeta, ao penetrar na pele profundamente, desencadeia reações como as queimaduras solares, as fotoalergias e o bronzeamento. Os UV podem provocar também reações tardias, devido ao efeito cumulativo da radiação durante a vida, causando o envelhecimento cutâneo e as alterações celulares que, através de mutações genéticas, predispõem ao câncer da pele. A radiação UV que atinge a Terra se divide em radiação UVA e UVB:

Radiação UVA

Constituindo a maior parte do espectro ultravioleta, a radiação UVA possui intensidade constante durante todo o ano, atingindo a pele praticamente da mesma maneira durante os doze meses do ano. Sua intensidade também não varia muito ao longo do dia, sendo pouco maior entre 10 e 16 horas que nos outros horários. Penetra profundamente na pele, sendo a principal responsável pelo fotoenvelhecimento. Tem importante participação nas fotoalergias e também predispõe a pele ao surgimento do câncer. O UVA também está presente nas câmaras de bronzeamento artificial, em doses mais altas do que na radiação proveniente do sol, esclarece o Dr. Barbosa Lima.

Radiação UVB

De acordo com especialistas, a incidência de UVB aumenta muito durante o verão, especialmente nos horários entre 10 e 16 horas quando a intensidade dos raios atinge seu máximo. Os raios penetram superficialmente e causam as queimaduras solares. É a principal responsável pelas alterações celulares que predispõem ao câncer da pele.

Bronzeamento sem queimaduras: as recomendações médicas

Os médicos lembram que queimaduras repetidas ao longo dos anos podem levar ao câncer de pele e devem ser evitadas. Além do câncer, a exposição inadequada ao sol pode causar queimaduras, envelhecimento prematuro da pele, alergias, alterações no sistema imunológico e ainda danos aos olhos.

Existe a alternativa, contudo, de se bronzear sem se queimar. O primeiro consenso entre os especialistas é de que só se recomende banhos de sol até 10h ou após as 16h, quando os raios UVA, menos danosos, são mais abundantes.

Especialistas explicam que o resultado do bronzeamento só poderá ser percebido após alguns dias da exposição solar inicial. Este é o prazo necessário para que a melanina seja produzida e liberada pelas células. Por se tratar de um processo biológico gradual, os médicos advertem que não há como apressá-lo sem riscos: um banho de sol de um dia só, com muitas horas de exposição, portanto, só pode trazer problemas, e não benefícios.

Sendo assim, os dermatologistas recomendam que se deve tomar o sol por um período de, no máximo, aproximadamente vinte minutos, fazendo uso de protetores solares com fatores de proteção solar (FPS) elevados. O Dr. Barbosa adverte para o fato de que o protetor leva aproximadamente trinta minutos para atingir sua proteção máxima e mesmo com filtro solar, uma parte da radiação ultravioleta está atingindo a pele e estimulando o bronzeamento.

Os filtros solares são substâncias que protegem a pele contra as ações dos raios UV. Se o filtro solar utilizado permite que a pele fique vermelha após a exposição solar, é sinal que a proteção não está sendo eficaz e que o fator de proteção solar deve ser aumentado ou o filtro ser aplicado a intervalos menores. Os médicos indicam como mínio o FPS 15 e a sua reaplicação a cada 2 horas ou após mergulho, exercício ou suor excessivo. O protetor para os lábios também deve ser utilizado.

Usar roupas de tecido apertado também ajuda a proteger a pele da ação solar. A maioria das roupas absorve ou reflete os raios UV, mas as roupas brancas confeccionadas em malha frouxa e as roupas molhadas não apresentam proteção adequada. O uso de chapéu contribui para a proteção de áreas sensíveis, como os olhos, orelhas, rosto, pescoço e nuca. Os óculos de sol com 99-100% de proteção UV também são um poderoso auxiliar na proteção dos olhos, que podem sofrer danos oculares sérios, como a catarata, quando expostos ao sol sem proteção.

Mesmo quem decide ficar na sombra, não está livre de sofrer com a radiação solar, que reflete na água, areia, concreto e que também pode causar danos. O uso de filtros solares também está recomendado pela SBD para quem vai à praia e acha que ficar embaixo do guarda-sol é suficiente.

De acordo com a Dra. Shirlei Schinaider Borelli, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, após o sol, "o banho deve ser morno, rápido e lavando com sabonete apenas as partes íntimas; braços e pernas não precisam de sabonete". Dra. Borelli indica, ainda, o uso de óleos de banho e cremes hidratantes, para evitar a descamação da pele e manter o bronzeado por mais tempo. Entretanto, adverte para a importância de se procurar um médico especialista para que este indique os produtos ideais para os diferentes tipos de pele.

Usando o Índice Ultravioleta (IUV)

Como parte do Programa Nacional de Controle do Câncer de Pele, a SBD, em parceria com o Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desenvolveu o Índice Ultravioleta, o IUV. Trata-se de um indicador que fornece a previsão diária da quantidade de radiação ultravioleta recebida pela superfície da Terra, durante a hora de máxima iluminação solar, ou seja, entre 11h30 e 12h30, produzindo um alerta válido para o período de risco, das 10h às 16h. Juntamente com o IUV, será divulgado, a cada dia e para cada localidade, os tempos máximos de exposição ao sol a partir dos quais a pele poderá sofrer queimaduras. Estes tempos também variam de acordo com os fototipos da pele:

Tipo 1) Pele clara, olhos azuis, sardentos: sempre se queimam e nunca se bronzeiam.
Tipo 2) Pele clara, olhos azuis, verdes ou castanhos: sempre se queimam e, às vezes, se bronzeiam.
Tipo 3) A média das pessoas brancas normais: queimam-se moderadamente, bronzeiam-se gradual e uniformemente.
Tipo 4) Pele clara ou morena clara, cabelos castanhos escuros e olhos escuros: queimam-se muito pouco, bronzeiam-se bastante.
Tipo 5) Morenas: raramente se queimam, bronzeiam-se muito.
Tipo 6) Negros: nunca se queimam, profundamente pigmentados.

Opções para o bronzeamento

Existem cremes e loções com dihidroxiacetona, substância que provoca uma reação química na pele, escurecendo-a, chamados de autobronzeadores. De acordo com especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia, esse fenômeno ocasiona a pigmentação da camada mais externa da pele, gerando uma coloração parecida ao bronzeamento. Esses produtos químicos não estimulam a produção da melanina, assim, não estão bronzeando, mas apenas tingindo a camada córnea da pele. Segundo o Dr. Barbosa essas loções e cremes não causam mal algum aos usuários, a não ser naqueles que tenham alergia ao produto.

Outra opção muito em voga é o bronzeamento artificial, proporcionado em clínicas de estética. No entanto, de acordo com a SBD, o bronzeamento com luz artificial traz danos à pele e aos olhos desprotegidos da mesma forma que a exposição à luz solar. O FDA (Food and Drug Administration) órgão americano que regulamenta medicamentos e alimentos, desaconselha o uso das lâmpadas de UVA com o objetivo de bronzeamento. A SDB explica que estas lâmpadas emitem quase que exclusivamente os raios ultravioleta A (UVA) em quantidades de duas a três vezes maiores do que a irradiada pelo sol. Como já foi dito antes, os raios UVA são os responsáveis pelo fotoenvelhecimento (aparecimento de manchas e rugas) e possuem efeito cumulativo. Além disso, os raios UVA também contribuem para o início ou piora das doenças ocasionadas pelo sol e com o aparecimento do câncer de pele.

Alerta especial sobre fotoenvelhecimento

É comum que as pessoas optem por um bronzeado bonito e esqueçam dos efeitos danosos do sol não apenas para a saúde, mas também para a beleza. De acordo com os Drs. Hugo Weiss, Marisa Santos Weiss, Miguel de Ávila Sobrinho e Márcio V. Teixeira, do Instituto de Dermatologia de Porto Alegre, não se pode falar dos riscos da exposição solar sem explicar o que é fotoenvelhecimento. Em artigo publicado na Internet, os médicos determinam que o fotoenvelhecimento, conjunto de alterações cutâneas, é causado pela exposição excessiva e/ou prolongada da pele à radiação ultravioleta (UV). De acordo com os especialistas, quanto mais clara for a pessoa e quanto maior for a sua exposição aos raios solares, mais severo será o seu processo de fotoenvelhecimento, que é cumulativo. "Clinicamente, o fotoenvelhecimento pode provocar alterações na textura e cor da pele, deixando-a áspera e amarelada. Também pode induzir o surgimento de manchas, pequenas veias dilatadas, rugas, flacidez e ressecamento, entre outros", relatam. Para prevenir, a receita é uma só: evitar a exposição solar no período entre 10h e 16h, usar filtro solar, camiseta, chapéu e óculos escuros. E, se possível, ficar na sombra. "Nunca é cedo ou tarde demais para iniciar uma proteção solar adequada", concluem.

Dados sobre a incidência do câncer de pele

O câncer de pele é uma das principais preocupações da SBD, que calcula que, no Brasil, surjam cerca de 100 mil novos casos por ano. Os casos de morte por esse tipo de câncer são poucos: acredita-se que cerca de 2.000 pessoas morrem a cada ano de câncer de pele não-melanoma. A maioria das vítimas que vão a óbito são idosos cuja doença já foi diagnosticada em estágio avançado. Outros pacientes com maior probabilidade de morrer de câncer de pele são aqueles com deficiência sistema imunológico, a exemplo de pacientes submetidos a transplante de órgãos. A exposição solar é a principal causa do câncer de pele, segundo a SBD.

Cuidados especiais com as crianças

É fundamental proteger as crianças do excesso de sol. Estima-se que até os 18 anos de idade, o tempo de exposição solar é maior do que no restante da vida. Segundo especialistas em dermatologia, crianças com menos de seis meses de idade não devem ser expostas ao sol, assim como não devem utilizar nenhum tipo de creme ou filtro solar. Após os seis meses de idade, as crianças podem utilizar filtros solares com fator de proteção 15 ou mais. Protegidas pelo filtro solar, em todo o corpo, e por chapéu e roupa, a criança pode ser exposta ao sol da manhã, antes das dez horas.

Segundo o Dr. Barbosa Lima, alguns remédios fazem com que a pele fique mais sensível ao sol. Quando o pediatra prescrever alguma medicação, pergunte se o sol deve ser evitado. O médico alerta, ainda, para os riscos dos dias nublados e da luz refletida na areia, na água, que pode atingir a criança, mesmo na sombra.

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Publicado em 15 de outubro de 2002  
  Revisado em 29 de dezembro de 2015



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