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Contraceptivos Hormonais Masculinos: Opção Viável?

Neste Artigo:

- Contexto da Anticoncepção
- O Anticonceptivo Hormonal Masculino
- Com A Sexualidade e o Bem-Estar em Jogo
- Responsabilidade Feminina ou Masculina?
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"Os contraceptivos hormonais masculinos são uma opção que pode ser útil para metade da humanidade. No entanto, dúvidas constantes sobre seus efeitos colaterais e o fato de que os homens não pagam com seus corpos o ônus da gravidez, tem retardado seu emprego e difusão. As pesquisas têm avançado, mas seu horizonte de aplicação ainda parece um pouco distante e a isto se somam as dúvidas mercadológicas muito importantes em um assunto em que o público masculino não parece disposto a arriscar-se". 

Contexto da Anticoncepção

Os métodos anticoncepcionais vêm evoluindo ao longo da história, com uma necessidade econômica e social cada vez mais acentuada de se fazer planejamento familiar. Outros fatores, como a entrada da mulher no mercado de trabalho, insistem para que se retarde ao máximo a geração de filhos, e mesmo os casamentos têm acontecido mais tardiamente – ainda que, com a evolução dos costumes, a vida sexual ativa venha começando progressivamente mais cedo.

Inevitavelmente, o método anticoncepcional reversível mais seguro inventado até o momento é o hormonal, e ele vem sendo tomado pelas mulheres desde os anos 60, assumindo o papel de agente revolucionário da sociedade moderna, apesar de suas contra-indicações e efeitos colaterais. Segundo o BEMFAM/DHS (Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil), em pesquisa realizada me 1986, o índice de mulheres em união estável que adotavam um método anticonceptivo era de 65,8%, crescendo para 76,7% dez anos depois, em 1996, sendo que aumentaram os percentuais de mulheres esterilizadas (de 26.9% para 40,1%) nesta faixa etária (15 aos 49 anos) e caiu o número de mulheres utilizando pílulas hormonais (de 25,2% para 20,7%).

Em 1991, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apontou uma queda da fecundidade, que se deve à difusão dos procedimentos anticoncepcionais, em especial a pílula e a esterilização, particularmente a feminina. Estes dados demonstram que a esterilização feminina corresponde a 57% do uso de métodos modernos de anticoncepção, entre as mulheres em união na faixa etária considerada, mostrando claramente um declínio dos métodos reversíveis.

A mesma pesquisa, no entanto, quando aplicada aos homens em união entre 15 e 59 anos, indica que índice de esterilização masculina, embora bastante inferior ao da feminina, apresentou um aumento significativo: 225%, crescendo de 0,8% para 2,6%. A média dos homens esterilizados, em 1996, estava na faixa dos 30 a 39 anos e tem cinco ou mais anos de educação. A pesquisa do BEMFAM/DHS de 1996 é o primeiro estudo estatístico no Brasil que levantou dados sobre a anticoncepção entre os homens.

A próxima grande questão é a responsabilidade dos homens pelo planejamento familiar, provocando o surgimento de pesquisas por métodos reversíveis, em torno de um anticoncepcional hormonal masculino.

O Anticonceptivo Hormonal Masculino

Pesquisas recém publicadas da University of Edinburgh's Department of Obstetrics and Gynecology dizem que foi desenvolvido um meio de suprimir a produção diária de espermatozóides mantendo os níveis normais de testosterona (o hormônio básico da masculinidade) e com apenas pequenos efeitos colaterais.

Estes efeitos incluiriam modificações de humor, ganhos de peso e apetite, alguns dos mesmos que são sentidos pelas mulheres com a ingestão das pílulas anticoncepcionais.

O estudo consistiu na administração, por 24 semanas, de doses entre 150 a 300 microgramas de desogestrel, um hormônio sintético que é um dos principais componentes da pílula feminina. O desogestrel para a produção de espermatozóides possui um mecanismo semelhante ao que bloqueia a ovulação no corpo feminino.

Uma das vantagens deste tipo de método anticoncepcional é a facilidade da reversão. Após 16 semanas de supressão da administração hormonal o ritmo de produção de espermatozóides retorna aos padrões anteriores. Até o momento o método mais usado para a interrupção da fertilidade masculina tem sido a vasectomia. A razão é o bem estabelecido fato de que efeitos colaterais significativos não tenham sido verificados.

Com A Sexualidade e o Bem-Estar em Jogo

Os homens são, em todas as culturas, muito sensíveis a possíveis repercussões de qualquer método sobre sua sexualidade. A resistência básica quanto aos métodos hormonais parece se basear em seu temor de ver sua estável situação hormonal alterada. Ao contrário das mulheres, os homens não passam por constantes alterações dos níveis hormonais com suas repercussões sobre o humor e o comportamento.

De acordo com o ginecologista e obstetra Marco Aurélio dos Santos, de São Paulo, a procura por métodos anticonceptivos hormonais masculinos, em seu consultório, é praticamente nula. "Não há demanda, praticamente. A raça masculina não se propõe nem a usar camisinha, muito menos a tomar hormônios. A anticoncepção ainda é, entre os casais, uma tarefa feminina", comenta. Para as mulheres, segundo o Dr. Marco Aurélio, a escolha é entre o seu corpo que vai tomar hormônios e o seu corpo que vai engravidar. Para os homens, a escolha é entre o seu corpo e o corpo do outro. "Não resta dúvidas de que a mulher toma para si esta responsabilidade", conclui o médico.

O Dr. Hans Recker, diretor da N.V. Organon, companhia farmacêutica dos países baixos e responsável pelos estudos, espera que em mais quatro anos se possa estabelecer as dosagens ótimas e avaliar a efetividade do método em um uso de larga escala. Assim sendo, em 2005 um medicamento hormonal masculino de baixos efeitos colaterais poderia estar disponível sob a forma de pílula ou de implante.

Em qualquer hipótese, não será o fato de um medicamento confiável de uso masculino ser efetivo como anticoncepcional, o cerne da questão. O problema será psicológico além de sistêmico. Os homens até o momento têm se recusado a mesmo remotamente arriscar qualquer método que venha a ameaçar em algo sua masculinidade. A mera informação de que o hormônio envolvido seja o mesmo da pílula feminina será um problema para os publicitários envolvidos em eventuais campanhas.

Até 1995 os casos em que foram achados métodos orais anticoncepcionais masculinos tiveram efeitos que bloquearam seu sucesso: toxidade, impotência (que requeria suplementação de hormônio masculino para reverter o efeito indesejado) e irreversibilidade.

Algumas tentativas voltaram-se então para meios químicos que não fossem originários de substâncias hormonais, esta foi uma das linhas seguidas pela RTI, pesquisa apoiada pelo Contraceptive Development do National Institute of Child Health and Development.

Projetos na North Carolina State University, Research Triangle Institute, Duke University e outras instituições vêm tentando achar as chaves para abrir os mistérios do sistema reprodutivo masculino.

Responsabilidade Feminina ou Masculina?

A Dra. Patricia Fail, diz que "já é tempo dos homens dividirem a responsabilidade com as mulheres" ela é biologista chefe do projeto contraconceptivo masculino do Research Triangle Institute. Ao contrário do método usado com as mulheres, sua pesquisa procura substâncias não hormonais para controlar a fertilidade masculina. A vantagem é espantar o espectro que assusta os homens, os possíveis efeitos sobre a libido e a função sexual.

Estas abordagens podem diferir profundamente. O Dr. Joseph Hall, bioquímico e pesquisador do projeto do Estado da North Carolina quer "cegar" os espermatozóides, impedindo que eles possam achar o óvulo a ser fecundado. A Dra. Fail quer eliminá-los, pois acha isto mais seguro.

Os achados dos pesquisadores parecem promissores, porém transformar estes fatos em drogas viáveis é a grande dificuldade. Conscientes das dificuldades mercadológicas os grandes laboratórios não tem investido muito no setor. Parece-lhes mais adequado trabalhar na ponta do mercado que se dispõe a algum sacrifício para evitar uma gravidez indesejada. Todos os pesquisadores parecem ver o sucesso como algo distante no tempo. Assim a posição da vasectomia não parece ameaçada pelo lado masculino e a das drogas mais facilmente reversíveis e já bastante testadas pelas mulheres também não, pelo menos nos próximos anos.

Copyright © 2000 eHealth Latin America                 20 de Novembro de 2000


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