Publicidade

Artigos de saúde

Situação do Planejamento Familiar na América Latina

Dr. Jorge Roberto Escobedo Arias. Guatemala, C. A.
Comitê Científico da Federação Latino-americana de Sociedades de Obstetrícia e Ginecologia. FLASOG.

Neste Artigo:

- Planejamento Familiar na América Latina (América Central  México)
- Planejamento Familiar na América Latina (América do Sul)


Muitos dos habitantes da América Latina padecem de males que vêm desde há vários séculos atrás, devido a populações totalmente heterogêneas. Quanto mais elevado é o nível econômico, mais fácil é o acesso a melhores serviços e atendimentos médicos que usualmente se concentram nas áreas urbanas e grandes metrópoles.

A população mais carente de planejamento familiar não tem acesso, como os milhões de mulheres que vivem nas áreas rurais remotas da América Latina e do Caribe e que carecem por completo de acesso a serviços de saúde. São várias as razões, entre elas a limitação econômica, os obstáculos geográficos ou simplesmente porque carecem de serviços básicos, como o transporte a centros médicos ou a provedores de serviços. Em muitos países, esta impossibilidade de acesso aos serviços de planejamento familiar se deve à falta de apoio dos governos à programas de projetos reais e verdadeiros para que se enfrente o problema demográfico.

As correntes religiosas, que somente aceitam a anticoncepção natural, também têm tido uma influência no planejamento familiar na América Latina. Se a isto juntarmos as diferenças culturais de muitas áreas de diferentes países e a recusa de muitos médicos aos métodos anticoncepcionais, torna o problema ainda maior. De qualquer forma, está demonstrado que nos países onde a anticoncepção é mais difundida e aceita por sua população, as taxas de fecundidade, mortalidades infantil e materna são menores.

De acordo com dados recentemente publicados pela Population Reference Bureau (1998), o método anticoncepcional mais usado na América Latina é a esterilização feminina. A porcentagem de mulheres casadas ou que têm uma união estável e que usam anticoncepcionais modernos varia grandemente entre os países das diferentes regiões, por exemplo: na América do Sul, 70% das brasileiras fazem uso de anticoncepcionais, enquanto que na Bolívia, a porcentagem é de somente 18%. No Caribe 68% das cubanas, contrasta com 14% das haitianas, enquanto que na América Central e México os 65% que usam anticoncepcionais contrapõe-se aos 27% das mulheres da Guatemala.

Estando na alvorada do século XXI, sabemos que os altos índices de necessidades insatisfeitas de planejamento familiar de alguns países, não serão solucionados a curto prazo, em detrimento do direito do casal de decidir quantos filhos deseja ter, de acordo com sua condição econômica, tendo a consciência de quantos podem vestir, alimentar e educar em condições aceitáveis.

Planejamento Familiar na América Latina

América Central e México

País % de mulheres que usam M.A Taxa de fecundidade Mortalidade materna* Mortalidade infantil ® Necessidades insatisfeitas
Costa Rica 65 2.8 24 11.8 -----
El Salvador 48 3.9 300 41 27
Guatemala 27 5.0 200 51 29
Honduras 34 5.2 220 42 -----
México 56 3.1 110 28 25
Nicarágua 45 4.6 160 46 -----
Panamá ----- 2.8 55 22 -----

Fonte: Population Reference Bureau 98
Population Action International 97
* por 100.000 nascidos vivos
® crianças por 1.000 nascidas vivas
---- dados não disponíveis

América Central e México

País % de mulheres que usam Contraceptivos Taxa de fecundidade Mortalidade materna* Mortalidade infantil ® Necessidades insatisfeitas
Cuba 68 1.5 42 7.2 -----
Haiti 13 4.8 1000 74 -----
Jamaica 60 2.6 120 16 -----
Porto Rico ----- 2.1 20 11.5 -----
República Dominicana 52 3.2 110 47 18
Trinidad Tobago 44 2.0 62 17.1 17

Fonte: Population Reference Bureau 98
Population Action International 97
* por 100.000 nascidos vivos
® por 1.000 nascidos vivos

Planejamento Familiar na América Latina

América do Sul

País % de mulheres que usam M.A Taxa de fecundidade Mortalidade materna* Mortalidade infantil ® Necessidades insatisfeitas
Argentina ----- 2.8 50 22.2 -----
Bolívia 18 4.8 650 75 25
Brasil 70 2.5 220 43 13
Chile ----- 2.4 44 11.1 -----
Colômbia 59 3.0 100 28 12
Equador 46 3.6 150 40 -----
Guiana ----- 2.6 ----- 63 25
Paraguai 41 4.5 160 27 16
Peru 33 3.5 280 43 17
Uruguai ----- 2.3 85 19.6 -----
Venezuela ----- 3.1 120 20.9 -----

Fonte: Population Reference Bureau 98
Population Action International 97
* por 100.000 nascidos vivos
® por 1.000 nascidos vivos
---- dados não disponíveis

Como é possível perceber nestes quadros, têm sido selecionados alguns países de cada área que demonstram sua heterogeneidade.

O que se pode observar claramente é que na medida em que a população tem menos acesso aos diferentes métodos de planejamento familiar, há uma maior taxa de fecundidade com menos opção de atendimento qualificado durante as gestações e partos, o que culmina em uma maior mortalidade materna e infantil.

Referencias Bibliográficas:

1. Informe 1997 sobre la marcha del mundo hacia una población estable.
2. Las mujeres de nuestro mundo, Population Reference Bureau 1998.
3. Opciones anticonceptivas: acceso mundial a la planificación familiar.

Copyright CELSAM (Centro Latinoamericano Salud y Mujer)



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: