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Artigos de saúde

A Relação entre as Ameaças e as Ações Violentas entre Crianças e Adolescentes

Neste Artigo:

- Introdução
- O Estudo
- Resultados
- Conclusões
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"Vários estudos têm mostrado que a exposição à violência vem aumentando entre os jovens americanos, principalmente em suas próprias casas, na vizinhança e nas escolas. Simultaneamente, uma extensa literatura alerta quanto aos efeitos da exposição à violência no comportamento e desenvolvimento emocional das crianças e dos adolescentes. Enquanto ficam claros os efeitos da violência entre a juventude, há um consenso a favor da necessidade de se identificar os jovens que estão mais propensos a ter condutas violentas. Desta maneira, uma aproximação deve ser tentada, através de modelos de saúde pública, para a prevenção da violência".

Introdução

Estudos revelam que os jovens não só são as principais vítimas da violência, mas também, seus principais propagadores. Um estudo realizado pelo centro de controle e prevenção de doenças de Atlanta mostrou a ocorrência de 127 casos de incidentes violentos entre 100 estudantes do segundo grau, durante 12 meses. Outro estudo, realizado pelo Instituto Nacional de Justiça de Washington D.C, envolvendo um grupo de 4.000 jovens, mostrou que cerca de 22% dos jovens do sexo masculino possuíam uma arma e 38% acreditavam ser válido o uso dessas armas, caso corressem o risco de serem feridos. Dados estatísticos também revelam que desde 1985 até 1994, as taxas de homicídios cometidos por jovens de 14 a 17 anos de idade aumentou em 172%, enquanto que as taxas de homicídios entre adultos maiores de 25 anos diminuíram em 25%.

Entre a população adulta, as ameaças têm sido identificadas como importante fator de risco para a promoção da violência. Apesar dos dados a respeito da violência entre adultos, pouco se sabe sobre esses dados entre crianças e adolescentes, os quais representam uma população com grandes chances de cometerem ou serem vítimas de um crime.

Tentando investigar a relação entre as ameaças de violência e a prática de crimes entre crianças e adolescentes, dois pesquisadores americanos, Dr. Mark I. Singer e o Dr. Daniel J. Flannery, conduziram uma pesquisa publicada na revista Arch Pediatr Adolesc Med., de agosto de 2000.

O Estudo

Para a pesquisa foram realizados três estudos independentes. O primeiro foi realizado em escolas de segundo grau, localizadas em Ohio e em Colorado ("Ohio/Colorado High School"), onde foi investigada a relação entre a exposição à violência e os sintomas de trauma psicológico. Foi aplicado um questionário a todos os estudantes do segundo grau de 6 escolas públicas, no ano letivo de 1992-1993, durante o horário de aula. Todos os estudantes foram convidados a participarem do estudo. A taxa de adesão foi de 68%. A maioria dos participantes pertencia a classes sociais mais baixas.

O segundo estudo foi realizado em 11 escolas públicas de primeiro grau, localizadas em Ohio ("Ohio elementary/middle school"). Este investigou a relação entre a exposição à violência e o início de sintomas de trauma psicológico entre as crianças de 7 a 14 anos. Foi aplicado um questionário às crianças, entre os anos de 1995-1996, durante o horário de aula. A taxa de resposta foi de 80%. A maioria dos estudantes pertencia às classes média e baixa.

Por fim, o terceiro estudo foi realizado em 16 escolas de primeiro grau localizadas no Arizona ("Arizona Elementary School"), e analisou a eficácia de um programa de prevenção da violência, o "PeaceBuilders". Neste estudo foi aplicado um questionário às crianças, aos pais e aos professores, entre os anos de 1994 a 1998. A taxa de adesão foi de 85%.

As crianças do primeiro grau de Ohio e do Arizona responderam às seguintes perguntas: Quantas vezes no último ano elas.... (1) ameaçaram ferir alguém? (2) deram um tapa ou um soco em alguém, antes de terem apanhado de alguém? (3) deram um tapa ou um soco em alguém, depois de terem apanhado de alguém? (4) espancaram alguém? e (5) atacaram ou feriram alguém com uma faca? O questionário podia ser respondido com 4 respostas: (0) nunca, (1) às vezes, (2) sempre e (3) quase todos os dias. Os alunos do segundo grau responderam a uma sexta pergunta, que foi considerada inapropriada para os alunos do primeiro grau: (6) se haviam ferido alguém com arma de fogo?

Resultados

Cerca da metade dos participantes eram do sexo feminino. A percentagem de brancos variava de 31% a 57%, os hispânicos variavam de 5% a 51% e os negros representavam 6% a 35% dos estudantes. A idade variava de 7 a 19 anos.

Metade dos alunos do sexo masculino do segundo grau havia ameaçado alguém no último ano. Mais de 36% dos estudantes do sexo masculino do Arizona tiveram esse mesmo comportamento. O relato de ação violenta foi maior entre os estudantes do segundo grau, para ambos os sexos. O principal ato violento relatado foi baterem, depois de terem sofrido agressão física.

A análise das escolas de primeiro grau mostrou que a idade dos alunos que ameaçaram alguém, sempre ou às vezes, era maior do que a dos estudantes que nunca ameaçaram ninguém. A maior parte dos alunos que nunca ameaçaram alguém vivia com ambos os pais.

Entre os alunos que haviam feito ameaças, houve 5 casos de atos violentos. O número de espancamentos foi maior entre o sexo masculino. Os alunos que ameaçavam às vezes tinham, cerca de 3 a 4 vezes, mais chances de cometerem violência, enquanto os que ameaçavam sempre tinham um risco, de 14 a 23 vezes mais, de cometer agressões do que aqueles que nunca fizeram ameaças.

Conclusões

Os autores acreditam que esse estudo mostrou que os jovens que fazem ameaças são mais propensos a terem condutas violentas, mostrando a necessidade do desenvolvimento de planos de prevenção da violência, como a promoção da educação das crianças em relação à violência e o treinamento dos profissionais que lidam com esses jovens.

Mas apesar dos dados mostrados no estudo, os pesquisadores falam que este possui muitos erros e que outros estudos mais avançados precisam ser realizados, para ampliar os conhecimentos nesse campo e para o desenvolvimento dos meios de controle da violência entre a juventude.

Fonte: Arch Pediatr Adolesc Med. 2000;154:758-790.

Copyright © 2000 eHealth Latin America           06 de Outubro de 2000


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