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Artigos de saúde

Vitiligo: Doença de Causa Desconhecida que Tem sua Origem no Sistema Imunológico

Neste Artigo:

- O Vitiligo e suas Manifestações Clínicas
- Tratamentos
- Novas Técnicas e Pesquisas Contra a Doença

"Ausência total de pigmentos em certas áreas da pele e dos cabelos. O vitiligo é uma doença auto-imune, ou seja, causada pelas defesas do próprio corpo. O sistema de defesa passa a agredir os melanócitos, células responsáveis pela fabricação do pigmento. Ainda não se sabe o porquê desse ataque. Indivíduos com antecedentes na família têm maior predisposição".

O Vitiligo e suas Manifestações Clínicas

Doença de causa desconhecida, o vitiligo caracteriza-se pela formação de manchas acrômicas (sem pigmentação) na pele. As lesões formam-se devido à diminuição ou ausência de melanócitos (células responsáveis pela formação do pigmento melanina, que dá cor à pele) nos locais afetados. A causa disto ainda não está clara, mas fenômenos auto-imunes parecem estar associados ao vitiligo. "Além disso é comum a correlação com alterações ou traumas emocionais que poderiam atuar como fatores de desencadeamento ou agravação da doença", explica Dra. Ana Cristina Guimarães, dermatologista especializada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

As manchas típicas do vitiligo são brancas, com total ausência de pigmento e podem apresentar um fino halo pigmentado ao seu redor. Em geral se espalham simetricamente. Atinge principalmente a face, extremidades dos membros, genitais, cotovelos e joelhos, mas pode chegar a acometer quase toda a pele. Quando atinge áreas pilosas os pêlos ficam brancos. As manchas têm limites bem definidos e não são acompanhadas de quaisquer sintomas. De acordo com Dra. Ana Cristina, o vitiligo tem curso crônico, com tendência ao aumento progressivo das lesões. "Não há como prever a evolução da doença, que pode permanecer estável durante anos e voltar a se desenvolver ou regredir espontaneamente", explica. Em um mesmo paciente podem ocorrer regressões de algumas lesões enquanto outras se desenvolvem. Ferimentos na pele podem dar origem a novas lesões.

Para a especialista, apesar do vitiligo não causar nenhum prejuízo à saúde física, as alterações estéticas muitas vezes causam distúrbios psicológicos que podem prejudicar o convívio social. O grau de comprometimento emocional pode acabar interferindo negativamente na evolução da doença. Quando necessário, o acompanhamento psicológico dos pacientes em tratamento pode ser fundamental para um bom resultado. Não há prevenção para a doença porque ela aparece devido ao sistema imunológico da pessoa. No entanto, algumas complicações podem ser controladas a fim de não piorar o vitiligo, como o estresse, problemas com a tireóide e diabetes.

Tratamentos

O vitiligo se apresenta de forma e intensidade variadas em cada paciente, portanto, o tratamento indicado pelo dermatologista deve ser individualizado, de acordo com cada caso. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, medicamentos que exercem ótimos resultados em alguns pacientes não têm efeito nenhum em outros. Muitas vezes, os resultados parecem estar mais relacionados ao paciente tratado do que ao tratamento em si. A repigmentação das lesões se dá a partir dos folículos pilosos, formando-se pontilhado pigmentar dentro das manchas. Estes pontos aumentam progressivamente coalescendo para fechar a lesão. Muitos casos de vitiligo são tratados com psoralênicos, que são substâncias que estimulam a pigmentação.

Nos casos de vitiligo estável (quando não surgem novas lesões e as existentes não aumentam de tamanho), algumas técnicas cirúrgicas promovem a transferência de melanócitos obtidos em áreas de pele saudável para a área afetada. Uma vez incorporados ao tecido estes iniciam a produção de melanina repigmentando a lesão.

O vitiligo é doença que tem tratamento, mas este é demorado e exige paciência. No caso das crianças, é importante que os pais tentem se controlar para não transmitir sua ansiedade para elas, fazendo-as pensar que sofrem de uma doença grave, o que só trará dificuldades ao tratamento. É importante lembrar que o vitiligo não traz nenhuma alteração de saúde apesar do grande distúrbio estético.

Novas Técnicas e Pesquisas Contra a Doença

O Ambulatório de Dermatologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveu um novo método para produzir células de melanócito (pigmento da pele), que são enxertadas em manchas de vitiligo. O vitiligo é uma doença que atinge 1% da população mundial e a medicina ainda não obteve uma explicação definitiva do porquê de ela ocorrer em pessoas de todas as idades. A Unicamp atende 500 pacientes com a doença por ano. A produção de células de pigmentação, que podem curar manchas da doença, está permitindo a realização do enxerto em pacientes. A técnica, desenvolvida pela dermatologista Maria Beatriz Puzzi Taude, da Unicamp, promete cura de até mais de uma mancha no corpo dos pacientes. A produção de células de melanócito, que podem ser capazes de reverter à expansão do vitiligo, usa técnicas de cirurgias de plástica de mama, quando são retiradas "sobras" de pele. Depois, é feita a cultura de células de melanócitos em laboratório. Prontas, as células de melanócitos são enxertadas nas manchas de vitiligo. "Fazemos uma espécie de bolha na mancha", afirmou a dermatologista. O tratamento por meio do enxerto de células de pigmentação nas manchas de vitiligo teve início no ano passado com grupos restritos de pacientes.

O ambulatório de dermatologia enxertou as células de melanócitos em três tipos de grupos de pacientes atendidos na universidade. O primeiro grupo foi de pacientes sem nenhum tipo de tratamento anterior da doença. "É difícil encontrar quem nunca tratou do vitiligo, mas conseguimos alguns pacientes", disse a dermatologista responsável pela pesquisa. O segundo grupo de pacientes é classificado como "segmentado", pessoas que tenham partes do corpo afetadas pelas manchas. O último grupo abrigou pessoas com grande número de manchas espalhadas pela pele. "A separação serviu para analisar melhor os resultados que foram extremamente satisfatórios", disse a dermatologista. Segundo Maria Beatriz, na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) foi desenvolvida uma técnica semelhante, porém de cultura de células de queratinócito, que não pigmentam a pele. O queratinócito é mais usado em casos do tratamento de queimaduras e substituição de pele. A técnica desenvolvida por Maria Beatriz foi testada primeiro no Laboratório Professor Alain Taieb, de Bourdeaux, na França, onde a dermatologista fez estudos de pós-doutorado. Segundo a dermatologista, uma segunda etapa da pesquisa, ainda sem prazo para ter início, tentará produzir uma "pele artificial" utilizando como base à própria derme do paciente.

Copyright © 2000 eHealth Latin America             17 de Outubro de 2000



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