Publicidade

Artigos de saúde

Os Benefícios dos Anticoncepcionais Orais

Doctor José Antonio Bonet
El Salvador
Bonetmiro@vianet.com.sv


Depois de mais de 50 anos que apareceu a primeira pílula anticoncepcional, são muitos os estudos sobre seu mecanismo de ação e mais que tudo sobre seus efeitos indesejáveis e colaterais. É um dos fármacos mais estudados, permitindo assim que dia-a-dia cheguem ao mercado novos anticoncepcionais com menor carga hormonal, e por fim com cada vez menos efeitos indesejáveis.

É assim que hoje em dia são produzidos medicamentos com uma carga hormonal mínima que sempre conservam o poder do planejamento da gravidez. Alguns exemplos são o desejo do casal diminuir um dos principais problemas que afeta a humanidade: a superpopulação. Outro exemplo seria evitar gestações indesejadas nas uniões estáveis e/ou na adolescência e prevenir assim mortes nas intenções de abortos.

Dados da Organização Mundial de Saúde calculam que a cada ano ocorrem 20 milhões de abortos em condições de risco, dos quais, devido a suas complicações, causam 80.000 mortes maternas.

Cerca de 14 milhões de crianças com idade inferior a 5 anos morrem a cada ano. Estudos recentes têm demonstrado que ao prevenirem uma gravidez não desejada em mulheres com idade inferior a 20 anos, seria possível diminuir esta mortalidade em 17% (2.380.000 crianças por ano). Hoje em dia, pode-se descrever uma série de ações que os anticoncepcionais orais combinados de última geração e baixa dosagem têm e que vão trazer benefícios notáveis às pessoas que os utilizam.

Em alguns países os anticoncepcionais orais são de enorme ajuda, ao diminuir a quantidade de sangramento menstrual, graças a seu baixo efeito estrogênico que vai redundar numa redução importante de anemias, dismenorréias e irregularidades menstruais.

Em um comunicado do Family Health International houve a menção de que os anticoncepcionais orais regulam o ciclo menstrual, já que reduzem o tecido endometrial significativamente, efeito importante nos países subdesenvolvidos onde a anemia nutricional é epidêmica em muitas áreas.

O ato de inibir o estímulo ovariano dos hormônios folículo-estimulantes e luteotrófico tem tornado possível o tratamento de cistos funcionais de ovário sem a necessidade de grandes gastos e intervenções cirúrgicas. Vessy em 1987 constatou uma redução de 78% dos cistos de Corpo Lúteo e uns 49% dos cistos funcionais de ovário.

As baixas quantidades de estrógeno fornecem proteção evitando a hiperestimulação endometrial e determinando uma diminuição da hiperplasia endometrial e sua possível progressão ou malignidade reduzindo o câncer endometrial.

As gestações ectópicas têm sua ocorrência reduzida em razão do desaparecimento de suas temidas complicações. O estudo Oxford/FPA não apresentou o aparecimento de gravidez ectópica com o uso de anticoncepcionais orais e, de uma maneira geral, aceita-se que reduzem o risco em 90%.

Estudos sérios demonstram que em mulheres com diagnóstico de miomatose uterina que têm utilizado anticoncepcionais orais por tempo prolongado, tem havido uma redução de 20% no tamanho destes, e é devido a isto que, apesar destas lesões serem estrógeno dependentes, a estimulação hormonal produzida pelos contraceptivos é menor que a dos ciclos normais, o que também permite a melhora da endometriose e artrite reumatóide.

Apesar do mecanismo de proteção para o câncer de ovário não ser bem entendido, Grimmes (1995) observou um risco de morte relativo de 0.2 nesta patologia. Há um parecer de que a inibição da ovulação provocaria uma redução no crescimento celular desordenado que pode levar ao câncer, já que a redução das gonadotrofinas e supressão da ovulação são um fator protetor na atuação dos anticoncepcionais sobre o muco cervical, o qual se torna filamentoso, escasso e viscoso, permitindo um efeito protetor para certas bactérias que ocasionam a doença inflamatória pélvica.

Este efeito desaparece ao ser suspenso o medicamento. Também tem havido descrição de que o uso de anticoncepcionais orais tem diminuído significativamente a incidência de fibroadenomas e doença fibrocística da mama, sempre que não exista atipia, pois ao apresentar lesões com alto grau de atipia, perde-se a proteção.

Todas as pacientes que apresentam disfunções ovulatórias, hiperestrogenismo e alteração do ciclo menstrual vão se beneficiar dos anticoncepcionais orais, como é o caso de pacientes desportistas ou de grande perda de massa óssea, diminuindo a incidência de osteoporose em futuras etapas da vida.

Sendo assim, o mito ou temor que ainda persiste hoje sobre os anticoncepcionais orais tem que ser superados, já que com medicamentos da nova geração as doses hormonais são mínimas e poderiam, como foi descrito anteriormente, serem mais benéficos. Aconselha-se que sempre e quando a paciente desejar usar este tipo de medicamento seja avaliada periodicamente por seu ginecologista.

Copyright CELSAM (Centro Latinoamericano Salud y Mujer)



Publicidade

Dicionário Médico

Digite o termo desejado

buscar

Ou clique na primeira letra do termo: